Política
Comissão da Anistia ‘não fez dever de casa’ e tem fila de 11 mil requerimentos, diz Damares
A ministra da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos, Damares Alves, afirmou nesta quarta-feira (22) que a Comissão da Anistia “não fez o dever de casa” nos últimos anos e que se dedicou a “outras atividades”, o que resultou numa fila que tem atualmente 11 mil requerimentos à espera de análise.
Entre as ações executadas pela comissão e que receberam críticas da ministra está a construção do Memorial da Anistia Política do Brasil, em Belo Horizonte (MG).
“A comissão gastou muito tempo com outras atividades e não fez o seu dever de casa”, disse Damares durante audiência na Câmara.
De acordo com a ministra, o projeto original do museu, de 2009, previa em R$ 5 milhões o custo da obra. Ao longo do tempo, porém, informou ela, o custo passou para R$ 30 milhões.
Em dezembro de 2017, a Controladoria-Geral da União (CGU) apurou que pelo menos R$ 3,8 milhões foram desviados durante a construção do museu. Foi instaurada a operação Esperança Equilibrista, com participação da CGU, Tribunal de Contas da União (TCU) e da Polícia Federal.
Atualmente a obra está parada aguardando o fim das investigações. O prédio administrativo do memorial está 70% concluído.
“Não sou contra o memorial, sou contra a maneira que a construção desse memorial foi conduzida”, disse.
HD externo
Damares também criticou a compra de um HD externo pela comissão. Ela disse que o valor do equipamento ainda está sendo apurado, mas apontou que o custo pode ter superado os R$ 5 milhões. O HD contém a museografia que seria utilizada no memorial da anistia.
O deputado Jorge Solla (PT-BA) afirmou que o valor a que se refere a ministra inclui não só o equipamento mas também serviços, como de montagem.
Comissão da Anistia
Criada em 2002, a Comissão de Anistia tem a finalidade de reparar moral e economicamente vítimas de atos de violação aos direitos humanos durante a ditadura militar (1964-1985). Até hoje, R$ 10 milhões foram destinados para indenizações de anistiados.
No governo Bolsonaro, a comissão passou a ficar vinculada à pasta comandada por Damares. Anteriormente, ela estava ligada ao Ministério da Justiça.
Durante a apresentação, a ministra Damares relatou que, neste ano, 849 requerimentos foram indeferidos pela comissão e, outros 11, deferidos e publicados. Disse também que a Comissão de Anistia está reforçando a análise dos pedidos pendentes.
Damares também questionou a indenização a ex-cabos da Força Aérea Brasileira (FAB), que teriam recebido “indenizações milionárias”.
“Quando a gente faz a regressão da idade, eles tinham dois anos de idade no período que estabelece a comissão”, alegou a ministra.
A assessoria da ministra informou que, atualmente, cerca de 2,5 mil indenizações estão sendo reavaliadas pela Justiça. Caso seja comprovada irregularidade nesses pagamentos, os beneficiários podem ter que devolver o dinheiro recebido.
Segundo a ministra, a Comissão de Anistia contém R$ 14 milhões aguardando destinação para indenizações. Desde 2002, 67 mil requerimentos foram apreciados e, desses, 39 mil foram deferidos e 24 mil foram indeferidos.
G1
Política
TJMT condena Cattani a indenizar associação LGBTQIA+ e publicar retratação

A Quarta Câmara de Direito Privado do Tribunal de Justiça de Mato Grosso condenou o deputado estadual Gilberto Cattani (PL) ao pagamento de R$ 20 mil por danos morais, além da obrigação de publicar uma retratação em seu perfil no Instagram. A decisão foi tomada nesta quarta-feira (15), após análise de recurso movido pela associação MT Queer.
O colegiado seguiu, de forma unânime, o voto do desembargador Rubens de Oliveira Santos Filho, que divergiu inicialmente da relatora Serly Marcondes Alves. Em primeira instância, a entidade havia tido o pedido negado, cenário que se repetiu em decisão inicial no próprio tribunal. No entanto, após pedido de vista, Rubens apresentou voto favorável à associação, posteriormente acompanhado pela relatora, consolidando o entendimento unânime da Câmara.
No voto, o desembargador destacou que o parlamentar possui histórico de manifestações consideradas polêmicas e apontou que, neste caso, houve extrapolação dos limites da atuação política. Segundo ele, as declarações não configuram exercício legítimo da função parlamentar, mas sim conteúdo discriminatório. “É nítido que o tom adotado não se caracteriza como crítica administrativa ou política, mas revela conteúdo de segregação e preconceito”, afirmou.
A ação tem origem em um vídeo publicado por Cattani em novembro de 2023, no qual ele criticava um curta-metragem produzido pela MT Queer. O material retratava a relação afetiva entre dois jovens e, segundo o deputado, estaria “incentivando” comportamentos entre estudantes. A interpretação foi contestada pela entidade, que acionou a Justiça alegando discurso discriminatório.
Para o relator do voto vencedor, o caso não se enquadra na proteção da imunidade parlamentar. Ele classificou a conduta como manifestação de “intolerância odiosa”, ressaltando que não há nexo funcional que justifique o conteúdo das declarações no âmbito do exercício do mandato.
Além da indenização, que será acrescida de juros e correção monetária, o deputado deverá publicar uma retratação em sua conta no Instagram por, no mínimo, 15 dias. O descumprimento poderá gerar multa diária de R$ 1 mil.
A decisão, proferida em segunda instância, ainda pode ser alvo de recursos. Caso seja mantida até o trânsito em julgado, o caso poderá ter desdobramentos na esfera eleitoral, com eventual análise à luz da Lei da Ficha Limpa, dependendo do entendimento sobre eventual incitação ao ódio e suas implicações jurídicas.
Fonte Folhamax
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