Saúde
Secretário de Saúde explica como funciona a cirurgia bariátrica pelo SUS em Sinop

Érico Estevam detalha etapas do processo, que começa na UBS e segue portarias do Ministério da Saúde para procedimentos de alta complexidade no SUS.
por Daniel Trindade
O acesso à cirurgia bariátrica pelo Sistema Único de Saúde (SUS) em Sinop segue um fluxo técnico que começa na atenção básica e passa por diversas avaliações médicas antes da autorização do procedimento. Por se tratar de uma cirurgia de alta complexidade, o processo é regulamentado por normas federais e exige acompanhamento de uma equipe multidisciplinar.
Segundo o secretário municipal de Saúde, Érico Estevam, o primeiro passo para quem busca o tratamento é procurar uma Unidade Básica de Saúde (UBS). No local, o paciente passa por avaliação com um médico clínico geral, que analisa o quadro clínico e verifica se há indicação para investigação da cirurgia.
Caso haja indicação médica, é gerada uma solicitação de consulta especializada que entra no sistema de regulação do SUS. A partir daí, o paciente aguarda o encaminhamento para atendimento com o cirurgião especialista em cirurgia bariátrica.
“O primeiro passo é o paciente procurar a UBS. Lá ele passa pelo clínico geral, que avalia a possibilidade da cirurgia e gera a solicitação. A partir daí o paciente entra na regulação para a consulta com o cirurgião”, explicou o secretário.
Em Sinop, após a regulação, os pacientes passam por avaliação com o cirurgião responsável pelo atendimento no município. Nessa etapa é feita uma análise clínica inicial para verificar se o paciente atende aos critérios para continuar no processo.
Nem todos os pacientes que chegam a essa etapa seguem diretamente para a cirurgia. De acordo com o secretário, muitos precisam tratar outras condições de saúde antes de avançar para as próximas fases do tratamento.
“Nem todo paciente que chega até o cirurgião está apto para fazer a cirurgia. Muitas vezes ele precisa tratar outras doenças antes, como problemas cardíacos ou metabólicos. Cada caso passa por uma avaliação médica criteriosa”, afirmou.
Quando o paciente atende aos critérios iniciais, ele passa a ser acompanhado por uma equipe multidisciplinar. O processo inclui consultas com endocrinologista, nutricionista, psicólogo e psiquiatra, além da realização de exames e avaliações clínicas necessárias para garantir segurança no procedimento.
Somente após a conclusão dessas etapas e com a confirmação de que o paciente está apto clinicamente é que ocorre o retorno ao cirurgião para a definição da possibilidade de realização da cirurgia.
A cirurgia bariátrica é considerada um procedimento de alta complexidade dentro do SUS, o que exige critérios rigorosos de avaliação e preparação. O tempo necessário até a cirurgia pode variar de acordo com as condições de saúde de cada paciente e com a necessidade de tratamento prévio de outras doenças.
“Existem pacientes que apresentam risco maior ou que precisam tratar outras doenças antes da cirurgia. Por isso cada paciente tem um processo diferente e um tempo próprio de preparo”, explicou o secretário.
Todo o processo segue diretrizes estabelecidas pelo Ministério da Saúde para o tratamento da obesidade na rede pública. A chamada Linha de Cuidado do Sobrepeso e Obesidade no SUS foi estruturada pela Portaria nº 424/2013 do Ministério da Saúde, que organiza a rede de assistência e estabelece critérios clínicos para indicação da cirurgia bariátrica.
Outra norma importante é a Portaria nº 425/2013 do Ministério da Saúde, que regulamenta a habilitação de hospitais e serviços especializados para a realização da cirurgia bariátrica no sistema público de saúde.
Essas portarias determinam que o procedimento deve ser realizado apenas em unidades hospitalares com estrutura adequada e com equipes especializadas capazes de acompanhar o paciente antes e depois da cirurgia.
Entre os critérios avaliados estão o índice de massa corporal (IMC), a presença de doenças associadas à obesidade como diabetes, hipertensão e apneia do sono além da avaliação psicológica e nutricional do paciente.
A Secretaria Municipal de Saúde de Sinop também reforçou que a ordem de realização das cirurgias não depende exclusivamente da data em que o paciente entrou na fila do SUS, mas principalmente da avaliação médica e da condição clínica de cada paciente.
Em nota oficial, a pasta destacou que o procedimento exige critérios rigorosos e avaliação individualizada.
“A cirurgia bariátrica é considerada um procedimento de alta complexidade, com critérios clínicos rigorosos e avaliação individualizada. Por esse motivo, o tempo de preparação pode variar de acordo com as condições de saúde de cada paciente”, informou a Secretaria Municipal de Saúde.
A nota também ressalta que a prioridade pode ser definida conforme a gravidade do quadro clínico.
“Também é importante destacar que a ordem de realização das cirurgias não depende exclusivamente da data de entrada no processo, mas principalmente da avaliação médica e da condição clínica de cada paciente, priorizando casos com maior risco ou pacientes que já estejam aptos para o procedimento”, diz trecho da nota.
A Secretaria Municipal de Saúde informou ainda que todo o processo segue critérios técnicos estabelecidos pelo SUS e que os pacientes interessados devem procurar a Unidade Básica de Saúde de referência para iniciar o atendimento.
Leia a nota na íntegra:
NOTA OFICIAL
Secretaria Municipal de Saúde de Sinop
A Secretaria Municipal de Saúde de Sinop informa que o acesso à cirurgia bariátrica pelo Sistema Único de Saúde (SUS) segue um fluxo técnico e multidisciplinar, conforme os protocolos da rede pública de saúde para procedimentos de alta complexidade.
O primeiro passo para o paciente interessado é procurar a Unidade Básica de Saúde (UBS) de referência. Nesse atendimento inicial, o paciente passa por avaliação com médico clínico geral, que verifica a indicação para investigação e possível encaminhamento ao tratamento.
Havendo indicação médica, é gerada uma solicitação de consulta especializada, que entra no sistema de regulação, responsável por organizar o encaminhamento para atendimento com cirurgião especialista em bariátrica.
Em Sinop, os pacientes regulados passam inicialmente por avaliação com o cirurgião responsável pelo atendimento no município. Nessa etapa, é realizada a análise clínica inicial e verificada a elegibilidade para continuidade do processo.
Os pacientes que atendem aos critérios seguem para um acompanhamento multidisciplinar, que inclui avaliações com profissionais como endocrinologista, nutricionista, psicólogo e psiquiatra, além de outros exames e avaliações necessárias.
Somente após a conclusão de todas as etapas e com a confirmação da aptidão clínica do paciente é que ocorre o retorno ao cirurgião para a definição da possibilidade de realização da cirurgia.
A Secretaria reforça que a cirurgia bariátrica é considerada um procedimento de alta complexidade, com critérios clínicos rigorosos e avaliação individualizada. Por esse motivo, o tempo de preparação pode variar de acordo com as condições de saúde de cada paciente.
Também é importante destacar que a ordem de realização das cirurgias não depende exclusivamente da data de entrada no processo, mas principalmente da avaliação médica e da condição clínica de cada paciente, priorizando casos com maior risco ou pacientes que já estejam aptos para o procedimento.
A Secretaria Municipal de Saúde permanece à disposição para orientar a população e reforça que todo o processo segue critérios técnicos estabelecidos pelo SUS, com foco na segurança e no cuidado integral ao paciente.
Secretaria Municipal de Saúde
Prefeitura de Sinop
Saúde
Mais de 7,6 mil bebês nasceram de mães adolescentes em Mato Grosso em 2025

Mais de 7,6 mil bebês nasceram de mães adolescentes em Mato Grosso no ano passado, segundo dados do Painel de Monitoramento de Nascidos Vivos, do Ministério da Saúde. O levantamento registra 7.310 partos de jovens entre 15 e 19 anos e outros 324 de meninas com menos de 14 anos, uma média de aproximadamente 20 nascimentos por dia.
Além de evidenciar uma realidade marcada pela gravidez precoce, os números também chamam atenção para casos que podem estar relacionados ao estupro de vulnerável, especialmente entre as menores de 14 anos, e para os impactos sociais enfrentados por essas adolescentes.
No cotidiano da assistência social, a gravidez na adolescência costuma representar uma ruptura nos projetos de vida. Segundo a psicóloga do Centro de Referência de Assistência Social (Cras) do bairro Pedregal, Emanuele Costa, muitas jovens passam a enxergar a maternidade como único caminho possível.
“É como se a vida dela se resumisse à maternidade, e é isso que vai determinar todo o resto da vida dela”, afirma.
A profissional explica que parte das adolescentes procura atendimento espontaneamente, enquanto outras são encaminhadas pelas unidades de saúde. No Cras, elas recebem acolhimento, orientação e acompanhamento para acesso aos benefícios socioassistenciais.
Entre os principais desafios está a evasão escolar. A gravidez, as limitações impostas pela gestação, o período do puerpério e a dificuldade de conciliar os cuidados com o bebê fazem com que muitas interrompam os estudos.
“Nós analisamos se houve ou não a evasão escolar, para ver a possibilidade de essa jovem voltar para a escola. Isso é uma grande questão na gravidez na adolescência, pois muitas deixam de ir ou têm muita dificuldade para voltar. Elas precisam de uma rede de apoio consolidada para conseguir, neste momento, voltar à escola e não ficarem desamparadas em relação aos cuidados com o filho”, destaca.
De acordo com Emanuele, outro aspecto recorrente é a ausência de planejamento para o futuro. Diferentemente de outros adolescentes, que costumam projetar objetivos como concluir os estudos, ingressar na universidade e conquistar independência financeira, muitas jovens grávidas acabam limitando suas expectativas à maternidade.
“Muitas vezes, se ouve na adolescência: ‘eu quero estudar, me formar, passar no Enem e depois comprar uma casa’. Com elas, não. É como se agora a vida dela fosse só isso. Eu vou ser mãe e pronto, não tem planejamento para a vida futura”, relata.
A psicóloga também observa que, na maioria dos atendimentos, os pais das crianças estão ausentes. O suporte costuma vir das mães ou avós das adolescentes, que assumem papel fundamental na construção da rede de apoio.
“Pela nossa vivência, o amparo vem desse lado materno da própria mãe trazer a filha, conversar e tentar restabelecer esse vínculo que, muitas vezes, chega fragilizado. Nisso entra o papel da assistência social e do serviço de fortalecimento de vínculos. É para garantir que a rede de apoio seja mantida, porque essa é uma das principais bases para que a jovem consiga ter uma vida menos vulnerável e fique menos exposta a situações de risco”, conclui.
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