Pesquisar
Feche esta caixa de pesquisa.

Saúde

Como o Twitter ajudou vítima de abuso sexual a enfrentar exame ginecológico

A mensagem foi publicada no dia 5 de agosto por Anneli Roberts, do País de Gales, no Reino Unido.

Com mais de 55 mil curtidas, 3 mil comentários e 1 mil retuítes, ela logo descobriu que o pedido por um abraço coletivo deu início a algo muito maior: uma grande conversa global, repleta de conselhos, apoio e confissões sobre o exame ginecológico usado na prevenção do câncer de colo de útero.

Anneli diz que ficou chocada com a quantidade de pessoas que entraram em contato com ela e a repercussão do tuíte, publicado três dias antes da consulta.

Pessoas opinaram de diferentes lugares do mundo sobre por que algumas mulheres evitam o papanicolau ou como fazer para reduzir a ansiedade e preocupação com o procedimento.

“Eu costumo conversar muito no Twitter. Dou apoio a campanhas por saúde mental e o retorno na plataforma realmente ajuda”, diz Anneli.

“Tuitei sobre a consulta porque queria prestar contas com meus seguidores. Tinha agendado uma outra vez, mas cancelei”, conta ela.

Anneli diz que ficou surpresa com a reação, uma vez que as pessoas estão sempre com medo de falar sobre o tema. “Você pensa: sou a única que está tendo dificuldade?”.

Ela conta que recebeu muitos conselhos bons que acabou adotando. “Muitas mulheres me disseram para falar com a enfermeira e eu não imaginei como isso ia ser importante e útil antes de ter tuitado”.

Anneli escreveu um post mais detalhado num blog sobre a experiência na consulta, contando que vestiu uma saia, acatando o conselho dado por várias pessoas, de que isso a ajudaria a encarar o procedimento. Ela também contou à enfermeira o seu histórico de vítima de abuso sexual íntimo.

No Reino Unido, normalmente são enfermeiras e não médicos quem fazem o exame de papanicolau, no qual é introduzido um pequeno instrumento – chamado espéculo – na vagina, para manter o canal vaginal aberto e permitir a observação do colo do útero. Em seguida são coletadas amostras de células da parede vaginal e do colo do útero – para análise em laboratório.

Leia Também:  CONFIRA O BOLETIM EPIDEMIOLÓGICO DIAMANTINO (15/03/2021)

Anneli conta que recebeu mensagens de profissionais da área de saúde. Médicos lhe disseram que jamais pensaram que mulheres poderiam estar evitando fazer o exame de papanicolau – não porque se sentiam constrangidas, mas porque havia muitas outras razões para impedi-las de querer serem examinadas.

Alguns homens e mulheres responderam ao tuíte de Anneli revelando as próprias histórias de abuso sexual e como pensaram duas vezes antes de se submeter a certos exames e procedimentos.

Homens escreveram sobre os desafios de fazer o exame de toque retal, também conhecido como exame de próstata, e algumas mulheres admitiram que não sabiam o que esperar do primeiro exame de papanicolau que estavam prestes a fazer.

Heather Sales, de 44 anos, é uma das que respondeu ao tuíte original de Anneli. Ela aconselhou a pedir que a enfermeira usasse um espéculo menor, o que faria o exame parecer menos intrusivo.

À BBC, Heather disse que ela também teve problemas em fazer exames de papanicolau e que ficava ansiosa por motivos parecidos. “Isso foi anos antes de uma enfermeira me perguntar se eu preferia um espéculo menor”, conta.

Heather diz que antes disso acontecer, ela nem sabia que podia escolher o tamanho do espéculo. Achou que não ofereciam a alternativa porque seria mais difícil coletar o material com espéculos menores. “Elas são, com certeza, menos assustadoras que os espéculos grandes. Acho que deveriam ser uma opção para mulheres que claramente estão ansiosas”.

Outra usuária do Twitter compartilhou a própria experiência dizendo que sempre achou que os exames de papanicolau eram muito desconfortáveis. “Na hora do exame, digo firmemente ‘acho esse procedimento difícil e às vezes fico com os músculos tensos. Por favor, pare quando eu lhe pedir e só reinicie quando eu disser (que pode)'”.

Leia Também:  ALMT aprova projeto de deputado morto por Covid que determina obrigatoriedade na divulgação de lista de vacinados

“Eles são geralmente muito, muito legais e conversam sobre o tempo, feriados ou algo que me distraia.”

“Eu queria oferecer apoio fraterno à jovem corajosa e dar a ela palavras que às vezes você não tem quando está estressado. Eu tive boas e más experiências de teste de papanicolau, e tudo isso depende muito da forma que as pessoas fazem o exame”.

Essa usuária contou que, uma vez, uma enfermeira disse “vou ter que fazer isso” na hora em que os músculos da vagina estavam tensos, provocando dor ao forçar o espéculo. “Me senti violada e com dor. Agora sou muito clara em falar (como quero que o exame seja feito)”.

Anneli disse que, embora não tenha sido capaz de responder a todos, era animador ver estranhos conversando sobre o assunto. “Toda vez que eu senti que não era capaz de ir em frente, olhei para as respostas e isso me fez sentir mais forte”, disse ela.

Em seu blog pessoal, Anneli acrescentou que se sentiu aliviada depois de tudo, mas que pessoas que sofreram agressão sexual podem ter um longo caminho pela frente antes de se sentir preparadas para um exame tão íntimo.

Ela disse: “O procedimento não foi doloroso ou realmente desconfortável. A enfermeira era simpática e incrivelmente compreensiva. Não demorou muito e, sim, estou feliz por ter ido”.

“Mas dizer essas coisas e esperar que outras vítimas de agressão sexual, abuso e estupro se convençam de que não há razões para se preocupar seria fazer um desserviço a essas mulheres.”

BBC

Propaganda
Clique para comentar

Você precisa estar logado para postar um comentário Login

Deixe uma resposta

Saúde

Mais de 7,6 mil bebês nasceram de mães adolescentes em Mato Grosso em 2025

Mais de 7,6 mil bebês nasceram de mães adolescentes em Mato Grosso no ano passado, segundo dados do Painel de Monitoramento de Nascidos Vivos, do Ministério da Saúde. O levantamento registra 7.310 partos de jovens entre 15 e 19 anos e outros 324 de meninas com menos de 14 anos, uma média de aproximadamente 20 nascimentos por dia.

Além de evidenciar uma realidade marcada pela gravidez precoce, os números também chamam atenção para casos que podem estar relacionados ao estupro de vulnerável, especialmente entre as menores de 14 anos, e para os impactos sociais enfrentados por essas adolescentes.

No cotidiano da assistência social, a gravidez na adolescência costuma representar uma ruptura nos projetos de vida. Segundo a psicóloga do Centro de Referência de Assistência Social (Cras) do bairro Pedregal, Emanuele Costa, muitas jovens passam a enxergar a maternidade como único caminho possível.

“É como se a vida dela se resumisse à maternidade, e é isso que vai determinar todo o resto da vida dela”, afirma.

Leia Também:  ALMT aprova projeto de deputado morto por Covid que determina obrigatoriedade na divulgação de lista de vacinados

A profissional explica que parte das adolescentes procura atendimento espontaneamente, enquanto outras são encaminhadas pelas unidades de saúde. No Cras, elas recebem acolhimento, orientação e acompanhamento para acesso aos benefícios socioassistenciais.

Entre os principais desafios está a evasão escolar. A gravidez, as limitações impostas pela gestação, o período do puerpério e a dificuldade de conciliar os cuidados com o bebê fazem com que muitas interrompam os estudos.

“Nós analisamos se houve ou não a evasão escolar, para ver a possibilidade de essa jovem voltar para a escola. Isso é uma grande questão na gravidez na adolescência, pois muitas deixam de ir ou têm muita dificuldade para voltar. Elas precisam de uma rede de apoio consolidada para conseguir, neste momento, voltar à escola e não ficarem desamparadas em relação aos cuidados com o filho”, destaca.

De acordo com Emanuele, outro aspecto recorrente é a ausência de planejamento para o futuro. Diferentemente de outros adolescentes, que costumam projetar objetivos como concluir os estudos, ingressar na universidade e conquistar independência financeira, muitas jovens grávidas acabam limitando suas expectativas à maternidade.

Leia Também:  Como aliviar a cólica menstrual

“Muitas vezes, se ouve na adolescência: ‘eu quero estudar, me formar, passar no Enem e depois comprar uma casa’. Com elas, não. É como se agora a vida dela fosse só isso. Eu vou ser mãe e pronto, não tem planejamento para a vida futura”, relata.

A psicóloga também observa que, na maioria dos atendimentos, os pais das crianças estão ausentes. O suporte costuma vir das mães ou avós das adolescentes, que assumem papel fundamental na construção da rede de apoio.

“Pela nossa vivência, o amparo vem desse lado materno da própria mãe trazer a filha, conversar e tentar restabelecer esse vínculo que, muitas vezes, chega fragilizado. Nisso entra o papel da assistência social e do serviço de fortalecimento de vínculos. É para garantir que a rede de apoio seja mantida, porque essa é uma das principais bases para que a jovem consiga ter uma vida menos vulnerável e fique menos exposta a situações de risco”, conclui.

Continue lendo

polícia

política

Cidades

ESPORTES

Saúde

É Direito

MAIS LIDAS DA SEMANA