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Saúde

Doar sangue e salvar vidas: um gesto simples que transforma o mundo

Doar sangue para salvar vidas. Poucos gestos são tão simples e, ao mesmo tempo, tão poderosos quanto esse.

Em menos de uma hora, uma única doação pode beneficiar até quatro pessoas. Não é preciso ser herói nem ter habilidade especial. Basta ter saúde, disposição e sensibilidade para ajudar o próximo.

O sangue não possui substituto artificial. Nenhuma fábrica o produz. Nenhum laboratório consegue reproduzi-lo. Ele existe apenas em cada um de nós e só chega a quem precisa por meio da solidariedade humana. Cada doação é a demonstração concreta de que uma vida importa.

Pense na criança que necessita de transfusão durante uma cirurgia. Na mulher que enfrenta complicações após o parto. Na vítima de acidente que chega ao Pronto-Socorro em estado grave. No paciente em tratamento contra o câncer. Para cada um deles, uma bolsa de sangue pode representar a diferença entre a vida e a morte. Essa é a realidade diária dos hospitais brasileiros, inclusive aqui em Mato Grosso.

Neste 14 de junho, o mundo celebra o Dia Mundial do Doador de Sangue. Em 2026, a campanha da Organização Mundial da Saúde, no âmbito do ‘Junho Vermelho’, traz o tema “Doe sangue, dê esperança: juntos salvamos vidas”. Uma convocação que precisa ir além das datas e se tornar uma atitude permanente.

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Tenho levado esse compromisso a sério na prática. Por meio dos mutirões sociais do Gabinete da Assembleia Legislativa, levamos campanhas de doação de sangue diretamente às comunidades de Cuiabá, chegando a quem muitas vezes não consegue se deslocar até os pontos de coleta. A própria ALMT firmou parceria com o MT Hemocentro para receber o caminhão de coleta em frente ao plenário, mobilizando servidores e a população. O Parlamento tem o dever de dar o exemplo.

A doação é uma das mais nobres expressões de solidariedade. Quem doa não conhece a pessoa beneficiada. Não há recompensa financeira nem interesse pessoal. Há apenas a decisão de estender a mão a alguém em extrema necessidade.

O sangue coletado é separado em hemácias, plasma e plaquetas, atendendo pacientes com necessidades distintas. Uma única doação tem potencial para ajudar várias pessoas.

Os hemocentros dependem de doações regulares. O sangue possui prazo de validade limitado, e a reposição constante é uma necessidade. Ser um doador regular é assumir um compromisso com a vida, com a comunidade e com quem você ama.

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Qualquer pessoa saudável, entre 16 e 69 anos, e com mais de 50 quilos pode doar. O procedimento é seguro, rápido e praticamente indolor. O organismo repõe naturalmente o volume doado em pouco tempo.

Você dedica alguns minutos do seu dia. Em troca, oferece a alguém a oportunidade de continuar vivendo.

Convido cada mato-grossense a procurar o hemocentro mais próximo, fazer sua doação e incentivar familiares e amigos. Salvar vidas não depende de grandes recursos. Depende apenas da disposição de compartilhar o que carregamos dentro de nós.

Seja doador de sangue. Sua atitude pode ser a esperança que alguém espera para continuar vivendo.

*Max Russi é deputado estadual e presidente da Assembleia Legislativa de Mato Grosso.

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Saúde

Crianças enfrentam espera ainda mais difícil por transplantes; desafio também atinge famílias de Mato Grosso

Brasil realizou 586 transplantes pediátricos em 2025, mas 50 crianças morreram antes de receber um órgão; em Mato Grosso, limitações na oferta de transplantes obrigam parte dos pacientes a buscar tratamento fora do Estado

Enquanto milhares de brasileiros aguardam por um transplante, a situação das crianças expõe uma das faces mais delicadas do Sistema Nacional de Transplantes. Para os pacientes pediátricos, não basta existir um órgão disponível: é necessário que ele seja compatível não apenas do ponto de vista sanguíneo e imunológico, mas muitas vezes também em relação ao tamanho do receptor.

Em 2025, o Brasil realizou 586 transplantes pediátricos de órgãos sólidos, número superior aos 555 registrados em 2024. Apesar do avanço, 50 crianças morreram enquanto aguardavam um órgão, segundo o Registro Brasileiro de Transplantes, da Associação Brasileira de Transplante de Órgãos (ABTO). O próprio relatório considera que os números permanecem abaixo da capacidade necessária para atender plenamente à demanda.

O drama nacional também alcança famílias de Mato Grosso. Embora o Estado tenha ampliado a estrutura de captação de órgãos e retomado transplantes renais, nem todas as modalidades de transplante estão disponíveis dentro do território mato-grossense. Nesses casos, pacientes com indicação são encaminhados por meio do Tratamento Fora do Domicílio (TFD) para centros transplantadores de outros estados.

Isso significa que, para algumas crianças, a espera por um órgão pode vir acompanhada de outro desafio: permanecer longe de casa e da rede familiar enquanto aguarda avaliação, inclusão na lista e eventual transplante.

Para uma criança, encontrar um órgão pode ser ainda mais difícil

O sistema brasileiro de transplantes leva em consideração critérios técnicos como compatibilidade sanguínea, gravidade, urgência e características do doador e receptor.

A legislação nacional estabelece inclusive que órgãos provenientes de doadores com até 18 anos devem ser ofertados prioritariamente a candidatos também com até 18 anos, respeitados os demais critérios de alocação.

Mesmo com essa prioridade, a disponibilidade é limitada.

No caso de uma criança pequena, determinados órgãos precisam apresentar dimensões adequadas ao corpo do receptor. Isso reduz o universo de potenciais doadores e transforma cada nova doação pediátrica em uma oportunidade especialmente importante.

Em 2025, o Brasil registrou queda no número de doadores pediátricos em comparação com anos anteriores, cenário apontado pela ABTO como um dos fatores que ainda limitam a evolução dos transplantes nessa faixa etária.

Para uma família, cada dia de espera significa conviver com a possibilidade de agravamento da doença antes que apareça um órgão compatível.

Mato Grosso ampliou captações

Apesar das limitações na realização de determinados tipos de transplantes, Mato Grosso vem ampliando sua capacidade de identificar doadores e realizar captações.

Em 2025, foram realizadas 17 captações de múltiplos órgãos no Estado, superando as 13 registradas em 2024. Em uma das últimas operações daquele ano, realizada no Hospital Regional de Sinop, foram retirados dois rins e um fígado para beneficiar três pacientes.

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Até novembro de 2025, as primeiras 15 captações daquele ano já haviam resultado em 33 órgãos sólidos: 22 rins, dez fígados e um coração, além de centenas de córneas captadas.

A estrutura também alcança o interior. Atualmente, dezenas de hospitais de Mato Grosso estão habilitados para participar do processo de captação, incluindo unidades em cidades como Cuiabá, Várzea Grande, Sinop, Sorriso, Lucas do Rio Verde e Nova Mutum.

Em maio deste ano, por exemplo, o Hospital Regional Hilda Strenger Ribeiro, em Nova Mutum, foi palco da sexta captação de múltiplos órgãos de 2026 no Estado. Foram retirados dois rins e duas córneas, com potencial de beneficiar quatro pacientes.

Cada operação como essa depende de uma complexa mobilização entre médicos, equipes hospitalares, Central Estadual de Transplantes, logística e o Sistema Nacional de Transplantes.

Mas, acima de tudo, depende de uma decisão familiar.

Recusa das famílias ainda é um dos maiores obstáculos

No Brasil, a retirada de órgãos de uma pessoa falecida depende da autorização da família.

Por isso, não basta uma pessoa afirmar em vida que deseja ser doadora. Na prática, os familiares precisam confirmar essa decisão no momento da morte.

A Central Estadual de Transplantes de Mato Grosso reforça justamente a necessidade de conversar sobre o assunto antes que uma família seja colocada diante dessa escolha em meio ao luto.

Especialistas da SES-MT alertam que muitos parentes desconhecem a vontade do familiar falecido. Por essa razão, comunicar claramente o desejo de doar pode tornar a decisão mais segura quando o momento chegar.

Em nível nacional, a recusa familiar permanece próxima de metade das entrevistas realizadas em alguns levantamentos, tornando-se um dos principais obstáculos para que potenciais doadores sejam efetivamente convertidos em doações.

No caso pediátrico, cada negativa pode ter impacto ainda maior, já que o número de órgãos de tamanho adequado para crianças é naturalmente mais restrito.

Quando o transplante não existe em Mato Grosso

Mato Grosso consegue realizar transplantes de córnea e retomou a realização de transplantes renais pelo SUS. Entretanto, procedimentos de outras modalidades ainda podem exigir encaminhamento para centros especializados fora do Estado.

A própria Secretaria Estadual de Saúde informa que, quando o transplante necessário não é realizado em Mato Grosso, o paciente pode ser encaminhado pelo Tratamento Fora do Domicílio, após avaliação médica especializada.

Para adultos essa mudança já representa dificuldades. Para crianças, pode significar reorganizar praticamente toda a vida familiar.

Pais precisam eventualmente se afastar do trabalho, irmãos podem permanecer em outra cidade e a família precisa lidar simultaneamente com deslocamentos, tratamento médico e a incerteza sobre quando um órgão ficará disponível.

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Uma espera que não obedece apenas à ordem de chegada

A chamada “fila de transplantes” também é diferente de uma fila convencional.

A posição de um paciente não depende exclusivamente de quem foi inscrito primeiro.

O Sistema Nacional de Transplantes considera critérios como compatibilidade, gravidade, urgência e características clínicas do receptor e do órgão disponibilizado.

Por isso, quando aparece um órgão, o receptor selecionado é aquele que atende aos critérios técnicos estabelecidos para aquela doação.

No caso das crianças, essa combinação pode ser ainda mais complexa.

Avanços em Mato Grosso, mas desafio permanece

Mato Grosso apresentou avanços recentes importantes no sistema de transplantes.

Além do aumento das captações e da retomada do transplante renal, o Estado conseguiu, em setembro de 2025, zerar momentaneamente a fila de pessoas que aguardavam transplante de córnea. Em janeiro de 2026, a lista havia voltado a registrar 29 pacientes, mostrando como a demanda é contínua.

O Estado também investe em treinamento das equipes hospitalares responsáveis pela identificação de potenciais doadores e pela abordagem das famílias. Em 2025, profissionais de Mato Grosso participaram de capacitações específicas sobre comunicação em situações críticas, justamente porque a entrevista familiar é uma das etapas decisivas para a concretização da doação.

Setembro Verde coloca o assunto dentro das famílias

Durante o Setembro Verde, campanha nacional de incentivo à doação de órgãos, autoridades e instituições de saúde reforçam uma mensagem simples: conversar sobre doação antes que seja necessário decidir pode salvar vidas.

Um único doador pode beneficiar várias pessoas, dependendo dos órgãos e tecidos que estejam em condições de serem aproveitados.

No caso de uma criança à espera de transplante, essa decisão representa muito mais do que um procedimento médico.

Pode significar deixar uma UTI, voltar para casa, frequentar a escola, brincar e ter a possibilidade de crescer.

Os números mostram que o Brasil possui um dos maiores sistemas públicos de transplantes do mundo e que o SUS financia a ampla maioria dessas operações.

Mas os dados também revelam que ainda existem crianças que não conseguem esperar.

As 50 mortes registradas na fila pediátrica em 2025 representam famílias para as quais o órgão compatível não chegou a tempo.

Em Mato Grosso, aumentar o número de doadores, fortalecer as captações, ampliar gradualmente as modalidades de transplante disponíveis dentro do Estado e garantir suporte às famílias que precisam buscar tratamento em outros centros continuam sendo desafios fundamentais.

Porque, para quem aguarda um transplante — principalmente quando o paciente é uma criança — a fila não representa simplesmente tempo de espera. Representa uma corrida contra o tempo.

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