Política
Viúvo de Amália chama fala de Ananias de “muito infeliz” e diz que pedido de desculpas “cairia bem”

Thiago Boava prefere acreditar que declaração foi resultado de falta de domínio das palavras; manifestação ocorreu após artigo da jornalista Marisa Batalha
Por Daniel Trindade
Thiago Boava, viúvo da deputada federal Amália Barros, classificou como “muito infeliz” a declaração feita pelo presidente estadual do PL em Mato Grosso, Ananias Filho, durante a convenção da legenda realizada na quarta-feira (22).
Ao comentar o episódio, Thiago afirmou que prefere acreditar que o dirigente partidário não teve a intenção de desrespeitar a memória de Amália, mas avaliou que uma retratação pública seria adequada diante da repercussão provocada pela fala.
“Eu entendo que o Ananias foi muito infeliz. Prefiro acreditar que foi falta de domínio das palavras, e isso ficou muito ruim”, declarou.
A manifestação foi encaminhada à jornalista Marisa Batalha, integrante do coletivo Mulheres MT Até Quando?, após a publicação do artigo “Quando uma palavra pública fere muito além da política”.
No texto, Marisa analisa a responsabilidade de agentes políticos ao tratarem publicamente de temas sensíveis, especialmente quando suas declarações envolvem a morte de uma pessoa e a trajetória de uma mulher que ocupou espaço de destaque na política.
Durante a convenção estadual do PL, Ananias relembrava o desempenho eleitoral da legenda e falava sobre a composição da bancada federal do partido quando afirmou que “Deus deu uma mão” e “levou uns para cima”.
A declaração foi feita ao mencionar a mudança ocorrida na bancada após a morte de Amália Barros, em maio de 2024, aos 39 anos. Com o falecimento da parlamentar, o primeiro suplente do PL, Nelson Barbudo, assumiu definitivamente a cadeira na Câmara dos Deputados.
No áudio enviado a Marisa, Thiago afirmou que a política é um ambiente frio e que episódios como esse acabam provocando desconforto.
“Política é muito fria. Situações como essa deixam as coisas um pouco desconfortáveis”, afirmou.
Para o viúvo, ainda que a declaração tenha resultado de uma dificuldade de expressão, o presidente estadual do partido deveria considerar a possibilidade de reconhecer publicamente o erro.
“Com certeza, um pedido de desculpas cairia muito bem para ele”, disse.
Thiago ressaltou, porém, que não pretende exigir uma retratação de Ananias. Segundo ele, nem o próprio viúvo nem a mãe de Amália precisam de um pedido de desculpas para preservar a história e o legado construídos pela parlamentar.
“Para mim, eu não preciso desse pedido de desculpas. Acho que a mãe dela também não precisa. A história da Amália foi muito bonita, foi muito linda. Talvez poucos políticos no estado tenham conseguido, em tão pouco tempo, tamanha relevância na vida e no coração das pessoas”, declarou.
Thiago acrescentou que caberá ao próprio Ananias avaliar o impacto causado pela declaração e decidir se pretende se retratar.
“Eu concordo que um pedido de desculpas cairia bem para ele, mas não vou pedir isso. Prefiro ficar no meu silêncio em relação a isso. Ele que saiba o momento ideal”, afirmou.
Em outro trecho da mensagem, o viúvo avaliou que uma retratação poderia contribuir para que o presidente do PL reparasse a imagem deixada pelo episódio.
“Acho que, no lugar dele, eu já teria me retratado. Seria bom para ele, para as pessoas olharem para ele com outros olhos, porque elas estão olhando agora para uma pedra de gelo”, disse.
Thiago também agradeceu a Marisa Batalha pelo artigo, pela lembrança de Amália e por abordar as dificuldades enfrentadas pelas mulheres na busca por maior participação, visibilidade e permanência nos espaços de poder.
No artigo, Marisa argumenta que a discussão não deve se concentrar na fé de Ananias nem transformar uma frase equivocada em uma condenação definitiva contra o dirigente.
Para a jornalista, o episódio evidencia a responsabilidade de lideranças políticas ao escolherem as palavras utilizadas para tratar de mortes, trajetórias pessoais e temas que ultrapassam a disputa partidária.
Marisa também observa que as mulheres ainda enfrentam barreiras históricas para ingressar e permanecer na política. Nesse contexto, declarações que possam ser interpretadas como banalização ou instrumentalização da morte de uma parlamentar ganham uma dimensão que vai além do ambiente interno de um partido.
O espaço permanece aberto para manifestação de Ananias Filho e do diretório estadual do PL sobre a repercussão da declaração.
Eleições
PL homologa chapas para deputado estadual e federal (veja os nomes)

O Partido Liberal (PL) definiu, nesta quarta-feira (22), durante convenção realizada em Cuiabá, os candidatos que disputarão as eleições de 2026 para deputado estadual e deputado federal em Mato Grosso. Na mesma convenção, a legenda confirmou o senador Wellington Fagundes como candidato ao Governo do Estado e o deputado federal José Medeiros como candidato ao Senado.
Ao todo, o partido homologou 25 candidaturas, sendo 17 para deputado estadual e oito para deputado federal. Entre os principais nomes homologados estão a primeira-dama de Cuiabá e vereadora Samantha Íris, o ex-deputado estadual Xuxu Dal Molin, o assessor do senador Wellington Fagundes, Zé Márcio Guedes, e o influenciador digital Xerife Otávio, que reúne cerca de 76 mil seguidores nas redes sociais.
Na disputa por uma vaga na Assembleia Legislativa destacam-se os deputados estaduais Gilberto Cattani e Faissal Calil, que tentarão a reeleição, além de Xuxu Dal Molin, que busca retornar ao Parlamento estadual.
Já para a Câmara dos Deputados, a sigla homologou oito candidaturas. Os deputados federais Coronel Fernanda, Coronel Assis e Rodrigo Zaeli disputarão a reeleição. A chapa também conta com o vereador por Cuiabá Rafael Ranalli, que tentará conquistar uma vaga em Brasília.
Durante a convenção, o presidente estadual do PL, Ananias Filho, informou que um pré-candidato à Câmara dos Deputados, que já estava com a candidatura encaminhada, pediu um prazo para reavaliar a decisão em razão de problemas pessoais.
Veja nome dos homologados à Assembleia Legislativa e Câmara Federal:
Deputado estadual
Abmael Borges (ex-prefeito de Vila Rica)
Alcino Barcelos (ex-prefeito de Pontes e Lacerda)
Alex Cardozo
Faissal Calil (deputado estadual)
Gilberto Cattani (deputado estadual)
Irmão Geremias (vice-prefeito de Juína)
Jerônimo Gonçalves (vereador em Cáceres)
Dra. Luciana Horta (vereadora em Rondonópolis)
Maurício Scobar (vereador em Tangará da Serra)
Professor Gilmar Miranda (suplente de deputado estadual)
Professora Mazé
Rafael Yonekubo
Samantha Íris (vereadora por Cuiabá)
Vitor Gabriel (vereador em Juína)
Xerife Otávio
Xuxu Dal Molin
Zé Márcio Guedes
Deputado federal
Coronel Assis (deputado federal)
Coronel Fernanda (deputada federal)
Giovane Mendes
Luísa Böer
Gislaine Yamashita (vereadora em Primavera do Leste)
Rafael Ranalli (vereador por Cuiabá)
Rodrigo Zaeli (deputado federal)
Thiago Boava
Fonte: Redação
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