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Economia

Nova Mutum é um dos município que mais recebeu repasse de ICMS em junho, mais de 13 milhões de reais

Município recebeu R$ 13,24 milhões e aparece entre os principais destinos dos repasses estaduais; distribuição leva em conta critérios econômicos e índices de participação

Nova Mutum voltou a se destacar entre os municípios de Mato Grosso que receberam os maiores repasses de ICMS em junho de 2026. De acordo com dados da Secretaria de Estado de Fazenda (Sefaz), divulgados no Diário Oficial do Estado, o município recebeu R$ 13.241.320,90 em transferências do imposto no período.

O valor coloca Nova Mutum entre os principais municípios do Estado em volume de recursos provenientes da arrecadação estadual. A cidade ficou próxima de outros importantes polos econômicos mato-grossenses, como Primavera do Leste, que recebeu R$ 14.743.288,70, e Lucas do Rio Verde, contemplado com R$ 13.072.140,78.

No ranking geral, Cuiabá liderou os repasses de ICMS em junho, com R$ 41.471.354,24. Em seguida aparecem Rondonópolis, com R$ 30.351.579,50; Sorriso, com R$ 20.859.024,78; Sinop, com R$ 18.665.951,55; e Várzea Grande, com R$ 14.969.750,98.

Ao todo, os municípios de Mato Grosso receberam R$ 560.161.943,87 em repasses referentes ao mês de junho. Conforme os registros da Sefaz, as transferências foram realizadas entre os dias 9 de junho e 7 de julho de 2026.

A portaria que oficializou os valores foi assinada pelo secretário de Estado de Fazenda, Fábio Fernandes Pimenta, e tornou públicos os recursos transferidos aos municípios referentes à arrecadação de ICMS, IPI, IPVA e Fundo Especial do Petróleo (FEP).

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ICMS movimentou mais de R$ 2,2 bilhões

Segundo os dados divulgados pelo Estado, a arrecadação bruta de ICMS em junho alcançou R$ 2,237 bilhões. Pela legislação, os municípios têm direito a 25% da arrecadação do imposto.

A cota-parte municipal correspondeu inicialmente a aproximadamente R$ 559,4 milhões. Após os ajustes realizados nos valores, o montante efetivamente arrecadado e destinado aos municípios chegou a R$ 560,2 milhões.

Os recursos são importantes para o orçamento municipal e podem ser utilizados pelas prefeituras no financiamento de serviços públicos e na manutenção de políticas e investimentos nas mais diversas áreas.

Nova Mutum entre os principais destinos

Com R$ 13,24 milhões, Nova Mutum aparece em posição de destaque na distribuição da receita estadual. O resultado acompanha a relevância econômica do município dentro do cenário mato-grossense.

A cidade integra uma região marcada pela forte atividade agropecuária e pela expansão de setores ligados à produção, ao comércio e aos serviços. Esse desempenho econômico contribui para a composição dos índices utilizados na distribuição da parcela do ICMS destinada aos municípios.

A distribuição, porém, não é feita exclusivamente com base no número de habitantes. Por isso, municípios com populações diferentes podem receber valores semelhantes ou até superiores, dependendo dos índices de participação estabelecidos pela legislação.

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Como funciona a distribuição

O chamado ICMS municipal é uma parcela da arrecadação estadual que retorna aos municípios. Embora 25% da receita do imposto pertença às prefeituras, a divisão desse montante entre as cidades segue critérios específicos.

Entre os fatores considerados estão índices de participação, atividade econômica, arrecadação, produção e outros parâmetros definidos pela legislação estadual.

É justamente por esse motivo que o tamanho da população não determina, sozinho, quanto cada município recebe.

O desempenho de Nova Mutum no repasse de junho reforça, portanto, o peso econômico do município dentro de Mato Grosso. Com mais de R$ 13 milhões recebidos apenas em ICMS no período, a cidade se mantém entre os principais municípios beneficiados pela distribuição da receita estadual.

Ranking dos maiores repasses de ICMS em junho
Cuiabá: R$ 41.471.354,24
Rondonópolis: R$ 30.351.579,50
Sorriso: R$ 20.859.024,78
Sinop: R$ 18.665.951,55
Várzea Grande: R$ 14.969.750,98
Primavera do Leste: R$ 14.743.288,70
Nova Mutum: R$ 13.241.320,90
Lucas do Rio Verde: R$ 13.072.140,78
Campo Novo do Parecis: R$ 11.404.527,47

Os números mostram a concentração de parte significativa dos repasses em municípios que exercem papel de destaque na economia estadual. No caso de Nova Mutum, o valor recebido evidencia a importância da atividade econômica local na composição dos índices que determinam a participação do município na arrecadação do ICMS.

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Economia

Cesta básica consome mais da metade do salário mínimo e pressiona poder de compra em Mato Grosso

Em Cuiabá, conjunto de alimentos chega a R$ 859,34 e custa 7,88% mais que há um ano; alta expõe perda do poder aquisitivo das famílias brasileiras

Colocar comida na mesa continua sendo um dos principais desafios do orçamento das famílias brasileiras. Em Mato Grosso, a situação chama ainda mais atenção: mesmo em um estado reconhecido nacionalmente como uma potência na produção agropecuária, a capital Cuiabá mantém um dos custos de alimentação básica mais elevados do país.

Na primeira semana de setembro, o custo médio da cesta básica cuiabana chegou a R$ 859,34, após alta de 2,17% em apenas uma semana, segundo levantamento do Instituto de Pesquisa e Análise da Fecomércio Mato Grosso (IPF-MT).

Na comparação com o mesmo período de 2025, quando a cesta custava R$ 796,58, o aumento chega a 7,88%.

O impacto sobre o poder aquisitivo é expressivo. Considerando o salário mínimo nacional de R$ 1.621 em 2026, o valor atual da cesta em Cuiabá equivale a aproximadamente 53% de todo o salário mínimo bruto de um trabalhador. Isso significa que, antes mesmo de pagar aluguel, energia elétrica, água, transporte, medicamentos, educação e outras despesas essenciais, mais da metade do piso nacional pode ser absorvida apenas pelos alimentos básicos.

Cuiabá entre as cestas mais caras do Brasil

O elevado custo da alimentação em Mato Grosso não é um fenômeno isolado desta primeira semana de setembro.

Na última comparação nacional disponível do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), referente a julho, Cuiabá aparecia com a segunda cesta básica mais cara entre as 27 capitais brasileiras.

Naquele mês, a cesta cuiabana custava R$ 881,27, ficando atrás apenas de São Paulo, onde o valor chegava a R$ 915,01. Florianópolis aparecia na terceira posição, com R$ 860,73, seguida pelo Rio de Janeiro, com R$ 855,37.

Quando calculada sobre o salário mínimo líquido, já descontada a contribuição previdenciária utilizada na metodologia do Dieese, a cesta de Cuiabá comprometia 58,77% da renda do trabalhador em julho.

Para conseguir comprar somente os alimentos considerados essenciais, eram necessárias aproximadamente 119 horas e 36 minutos de trabalho no mês.

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Os números ajudam a demonstrar uma realidade sentida diariamente nos supermercados: apesar dos reajustes nominais dos salários, o preço dos alimentos continua reduzindo a capacidade das famílias de direcionar renda para outras necessidades.

Tomate dispara quase 30% em uma semana

A elevação registrada no início de setembro foi puxada principalmente pelos produtos hortifrutigranjeiros.

O tomate subiu 29,19% em apenas uma semana, alcançando preço médio de R$ 9,01 o quilo. Segundo o IPF-MT, chuvas registradas em regiões produtoras prejudicaram a colheita e a qualidade dos frutos, reduzindo a oferta disponível.

A batata também apresentou forte aumento, de 10,04%, chegando ao preço médio de R$ 5,55 o quilo.

Neste caso, as condições climáticas também afetaram o cronograma das colheitas e contribuíram para diminuir a oferta no mercado.

O comportamento demonstra como produtos agrícolas podem sofrer fortes oscilações em períodos relativamente curtos. Alterações climáticas, disponibilidade da produção, transporte e qualidade das safras acabam chegando rapidamente ao consumidor.

Na direção oposta, o café apresentou redução de 3,55%, com preço médio de R$ 27,62 para o pacote de 500 gramas.

Produção forte não significa alimento barato

A situação provoca um paradoxo especialmente significativo em Mato Grosso.

O estado está entre os maiores produtores brasileiros de soja, milho, algodão e proteína animal e possui uma das cadeias agroindustriais mais importantes do país. Ainda assim, o consumidor mato-grossense enfrenta uma das cestas básicas mais caras entre as capitais.

Isso ocorre porque o preço pago no supermercado não depende exclusivamente da quantidade de alimentos produzida dentro do estado. Custos de transporte, armazenamento, industrialização, energia, mão de obra, embalagens, distribuição, margens comerciais, impostos e as próprias condições nacionais de oferta e demanda participam da formação do preço final.

Além disso, grande parte da produção agrícola de Mato Grosso está direcionada a commodities e cadeias específicas, o que significa que ser um dos maiores produtores agropecuários brasileiros não necessariamente garante preços menores para todos os produtos encontrados diariamente na mesa da população.

Brasileiro trabalha cada vez mais para manter a alimentação

O problema ultrapassa as fronteiras de Mato Grosso.

Segundo o Dieese, em julho de 2026 um trabalhador remunerado pelo salário mínimo comprometia, em média, 49,34% do salário líquido para adquirir a cesta básica nas 27 capitais pesquisadas. O tempo médio de trabalho necessário para comprar os produtos essenciais era de 100 horas e 24 minutos.

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O instituto também calcula mensalmente qual deveria ser o salário mínimo capaz de atender às necessidades previstas constitucionalmente para uma família de quatro pessoas, incluindo alimentação, moradia, saúde, educação, transporte, vestuário, higiene, lazer e previdência.

Em julho, enquanto o salário mínimo oficial era de R$ 1.621, o Dieese estimava que o chamado salário mínimo necessário deveria chegar a R$ 7.687,01, equivalente a 4,74 vezes o piso nacional.

A diferença entre os dois valores dimensiona o desafio do poder aquisitivo no Brasil.

Para as famílias de menor renda, qualquer aumento no supermercado possui impacto proporcionalmente maior porque alimentação, moradia e transporte representam despesas que dificilmente podem ser eliminadas do orçamento.

Inflação que aparece diretamente no prato

Outro fator preocupante é que a elevação da cesta básica ocorre justamente em produtos de consumo cotidiano.

Quando tomate, batata, carne, leite, arroz, café e outros itens essenciais sobem, existe pouca margem para substituição, principalmente entre famílias de renda mais baixa.

O consumidor acaba adotando estratégias como pesquisar preços em diferentes supermercados, trocar marcas, substituir determinados alimentos, reduzir quantidades ou abandonar produtos considerados menos essenciais.

Por isso, embora índices gerais de inflação sejam importantes para medir o comportamento da economia, é dentro do supermercado que grande parte da população percebe de maneira mais imediata se seu poder de compra aumentou ou diminuiu.

Em Mato Grosso, os números de setembro reforçam esse alerta: uma cesta de R$ 859,34 em um país com salário mínimo de R$ 1.621 mostra que o desafio econômico não está apenas em gerar renda, mas em garantir que ela seja suficiente para acompanhar o custo das necessidades mais básicas.

E quando mais da metade de um salário mínimo pode desaparecer apenas para garantir a alimentação essencial, sobra cada vez menos espaço no orçamento para todas as outras despesas indispensáveis à vida de uma família brasileira.

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