Mato Grosso
Fila Zero prevê 588 mil procedimentos em MT, enquanto programa federal adiciona mais 9,6 mil atendimentos em 2026

Estado prevê R$ 400 milhões para 588 mil procedimentos em 2026, enquanto Ministério da Saúde anuncia mais 9,6 mil atendimentos especializados em Cuiabá
Mato Grosso amplia a ofensiva para reduzir uma das principais dificuldades enfrentadas pelos usuários do Sistema Único de Saúde (SUS): a espera por consultas especializadas, exames e cirurgias eletivas.
De um lado, o Governo de Mato Grosso mantém o Programa Fila Zero na Cirurgia, que entrou em uma nova etapa em 2026 e prevê investimento de R$ 400 milhões para a realização de até 588 mil procedimentos eletivos. Do outro, o Governo Federal passou a reforçar a rede por meio do programa Agora Tem Especialistas, do Ministério da Saúde, que anunciou 9.636 novos procedimentos para pacientes do SUS em Mato Grosso.
As duas estratégias têm modelos diferentes, mas compartilham o mesmo objetivo: aumentar a capacidade de atendimento e reduzir o período em que pacientes permanecem aguardando por diagnóstico ou tratamento.
Fila Zero reduz tempo médio de espera em Mato Grosso
Criado pelo Governo de Mato Grosso para ampliar a oferta de cirurgias, consultas e exames eletivos, o Fila Zero apresentou redução significativa no tempo de espera segundo balanço divulgado pela Secretaria de Estado de Saúde (SES-MT).
Dados atualizados até 15 de junho de 2026 apontam que o tempo médio de espera por cirurgias eletivas caiu de 77 para 45 dias, uma redução de aproximadamente 41% desde a implantação da estratégia estadual em 2023.
A atual etapa, denominada pelo Governo como Fila Zero 3.0, prevê até 588 mil procedimentos em 2026, com investimento estimado em R$ 400 milhões.
O programa foi estruturado em três frentes.
Do total previsto, R$ 200 milhões são destinados a propostas apresentadas por municípios e consórcios intermunicipais de saúde; outros R$ 100 milhões estão reservados para o credenciamento direto de unidades privadas; e R$ 100 milhões serão utilizados em mutirões realizados pela própria rede estadual.
A estratégia permite que a demanda seja distribuída entre hospitais públicos, municípios, consórcios e prestadores privados, aumentando a capacidade de realização dos procedimentos.
Nova tabela busca atrair hospitais e clínicas
Uma das principais mudanças adotadas pelo Estado em 2026 foi a criação da Tabela SUS Mato Grosso, com valores próprios para remuneração de determinados procedimentos.
A medida procura enfrentar uma dificuldade histórica do SUS: em diversos procedimentos, os valores pagos pela tabela nacional são considerados insuficientes para cobrir integralmente os custos dos prestadores.
Com valores mais atrativos, o Governo estadual pretende ampliar o interesse de hospitais, clínicas e profissionais na prestação de serviços pelo SUS.
A nova tabela também aumentou de 466 para 556 o número de procedimentos contemplados pelo programa. Segundo a SES-MT, após a mudança houve crescimento superior a 300% na produção assistencial registrada pelo Fila Zero.
Entre os procedimentos atendidos pelo programa estão áreas como oftalmologia, ortopedia, ginecologia e urologia, além de consultas e exames complementares.
Governo Federal anuncia mais 9,6 mil procedimentos em Mato Grosso
Paralelamente ao programa estadual, o Ministério da Saúde anunciou uma nova etapa do Agora Tem Especialistas, programa federal criado para reduzir o tempo de espera por atendimento especializado no SUS.
Em Mato Grosso estão previstos 9.636 procedimentos, com investimento informado pelo Ministério da Saúde de R$ 1.572.900 nesta contratação específica.
Todos esses atendimentos serão realizados pela Associação Mato-Grossense de Combate ao Câncer, em Cuiabá, por meio do modelo denominado Ofertas de Cuidados Integrados (OCI).
O Hospital do Câncer de Mato Grosso já havia sido habilitado pelo Ministério da Saúde para participar do programa na modalidade de crédito financeiro. Na ocasião, o Governo Federal informou limite anual superior a R$ 11 milhões para a instituição oferecer consultas, exames e procedimentos aos usuários do SUS.
Hospitais particulares atendendo pacientes do SUS
Uma das características do Agora Tem Especialistas é justamente ampliar a utilização da estrutura privada e filantrópica.
Hospitais que aderem ao programa realizam consultas, exames e cirurgias para pacientes encaminhados pelo SUS e, em determinadas modalidades, recebem créditos financeiros que podem ser utilizados para compensação de tributos federais.
O Ministério da Saúde informa que já foram formalizados R$ 1 bilhão em créditos financeiros, envolvendo 259 instituições de 21 estados e previsão de mais de 600 mil procedimentos.
A lógica é utilizar parte da capacidade instalada existente fora da rede pública para reduzir gargalos do sistema.
Paciente poderá fazer consulta e exames no mesmo fluxo
Outra diferença do programa federal está na chamada Oferta de Cuidados Integrados.
Em vez de o paciente receber autorizações separadas para consulta, exame e retorno médico, determinados tratamentos são organizados em um conjunto de procedimentos relacionados à mesma especialidade.
Dos mais de 600 mil atendimentos anunciados nacionalmente pelo Ministério da Saúde, aproximadamente 458 mil estão previstos nesse modelo integrado. Outros 142 mil são procedimentos cirúrgicos de diferentes complexidades.
Entre as áreas com maior volume previsto estão oftalmologia, cardiologia, ortopedia e oncologia.
A proposta busca reduzir a chamada “peregrinação” do paciente pelo sistema, principalmente quando uma consulta especializada depende posteriormente de vários exames antes da definição do tratamento.
Mato Grosso também recebe novos médicos especialistas
O programa federal não está limitado à contratação de procedimentos.
Em agosto, o Ministério da Saúde informou que Mato Grosso contava com 13 médicos do Projeto Mais Médicos Especialistas em atividade e receberia outros 16 profissionais, destinados principalmente a Cuiabá e Rondonópolis.
Essa frente procura atuar em outro gargalo da saúde pública: a dificuldade de encontrar especialistas em determinadas regiões e especialidades.
Programas são diferentes, mas podem se complementar
Apesar do objetivo semelhante, Fila Zero e Agora Tem Especialistas não são o mesmo programa.
O Fila Zero é uma iniciativa do Governo de Mato Grosso, financiada principalmente com recursos estaduais e executada por meio da SES-MT, municípios, consórcios e instituições conveniadas.
Já o Agora Tem Especialistas é uma política do Governo Federal, coordenada pelo Ministério da Saúde e aplicada nacionalmente, utilizando diferentes mecanismos, incluindo credenciamento, hospitais filantrópicos e privados, unidades móveis, mutirões, telessaúde e créditos financeiros.
Na prática, porém, as duas iniciativas podem atuar simultaneamente sobre a mesma demanda reprimida existente no Estado.
Um paciente pode ser atendido por uma instituição vinculada ao programa estadual, enquanto outro procedimento pode ser financiado ou disponibilizado através da estratégia federal.
Desafio agora é transformar investimentos em atendimentos
Os valores e números anunciados demonstram uma ampliação expressiva de recursos destinados à redução das filas, mas o principal indicador continuará sendo o que acontece na ponta.
O desafio é transformar contratos, credenciamentos e orçamento em consultas realizadas, diagnósticos concluídos e cirurgias efetivamente feitas.
No caso do Fila Zero, a queda de 77 para 45 dias no tempo médio de espera indica avanço, mas também mostra que ainda existe uma fila considerável a ser enfrentada.
Já no programa federal, os 9.636 procedimentos anunciados para Mato Grosso representam um reforço adicional, especialmente na atenção especializada em Cuiabá.
Com a atuação simultânea das duas esferas de governo, Mato Grosso passa a contar com uma estrutura maior para enfrentar a demanda reprimida do SUS. O resultado, entretanto, dependerá da capacidade de regulação das filas, da distribuição regional dos atendimentos, da adesão dos prestadores e, principalmente, da velocidade com que os recursos anunciados chegarão efetivamente ao paciente que aguarda atendimento.
Cidades
Mato Grosso terá o reforço de mil militares do Exército durante as Eleições Gerais

Mais de mil militares do Exército Brasileiro vão atuar nas Eleições Gerais de 2026 em Mato Grosso. A presença de integrantes das forças federais visa reforçar a segurança e garantir a ordem pública durante o pleito no dia 4 de outubro, em primeiro turno, e no dia 25 de outubro, caso haja segundo turno. Nesta sexta-feira (4), autoridades do Comando Militar da 13ª Brigada de Infantaria Motorizada (13ª Bda Inf Mtz) fizeram uma visita de cortesia ao Tribunal Regional Eleitoral de Mato Grosso (TRE-MT). Os militares foram recebidos pelo diretor-geral da instituição, Mauro Sérgio Rodrigues Diogo.
O grupo foi liderado pelo general de Brigada Cláudio Gadelha Fernandes, comandante da 13ª Bda Inf Mtz, acompanhado do general de Divisão Marcelo Zanon Harnisch, chefe do Centro de Coordenação de Operações do Comando Militar do Oeste (CCOp CMO); do cel. (R1) Claudio Magdenier Sobrino, oficial de Inteligência do CCOp CMO; do cel. Felipe de Carvalho Abbud, oficial de Operações do CCOp CMO; do cel. Pablo Augusto de Almeida Barbosa, oficial de Inteligência da 13ª Bda Inf Mtz; e do major Rafael Silva Romani, oficial de Operações da 13ª Bda Inf Mtz.
A conversa abordou os preparativos para as eleições, treinamento de mesários e servidores, envio das urnas eletrônicas às 57 zonas eleitorais no Estado, videomonitoramento das eleições, fiscalização de crimes e ilícitos eleitorais. Os militares foram informados sobre o funcionamento do GuaIA, a plataforma digital integrada de Inteligência Artificial desenvolvida especificamente para o enfrentamento das deepfakes e para o monitoramento e a detecção de conteúdos falsos que levam à desinformação. O bate-papo também tratou da transmissão dos dados e da totalização dos votos.
“É essencial esse alinhamento com todas as forças policiais, principalmente com o Exército Brasileiro. Uma visita importante, pois estamos há 29 dias das eleições. Queremos tranquilizar a população e dizer que tudo que foi efetivamente planejado está sendo executado. Esse apoio é muito importante, principalmente nos locais de mais difícil acesso. Temos zonas eleitorais em aldeias indígenas, no Pantanal mato-grossense, comunidades quilombolas, enfim, são muitas regiões em Mato Grosso que demandam uma atenção maior”, afirmou o diretor-geral do TRE-MT, Mauro Diogo.
O comandante da 13ª Bda Inf Mtz afirmou que a Justiça Eleitoral em Mato Grosso é conhecida pela eficiência no planejamento e na execução das Eleições no Estado. O general Gadelha afirmou estar confiante em eleições tranquilas, dentro da normalidade, para que o eleitor e a eleitora possam exercer seu direito de escolha.
“Acreditamos que, a exemplo de outras ocasiões, as nossas eleições serão realizadas sob pleno controle, com tranquilidade, e o cidadão brasileiro exercendo o seu direito de votar, escolher o seu candidato. A 13ª Brigada é o Exército Brasileiro em Mato Grosso. Temos as nossas tropas distribuídas que irão atuar na segurança do pleito. Seja no primeiro ou no segundo turno, estamos com o efetivo aproximado de mil militares. Estamos mais uma vez cumprindo a nossa missão constitucional, que é participar da garantia da votação e da apuração”, destacou.
Também participaram da reunião os servidores do TRE, Bianca Giordani Carlot Morais e Andre Luiz Regis Emidio, assessores do Gabinete de Gestão Integrada (GGI) das Eleições Gerais 2026, além do agente da Polícia Judicial Elito da Silva Marques, da Seção de Segurança e Transportes da Justiça Eleitoral.
Forças Federais
A participação do Exército, da Marinha e da Aeronáutica foi aprovada pelo Pleno do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), em sessão administrativa realizada esta semana, em Brasília. Porém, no Estado, o Tribunal Regional Eleitoral de Mato Grosso (TRE-MT) solicitou apenas a atuação do Exército e da Marinha, que ocorrerá em 50 locais de votação, 43 somente do Exército, distribuídos em 23 Zonas Eleitorais.
Esses locais estão distribuídos em 30 municípios: Alto Boa Vista, Barão de Melgaço, Barra do Bugres, Barra do Garças, Brasnorte, Campinápolis, Campo Novo do Parecis, Comodoro; Confresa, Gaúcha do Norte, General Carneiro, Juara, Juína, Marcelândia, Nobres, Nova Nazaré, Nova Ubiratã, Paranatinga, Porto Alegre do Norte, Porto Esperidião, Poxoréu, Querência, Rondolândia, Rondonópolis, Santa Terezinha, Santo Antônio do Leverger, São Félix do Araguaia, São José do Xingu, Tangará da Serra e Vila Bela da Santíssima Trindade.
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