Polêmica
“Senado não pode ficar passivo”: Max Russi se revolta com crise envolvendo Moraes e Vorcaro e cobra impeachment

Presidente da Assembleia Legislativa de Mato Grosso afirma que ausência de resposta diante das revelações envolvendo ministro do STF pode “desmoralizar” o Senado e defende abertura formal de processo para apuração dos fatos
A crise que atingiu o Supremo Tribunal Federal após a divulgação de informações extraídas das investigações sobre o Banco Master provocou uma dura reação do presidente da Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT), deputado Max Russi (Podemos). Diante das novas revelações envolvendo o ex-banqueiro Daniel Vorcaro e o ministro Alexandre de Moraes, Russi afirmou que o Senado Federal não pode permanecer passivo e defendeu que os pedidos de impeachment contra o magistrado sejam analisados.
As declarações foram dadas nesta quarta-feira (2), justamente no momento em que Brasília enfrenta uma das mais delicadas crises institucionais recentes envolvendo a Suprema Corte.
“O Senado tem que agir. A gente não pode ficar passivo uma vida toda. Se não agir com o que está sendo exposto, e da forma que está sendo colocado, desmoraliza muito o Senado”, afirmou Max Russi.
A indignação do presidente da ALMT ocorre após a retirada do sigilo de relatório da Polícia Federal contendo dados obtidos a partir do celular de Daniel Vorcaro. O material revelou mensagens encaminhadas pelo ex-banqueiro a um contato identificado como sendo do ministro Alexandre de Moraes e levantou novos questionamentos sobre a relação mantida entre ambos.
As informações também trouxeram novamente ao centro das discussões o contrato firmado entre o Banco Master e o escritório de advocacia ligado à família do ministro, em valores milionários. Os elementos revelados pela investigação, contudo, ainda são objeto de apuração e, até o momento, não representam comprovação definitiva da prática de crime por Moraes.
Mesmo assim, a repercussão foi suficiente para abrir uma crise dentro do próprio Supremo.
O presidente do STF, ministro Edson Fachin, reconheceu publicamente a gravidade da situação e afirmou que os indícios exigem encaminhamento institucional. Fachin informou que está analisando os fatos e que anunciará as medidas que considerar cabíveis, defendendo que a autoridade de um ministro da Suprema Corte não o coloca acima de deveres, limites e responsabilidades.
Nos bastidores, o episódio também abriu divergências dentro do tribunal sobre a própria condução da investigação. A Procuradoria-Geral da República questionou juridicamente atos adotados na apuração, enquanto o STF deverá decidir os próximos passos envolvendo eventual investigação sobre um de seus próprios integrantes.
“Tem que abrir o processo”
Para Max Russi, porém, independentemente das disputas jurídicas internas do Supremo, o Senado possui uma responsabilidade constitucional que não pode ser ignorada.
Na avaliação do presidente da Assembleia, cabe aos senadores receber os pedidos existentes, analisar os fatos e decidir formalmente se existem ou não elementos suficientes para o prosseguimento de um processo de impeachment.
“Tem que tomar as providências de impeachment, abrir o processo, porque se não fizer nada enfraquece muito e descredibiliza”, declarou.
Russi demonstrou preocupação especialmente com o impacto que uma eventual omissão poderá provocar sobre a imagem das instituições brasileiras.
Na visão do parlamentar mato-grossense, quando denúncias envolvendo pessoas que ocupam posições de enorme poder institucional surgem e não recebem qualquer tipo de resposta formal, cria-se para a sociedade a percepção de que existem autoridades submetidas a regras diferentes das aplicadas ao restante da população.
“Vai banalizar tudo. Aí pode fazer tudo porque quem tem poder, quem tem força consegue e quem não tem se ferra”, disparou.
Crise ultrapassa os limites do STF
O caso ganhou ainda mais dimensão política depois que parlamentares passaram a pressionar o Senado por providências.
Pedidos de impeachment contra Alexandre de Moraes ganharam novo impulso depois da divulgação do relatório, enquanto outras entidades e representantes da sociedade civil também passaram a defender esclarecimentos mais profundos sobre os fatos.
Nesta quinta-feira (3), a crise continuou produzindo reflexos dentro do próprio Supremo. O tribunal ainda discute como tratar institucionalmente o material revelado e se os elementos deverão resultar em uma investigação formal.
Ao mesmo tempo, há questionamentos sobre os procedimentos adotados pelo ministro André Mendonça, relator dos inquéritos relacionados ao Banco Master, o que ampliou a tensão entre integrantes da Corte.
O caso coloca o STF diante de uma situação especialmente sensível: decidir como investigar informações que atingem diretamente um de seus próprios ministros sem comprometer as garantias legais, mas também sem transmitir à sociedade qualquer aparência de corporativismo.
Max cobra resposta das instituições
Para Max Russi, é justamente neste momento que o Senado precisa exercer sua função constitucional.
O presidente da Assembleia de Mato Grosso não antecipou julgamento sobre eventual responsabilidade criminal do ministro, mas deixou claro que considera inaceitável que as revelações simplesmente desapareçam da agenda institucional sem uma análise formal.
A defesa de Russi é pela abertura dos mecanismos legais existentes para que os fatos sejam apurados e, posteriormente, julgados pelas instâncias competentes.
Na prática, sua manifestação representa uma das mais contundentes cobranças feitas por uma autoridade política de Mato Grosso desde que o material envolvendo Vorcaro e Moraes se tornou público.
Mais do que uma crítica pessoal ao ministro do Supremo, Russi direcionou sua cobrança principalmente ao Senado Federal, instituição que possui competência constitucional para processar e julgar ministros do STF nos casos previstos em lei.
Para ele, a credibilidade do próprio Parlamento está em jogo.
Em meio a novas revelações, questionamentos jurídicos, pedidos de impeachment e divisões internas na Suprema Corte, o presidente da ALMT resumiu sua posição em uma cobrança direta: diante da gravidade do que está sendo revelado, as instituições precisam responder — e o Senado não pode simplesmente assistir aos acontecimentos.
Animais
Pitbulls podem ser proibidos no Brasil

Cães da raça pitbull podem ser proibidos de reproduzir Brasil. Apresentado na Câmara dos Deputados em 2024, o Projeto de Lei 1265/2024 prevê a proibição da comercialização, a reprodução e a importação de cachorros da raça “Pit Bull” em todo o território nacional.
Além das proibições diretas, o texto prevê “outras providências” e está indexado a temas como o manejo de animais potencialmente perigosos e a esterilização animal.
Caso o PL seja aprovado, estados e municípios terão o prazo de 90 dias após a virada, para registrar todos os animais da raça já existentes nos órgãos de saúde e zoonoses.
Perigo da raça pitbull
O texto ainda prevê regras de circulação com focinheira em locais públicos e a obrigatoriedade de castração dos animais existentes.
O projeto surge a partir da observação de casos envolvendo ataques de cães da raça, com registros de fugas de residências, ausência de equipamentos de segurança, ferimentos graves e até mortes.
Atualmente, a proposta de autoria do deputado Gilberto Nascimento (PSD/SP), está unida ao PL 2376/2003 e encontra-se na situação de “Pronta para Pauta no Plenário (PLEN). O projeto tramita em regime de prioridade e está sujeito à apreciação do Plenário.
Sobre a raça pitbull
Originária dos Estados Unidos no século XIX, a raça American Pit Bull Terrier surgiu a partir do cruzamento entre os antigos buldogues e terriers.
O animal é frequentemente associado a uma fama de agressividade devido ao mau uso histórico e à criação irresponsável. No entanto, o pitbull puro destaca-se por ser dócil, brincalhão e profundamente apegado à sua família humana.
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