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Política Nacional

Augusto Cury dispara nas pesquisas e começa a redesenhar disputa presidencial, Lula e Flávio seguem na liderança

 

Psiquiatra e escritor cresce oito pontos na Quaest, consolida terceiro lugar e já aparece com até 11% em outros levantamentos; avanço entre eleitores independentes e nas redes sociais começa a preocupar adversários

A corrida pela Presidência da República ganhou um novo componente na reta inicial da campanha eleitoral. O psiquiatra e escritor Augusto Cury (Avante) deixou de ocupar uma posição periférica nas pesquisas e passou a despontar como o principal nome fora da polarização entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL).

A mais recente pesquisa Quaest, divulgada nesta quarta-feira (2), mostra Lula com 37% das intenções de voto, Flávio Bolsonaro com 30% no cenário que inclui Pablo Marçal (PRTB), e Augusto Cury isolado na terceira colocação, com 10%.

Mais do que a posição no ranking, o que chama atenção é a velocidade do crescimento do candidato do Avante. Na pesquisa anterior da Quaest, divulgada em 14 de agosto, Cury aparecia com apenas 2%. Agora, alcançou 10%, uma alta numérica de oito pontos percentuais em poucas semanas.

O movimento também aparece em levantamentos realizados por outros institutos. No BTG/Nexus, Cury passou de 2% para 11%, enquanto no Atlas/Bloomberg avançou de 1,6% para 7,8% dentro das respectivas séries de pesquisas. Os levantamentos possuem metodologias diferentes e não devem ser comparados diretamente entre si, mas indicam, dentro de cada instituto, uma tendência semelhante de crescimento do candidato.

Cury ultrapassa adversários e ocupa espaço de terceira via

Com o avanço, Augusto Cury deixou para trás nomes que começaram a campanha tentando se apresentar como alternativas à polarização.

Na Quaest, Renan Santos (Missão) aparece com 3%, enquanto Ronaldo Caiado (PSD), Romeu Zema (Novo) e Pablo Marçal aparecem com 1% cada no cenário que inclui o candidato do PRTB.

No cenário sem Marçal, Lula mantém 37%, Flávio Bolsonaro registra 29% e Cury permanece com 10%.

O resultado começa a modificar a dinâmica da eleição. Até poucas semanas atrás, a disputa era vista essencialmente como uma repetição da divisão entre lulismo e bolsonarismo. Agora, Cury passa a ocupar, numericamente, um espaço próprio no eleitorado.

Ainda está distante dos dois primeiros colocados, mas já possui uma vantagem significativa sobre os demais candidatos.

Eleitor independente impulsiona crescimento

Um dos dados considerados mais importantes na análise da Quaest está na origem dos novos votos conquistados por Augusto Cury.

O crescimento aconteceu principalmente entre eleitores que não se identificam diretamente nem com a esquerda nem com a direita, grupo classificado como independente.

Esse eleitorado pode ser decisivo justamente porque representa uma parcela menos vinculada às estruturas partidárias tradicionais e, portanto, mais aberta à mudança de voto ao longo da campanha.

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A própria Quaest observa que a eleição continua estruturalmente marcada pela polarização entre Lula e o campo bolsonarista. Entretanto, candidaturas alternativas podem crescer justamente entre eleitores menos identificados com esses dois polos.

É nesse espaço que Augusto Cury parece ter encontrado terreno para avançar.

Redes sociais ajudam a explicar disparada

O crescimento nas pesquisas também coincide com uma forte expansão da presença digital do escritor.

Segundo dados do Índice de Popularidade Digital da Quaest, Cury passou de 32,9 pontos para 54,5 pontos entre meados e o final de agosto, deixando a sétima colocação para alcançar o quarto lugar entre os presidenciáveis monitorados.

O crescimento também é expressivo no Instagram. Em aproximadamente uma semana, o candidato conquistou perto de 2,5 milhões de novos seguidores.

Alguns vídeos de suas participações em debates passaram a circular massivamente. Um trecho de sua participação no debate da Band ultrapassou 21 milhões de visualizações, além de mais de 1,3 milhão de curtidas.

A repercussão extrapolou os próprios perfis do candidato, com vídeos e manifestações favoráveis compartilhados por influenciadores e personalidades de diferentes segmentos.

A combinação entre redes sociais, debates e entrevistas televisivas transformou Cury em um dos principais personagens das últimas semanas da campanha.

Sabatinas e televisão ampliam exposição

A nova rodada da Quaest foi realizada após uma sequência importante de eventos da campanha, incluindo o início da propaganda eleitoral gratuita no rádio e na televisão e as entrevistas dos candidatos no Jornal Nacional.

A pesquisa ouviu 2.004 eleitores entre 30 de agosto e 1º de setembro, com margem de erro de dois pontos percentuais para mais ou para menos e nível de confiança de 95%. O levantamento está registrado no Tribunal Superior Eleitoral sob o número BR-07065/2026.

A exposição televisiva parece ter sido especialmente importante para candidatos ainda menos conhecidos do grande eleitorado, como Augusto Cury.

Segundo turno já coloca Cury em novo patamar

Outro dado relevante é que a Quaest já passou a testar Augusto Cury em uma eventual disputa de segundo turno contra Lula.

Nesse cenário, Lula aparece com 40%, enquanto Augusto Cury alcança 34%. Outros 21% afirmam que votariam em branco, nulo ou não votariam, e 5% permanecem indecisos.

Embora Lula ainda mantenha vantagem, o resultado coloca Cury em um patamar diferente dos demais candidatos considerados de terceira via.

Para uma candidatura que há poucas semanas aparecia com apenas 2% na Quaest, chegar a 34% em uma simulação de segundo turno amplia sua visibilidade e reforça a possibilidade de que passe a concentrar o chamado voto antipolarização.

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Lula e Flávio ainda dominam a corrida

Apesar da ascensão de Cury, Lula e Flávio Bolsonaro continuam concentrando a maior parte das intenções de voto.

A Quaest mostra que a estrutura eleitoral brasileira ainda reproduz em grande medida a divisão observada nas eleições anteriores. Lula preserva forte vantagem principalmente no Nordeste, enquanto Flávio Bolsonaro concentra força no Sul e em parte do Centro-Oeste.

Nos maiores colégios eleitorais, a disputa entre os dois permanece apertada.

A diferença agora é que, pela primeira vez nesta fase da campanha, surge um terceiro candidato alcançando dois dígitos e apresentando crescimento simultâneo em diferentes institutos.

Crescimento transforma Cury em alvo dos adversários

A partir de agora, Augusto Cury também passa a enfrentar uma realidade típica de candidatos que crescem: maior fiscalização dos adversários, aumento dos ataques políticos e escrutínio sobre sua trajetória, propostas, declarações e equipe.

Enquanto tinha 1% ou 2%, sua candidatura recebia pouca atenção das principais campanhas. Com índices próximos ou superiores a 10%, a situação muda.

A disputa deixa de ser apenas pela vitória imediata e passa também pela ocupação do espaço político fora da polarização.

O desafio de Cury será saber se conseguirá transformar a forte exposição das últimas semanas em uma base eleitoral consolidada.

Eleição ainda tem grande número de votos em disputa

Outro elemento importante permanece aberto: o número de eleitores que ainda podem mudar de opinião.

Na pesquisa estimulada da Quaest, cerca de 10% a 11% estão indecisos, dependendo do cenário, enquanto 7% declaram intenção de votar em branco, nulo ou não comparecer.

Além disso, a própria Quaest estima que aproximadamente 15% do eleitorado brasileiro decide o voto para presidente apenas na última semana ou no próprio dia da eleição.

Isso significa que, apesar da liderança de Lula e da força de Flávio Bolsonaro, existe espaço para novos movimentos.

Neste momento, quem mais conseguiu aproveitar esse espaço foi Augusto Cury.

De escritor e psiquiatra conhecido principalmente por seus livros sobre comportamento humano, inteligência emocional e educação, Cury passou, em poucas semanas, a ocupar o centro do debate eleitoral.

A grande questão que passa a orientar a campanha é se a subida representa apenas um movimento provocado pela exposição recente ou se o candidato do Avante conseguirá continuar crescendo e transformar a atual disputa entre dois polos em uma eleição efetivamente de três nomes.

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Política Nacional

Cury e Zema lideram patrimônio entre presidenciáveis e destacam trajetórias profissionais na disputa de 2026

 

Augusto Cury declarou R$ 242,2 milhões à Justiça Eleitoral, enquanto Romeu Zema informou R$ 178,8 milhões; os dois ocupam as primeiras posições no ranking patrimonial dos candidatos à Presidência

A corrida pela Presidência da República em 2026 reúne candidatos com diferentes trajetórias políticas, acadêmicas e profissionais. Entre os nomes que disputam o Palácio do Planalto, Augusto Cury (Avante) e Romeu Zema (Novo) chamam atenção por dois aspectos: possuem carreiras consolidadas antes da entrada na política e aparecem, respectivamente, com o primeiro e o segundo maiores patrimônios declarados entre os presidenciáveis.

Dados apresentados à Justiça Eleitoral mostram que Augusto Cury declarou patrimônio de aproximadamente R$ 242,2 milhões, enquanto Romeu Zema informou cerca de R$ 178,8 milhões. Na sequência aparece o empresário Pablo Marçal (PRTB), com aproximadamente R$ 149,9 milhões, após a correção de uma declaração inicialmente apresentada com valor bilionário por erro de preenchimento.

A declaração patrimonial é feita pelos próprios candidatos à Justiça Eleitoral e inclui imóveis, investimentos financeiros, participações societárias, créditos e outros bens. Os valores declarados não representam necessariamente dinheiro disponível em contas bancárias nem permitem, isoladamente, medir a renda atual de cada candidato.

Augusto Cury declara R$ 242 milhões

Médico, escritor e empresário, Augusto Jorge Cury, de 67 anos, disputa uma eleição pela primeira vez. O candidato do Avante declarou ao Tribunal Superior Eleitoral patrimônio de cerca de R$ 242 milhões, o maior entre os presidenciáveis registrados em 2026.

Entre os principais itens informados estão aproximadamente R$ 121 milhões referentes a um crédito ou empréstimo ligado à empresa Filadélfia Nature Participações, além de cerca de R$ 54 milhões em participações societárias e aproximadamente R$ 33 milhões em ações.

Cury também apresenta uma trajetória profissional diferente da maioria dos políticos que tradicionalmente disputam o Palácio do Planalto.

Ele é formado em Medicina pela Faculdade de Medicina de São José do Rio Preto, tendo concluído a graduação em 1984. Ao longo da carreira atuou na área de psiquiatria e psicoterapia e tornou-se conhecido nacional e internacionalmente principalmente pela produção de livros sobre comportamento, emoções e funcionamento da mente.

É autor de dezenas de obras e alcançou milhões de exemplares vendidos no Brasil e no exterior. Entre seus livros mais conhecidos estão O Vendedor de Sonhos, Ansiedade — Como Enfrentar o Mal do Século e Inteligência Multifocal.

Cury desenvolveu a chamada Teoria da Inteligência Multifocal, que ocupa posição central em sua produção intelectual. A abordagem, entretanto, também é objeto de questionamentos de pesquisadores e especialistas quanto à sua validação científica. Reportagem da Folha de S.Paulo consultou psiquiatras que fizeram críticas à fundamentação científica da teoria, enquanto Cury sustenta que partes de seus estudos possuem validação e aplicação prática.

Essa divergência é relevante para uma análise imparcial de sua trajetória: sua produção literária e sua projeção como escritor são amplamente reconhecidas, mas algumas de suas formulações sobre a mente humana não encontram consenso na comunidade científica.

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Zema declara R$ 178,8 milhões

O segundo maior patrimônio entre os candidatos à Presidência é do empresário e ex-governador de Minas Gerais Romeu Zema, do Novo.

Zema declarou aproximadamente R$ 178,8 milhões em bens, crescimento de cerca de R$ 49 milhões em comparação com os R$ 129,7 milhões informados à Justiça Eleitoral em 2022.

A maior parcela está vinculada à participação empresarial do candidato. Segundo levantamento publicado pela Folha, aproximadamente R$ 94 milhões correspondem à participação em uma holding familiar. Outros R$ 56,2 milhões estavam declarados em fundos de investimento e cerca de R$ 4,3 milhões em aplicações de renda fixa.

Zema pertence à família responsável pelo Grupo Zema, conglomerado empresarial originado em Minas Gerais, com atividades historicamente ligadas ao comércio, setor financeiro, distribuição de combustíveis e outros segmentos.

Antes da política, passou aproximadamente 26 anos à frente dos negócios da família. Sua experiência empresarial acabou se tornando um dos principais pilares de sua trajetória política.

Na formação acadêmica, Romeu Zema é graduado em Administração de Empresas pela Fundação Getulio Vargas (FGV), em São Paulo.

Ele ingressou na política eleitoral pelo Novo e venceu sua primeira disputa pelo Governo de Minas Gerais em 2018. Em 2022, foi reeleito governador no primeiro turno, com mais de 56% dos votos válidos. Para disputar a Presidência em 2026, deixou o governo mineiro em março, sendo sucedido pelo então vice-governador Mateus Simões.

Diferentemente de Cury, portanto, Zema chega à eleição presidencial acumulando tanto experiência empresarial quanto experiência administrativa no comando de um dos maiores estados brasileiros.

Os maiores patrimônios entre os presidenciáveis

Considerando as declarações atualizadas apresentadas à Justiça Eleitoral e os dados divulgados até agosto, Cury e Zema ocupam efetivamente as duas primeiras posições entre os patrimônios dos candidatos à Presidência:

Candidato Partido Patrimônio declarado
Augusto Cury Avante R$ 242,2 milhões
Romeu Zema Novo R$ 178,8 milhões
Pablo Marçal PRTB R$ 149,9 milhões
Flávio Bolsonaro PL R$ 8,2 milhões
Luiz Inácio Lula da Silva PT R$ 4,8 milhões

Os valores têm como base informações declaradas à Justiça Eleitoral e levantamentos realizados sobre os registros do TSE.

No caso de Pablo Marçal, houve uma particularidade. O candidato chegou inicialmente a aparecer com patrimônio de aproximadamente R$ 7,4 bilhões, mas informou posteriormente que se tratava de erro no preenchimento de uma aplicação financeira. Após a retificação entregue à Justiça Eleitoral, seu patrimônio passou para aproximadamente R$ 149,9 milhões, colocando-o na terceira posição entre os presidenciáveis.

Formação não permite ranking objetivo

Embora Cury e Zema possam ser apresentados como candidatos de forte trajetória acadêmica, profissional e empresarial, afirmar objetivamente que são os “dois candidatos com maior formação” exige ressalva.

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Isso porque não existe um indicador oficial que classifique os presidenciáveis conforme sua qualificação. A eleição reúne candidatos com formações muito diferentes.

Cury é médico e construiu carreira principalmente como escritor e estudioso do comportamento humano. Zema é administrador formado pela FGV, empresário e ex-governador. Outros concorrentes também possuem formação superior e carreiras profissionais extensas.

Portanto, o dado que pode ser comprovado objetivamente é o patrimonial: Augusto Cury e Romeu Zema são, até o momento, o primeiro e o segundo colocados em patrimônio declarado entre os candidatos à Presidência em 2026.

Na formação profissional, ambos se destacam, mas a comparação depende do critério utilizado — número de diplomas, especializações, experiência profissional, produção acadêmica, gestão empresarial ou experiência administrativa.

Experiência fora da política diferencia os dois

Outro ponto em comum é que tanto Cury quanto Zema construíram patrimônio e projeção profissional predominantemente antes de suas candidaturas nacionais.

Cury chega à política depois de décadas dedicadas à medicina, literatura, palestras e atividades empresariais. Zema iniciou sua trajetória eleitoral depois de mais de duas décadas trabalhando na administração dos negócios familiares.

Há, contudo, uma diferença importante.

Para Augusto Cury, 2026 representa sua estreia em eleições. Já Zema possui oito anos de experiência no comando de Minas Gerais, depois de vencer as eleições estaduais de 2018 e 2022.

Patrimônio e formação ainda não se traduzem em liderança eleitoral

Apesar do patrimônio elevado e das trajetórias profissionais, nenhum dos dois aparece atualmente nas primeiras posições das pesquisas eleitorais.

Levantamentos divulgados nesta quarta-feira (26) mostram uma disputa concentrada principalmente entre Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL).

Na pesquisa BTG/Nexus realizada entre 21 e 23 de agosto, Lula aparece com 41% e Flávio com 37%. Cury registra aproximadamente 2%, enquanto Zema permanece no grupo de candidatos abaixo dos 5%.

O Datafolha realizado entre 18 e 21 de agosto também coloca Lula e Flávio nas primeiras posições, com 39% e 33%, respectivamente. Zema aparece com cerca de 3%, enquanto Cury registra aproximadamente 2%.

Assim, o início da campanha mostra um contraste: os dois candidatos com os maiores patrimônios declarados e com carreiras profissionais consolidadas estão, neste momento, distantes dos líderes das pesquisas.

Com o avanço da campanha eleitoral, debates, entrevistas e a apresentação dos programas de governo devem definir se Augusto Cury e Romeu Zema conseguirão transformar currículo, experiência profissional e capacidade financeira pessoal em maior competitividade eleitoral.

Por enquanto, os números permitem uma conclusão objetiva: Cury e Zema ocupam as duas primeiras posições no ranking patrimonial dos candidatos à Presidência, mas a disputa pelo voto segue liderada por adversários com patrimônios declarados significativamente menores.

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