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Saúde

Mais de 7,6 mil bebês nasceram de mães adolescentes em Mato Grosso em 2025

Mais de 7,6 mil bebês nasceram de mães adolescentes em Mato Grosso no ano passado, segundo dados do Painel de Monitoramento de Nascidos Vivos, do Ministério da Saúde. O levantamento registra 7.310 partos de jovens entre 15 e 19 anos e outros 324 de meninas com menos de 14 anos, uma média de aproximadamente 20 nascimentos por dia.

Além de evidenciar uma realidade marcada pela gravidez precoce, os números também chamam atenção para casos que podem estar relacionados ao estupro de vulnerável, especialmente entre as menores de 14 anos, e para os impactos sociais enfrentados por essas adolescentes.

No cotidiano da assistência social, a gravidez na adolescência costuma representar uma ruptura nos projetos de vida. Segundo a psicóloga do Centro de Referência de Assistência Social (Cras) do bairro Pedregal, Emanuele Costa, muitas jovens passam a enxergar a maternidade como único caminho possível.

“É como se a vida dela se resumisse à maternidade, e é isso que vai determinar todo o resto da vida dela”, afirma.

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A profissional explica que parte das adolescentes procura atendimento espontaneamente, enquanto outras são encaminhadas pelas unidades de saúde. No Cras, elas recebem acolhimento, orientação e acompanhamento para acesso aos benefícios socioassistenciais.

Entre os principais desafios está a evasão escolar. A gravidez, as limitações impostas pela gestação, o período do puerpério e a dificuldade de conciliar os cuidados com o bebê fazem com que muitas interrompam os estudos.

“Nós analisamos se houve ou não a evasão escolar, para ver a possibilidade de essa jovem voltar para a escola. Isso é uma grande questão na gravidez na adolescência, pois muitas deixam de ir ou têm muita dificuldade para voltar. Elas precisam de uma rede de apoio consolidada para conseguir, neste momento, voltar à escola e não ficarem desamparadas em relação aos cuidados com o filho”, destaca.

De acordo com Emanuele, outro aspecto recorrente é a ausência de planejamento para o futuro. Diferentemente de outros adolescentes, que costumam projetar objetivos como concluir os estudos, ingressar na universidade e conquistar independência financeira, muitas jovens grávidas acabam limitando suas expectativas à maternidade.

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“Muitas vezes, se ouve na adolescência: ‘eu quero estudar, me formar, passar no Enem e depois comprar uma casa’. Com elas, não. É como se agora a vida dela fosse só isso. Eu vou ser mãe e pronto, não tem planejamento para a vida futura”, relata.

A psicóloga também observa que, na maioria dos atendimentos, os pais das crianças estão ausentes. O suporte costuma vir das mães ou avós das adolescentes, que assumem papel fundamental na construção da rede de apoio.

“Pela nossa vivência, o amparo vem desse lado materno da própria mãe trazer a filha, conversar e tentar restabelecer esse vínculo que, muitas vezes, chega fragilizado. Nisso entra o papel da assistência social e do serviço de fortalecimento de vínculos. É para garantir que a rede de apoio seja mantida, porque essa é uma das principais bases para que a jovem consiga ter uma vida menos vulnerável e fique menos exposta a situações de risco”, conclui.

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Saúde

Queda de cabelo com canetas emagrecedoras: por que ocorre e como prevenir

A queda intensa de cabelo tornou-se uma das queixas mais frequentes entre usuários do Mounjaro (tirzepatida) e de outras canetas emagrecedoras. Um estudo conduzido por pesquisadores da Universidade George Washington, nos Estados Unidos, reforça essa associação ao analisar dados de quase 550 mil pacientes e identificar um maior risco de queda capilar entre usuários de medicamentos da classe dos agonistas de GLP-1, como Ozempic e Wegovy.

Segundo os autores, o problema não parece ser causado diretamente pelo medicamento na maioria dos casos, mas principalmente pela rápida perda de peso, pela restrição calórica e pelas alterações metabólicas provocadas pelo tratamento.

Especialistas ouvidos pelo g1 afirmam que esse processo costuma desencadear uma queda intensa, porém geralmente temporária, dos fios. E essa queda tem nome: eflúvio telógeno.

Embora o efeito possa assustar, médicos ressaltam que pode ser prevenido ou amenizado com acompanhamento adequado, alimentação equilibrada e perda de peso gradual.

Estudo analisou quase 550 mil pacientes

O estudo foi realizado por pesquisadores da Universidade George Washington e avaliou dados de aproximadamente 550 mil pacientes, entre 12 e 89 anos, acompanhados entre 2014 e 2024.

Os pesquisadores identificaram uma associação entre o uso de medicamentos à base de GLP-1 e um maior risco de queda de cabelo, independentemente de fatores demográficos e clínicos. Segundo o grupo, os primeiros ensaios clínicos desses medicamentos não destacaram esse possível efeito adverso, mas o aumento dos relatos de pacientes motivou a investigação.

O estudo também identificou dois tipos principais de queda associados ao uso desses medicamentos:

eflúvio telógeno, o mais frequente, geralmente temporário e relacionado ao estresse provocado pela perda rápida de peso;
alopecia androgenética, condição genética cuja progressão pode ser acelerada durante o processo de emagrecimento.

Segundo o pesquisador Matt Akiska, para a maioria dos pacientes o quadro é compatível com eflúvio telógeno e tende a melhorar quando o peso se estabiliza.

O problema é o medicamento ou o emagrecimento?

Segundo a tricologista Ludmila Vieira, o organismo interpreta a rápida redução da ingestão calórica como um estado de privação.

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Nesse cenário, o corpo prioriza órgãos essenciais, como cérebro, coração, rins e pulmões, e interrompe temporariamente atividades consideradas menos importantes para a sobrevivência imediata, entre elas o crescimento dos cabelos.

“O corpo entende que está passando fome. O ciclo capilar é uma das estruturas mais frágeis e dispensáveis, então ele simplesmente para”, explica.

Essa explicação é semelhante à hipótese levantada pelos pesquisadores americanos.

Segundo a coautora Savanna Vidal, a maior parte da queda observada provavelmente está relacionada aos efeitos da rápida perda de peso — como restrição calórica, deficiência de proteínas e micronutrientes e estresse metabólico — e não a um efeito direto do medicamento sobre o folículo piloso.

Quanto mais rápido o emagrecimento, maior tende a ser a queda

Os especialistas afirmam que existe uma relação entre a velocidade do emagrecimento e a intensidade da queda.

Vieira explica que perdas de peso muito aceleradas e doses mais elevadas costumam tornar o eflúvio mais evidente.

Luciano Barsanti, presidente da Sociedade Brasileira de Tricologia, afirma que esse passou a ser um dos principais motivos de consulta em sua prática clínica. Segundo relata, aproximadamente oito em cada dez pacientes em uso de tirzepatida chegam ao consultório relatando queda intensa ou afinamento dos fios.

Em um acompanhamento clínico realizado com 618 pacientes sem doenças prévias do couro cabeludo, a queda foi observada mesmo quando vitaminas e nutrientes estavam equilibrados, reforçando a hipótese do estresse calórico como principal mecanismo envolvido.

Como prevenir a queda durante o tratamento?

Embora nem todos os casos possam ser evitados, especialistas apontam medidas capazes de reduzir o risco.

Entre as recomendações estão:

priorizar o consumo de proteínas;
evitar emagrecimento muito acelerado;
manter níveis adequados de vitamina B12, ferritina e vitamina D;
não aumentar a dose do medicamento por conta própria;
realizar acompanhamento médico durante todo o tratamento.

O estudo americano também reforça a importância da prevenção. Segundo os pesquisadores, pacientes submetidos a restrição calórica importante, deficiência de ferro, baixa ingestão de proteínas, alterações da tireoide e outras carências nutricionais apresentam maior risco de desenvolver queda de cabelo durante o tratamento.

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Por isso, eles defendem o aconselhamento preventivo e o acompanhamento nutricional desde o início do uso dos medicamentos.

Minoxidil resolve?

Nem sempre. Segundo a dermatologista Verena Florenço, o Minoxidil não interrompe o eflúvio telógeno e pode até aumentar a queda nas primeiras semanas.

Ela explica que o medicamento costuma ser indicado apenas em situações específicas, como quando existe alopecia androgenética associada ou quando a queda persiste além do período esperado.

Vale a pena suspender o Mounjaro?

Na maioria dos casos, não. Segundo os pesquisadores, a queda normalmente reflete o estresse metabólico causado pelo emagrecimento rápido e não um efeito tóxico direto da medicação. Uma vez desencadeado o eflúvio, ele tende a seguir seu curso natural mesmo que o medicamento seja interrompido.

Por isso, qualquer decisão sobre suspender o tratamento deve ser tomada em conjunto com o médico responsável.

Os autores do estudo chegam à mesma conclusão. Eles ressaltam que os benefícios metabólicos e cardiovasculares dos agonistas de GLP-1 permanecem importantes e que os resultados não devem desencorajar o uso dos medicamentos quando eles são indicados.

O trabalho reforça, porém, a necessidade de orientar previamente os pacientes sobre esse possível efeito adverso e de monitorar fatores que possam ser corrigidos.

Quando é hora de procurar um especialista?

Segundo Vieira, a maioria dos casos melhora espontaneamente, mas quedas que persistem por mais de três a seis meses merecem investigação para descartar doenças capilares pré-existentes, como diferentes formas de alopecia ou eflúvio crônico.

Os pesquisadores da Universidade George Washington também defendem que médicos informem seus pacientes sobre a possibilidade desse efeito antes do início do tratamento e acompanhem os casos de forma individualizada, especialmente diante do crescimento do uso desses medicamentos para obesidade.

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