Clima
Agosto será de calor acima da média e pouca chuva em Mato Grosso, aponta Inmet

O mês de agosto começa em Mato Grosso mantendo as características típicas da estação seca, mas com um agravante: a atuação de um bloqueio atmosférico que deve elevar ainda mais as temperaturas em grande parte do estado. As projeções atualizadas do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) indicam chuva escassa na maior parte do território mato-grossense, com possibilidade de precipitações apenas em pequenas áreas do Pantanal e da região Noroeste.
O principal destaque da previsão é o calor acima da média histórica. Nas regiões Norte e Noroeste do estado, as temperaturas podem ficar até 2°C acima do esperado para o mês de agosto. Já nas demais regiões, os desvios devem variar em até 1,5°C, reforçando o cenário de tempo quente e seco.
No campo, a estiagem deve beneficiar a reta final da colheita do milho safrinha e do algodão. Com a ausência de chuvas, os produtores ganham uma janela favorável para o trabalho das máquinas, reduzindo interrupções nas operações e aumentando a eficiência da colheita.
Por outro lado, as condições climáticas exigirão maior atenção dos agricultores que cultivam feijão irrigado. A combinação de forte insolação, baixa umidade e temperaturas elevadas deve aumentar a demanda por irrigação, exigindo o funcionamento intenso dos pivôs e elevando os custos com energia elétrica e uso de água.
Além dos impactos na produção agrícola, o tempo seco e o calor intenso acendem o alerta para o aumento do risco de incêndios florestais. Com a vegetação mais ressecada, cresce a preocupação dos órgãos ambientais com a propagação de focos de queimadas, especialmente em áreas de vegetação nativa, exigindo reforço nas ações de prevenção e fiscalização ao longo do mês.
Clima
Super El Niño pode elevar custos da indústria e pressionar produção em Mato Grosso

Estudo aponta risco de quebra de safra, alta no preço dos alimentos, aumento do custo da energia e impactos na logística caso o fenômeno climático se intensifique nos próximos meses
A indústria de Mato Grosso poderá enfrentar um cenário de aumento de custos e dificuldades no abastecimento de matérias-primas caso o Super El Niño se fortaleça nos próximos meses. O alerta é do Observatório de Mato Grosso, vinculado ao Sistema Fiemt, que aponta que a irregularidade das chuvas, as temperaturas acima da média e o risco de déficit hídrico podem comprometer a produção agropecuária e afetar toda a cadeia industrial do estado.
Segundo o coordenador do Observatório de Mato Grosso, Leonardo Zardo, acompanhar a evolução do fenômeno é essencial para que as empresas possam antecipar riscos e adotar medidas de adaptação.
“Os eventos climáticos extremos deixaram de ser uma possibilidade distante e passaram a fazer parte do planejamento estratégico das empresas. Nosso papel é transformar dados em inteligência para que a indústria possa tomar decisões mais assertivas, reduzir riscos e aumentar sua capacidade de adaptação diante de cenários cada vez mais desafiadores”, afirmou.
O estudo destaca que a agroindústria, um dos principais motores da economia mato-grossense, está entre os setores mais vulneráveis aos efeitos do fenômeno. Uma eventual redução da produtividade no campo poderá diminuir a oferta de matérias-primas, aumentar a volatilidade dos mercados agrícolas e elevar os custos de produção das indústrias.
Além disso, uma possível quebra de safra tende a pressionar os preços dos alimentos. O levantamento também alerta que a redução dos níveis dos reservatórios pode ampliar o uso de usinas termelétricas, elevando o custo da energia elétrica para empresas e consumidores. A logística também pode ser afetada, com aumento dos custos operacionais e perda de competitividade da indústria.
Para Mato Grosso e os demais estados do Centro-Oeste, a previsão é de chuvas irregulares, veranicos, temperaturas acima da média e maior risco de déficit hídrico durante o inverno de 2026. O estudo explica que o El Niño é provocado pelo aquecimento anormal das águas superficiais do Oceano Pacífico Equatorial e passa a ser classificado como Super El Niño quando esse aquecimento supera 2°C acima da média histórica por período prolongado. O último episódio dessa intensidade ocorreu entre 2015 e 2016.
Observatório amplia maturidade técnica
O levantamento também destaca a evolução do Observatório de Mato Grosso, que alcançou 71,25% de maturidade técnica, sendo classificado como de nível médio-alto pela Rede de Observatórios do Sistema Indústria (ROSI).
De acordo com Leonardo Zardo, o avanço consolida o Observatório como uma ferramenta estratégica para o setor produtivo, oferecendo estudos, indicadores e análises que auxiliam empresários e lideranças na tomada de decisões baseada em evidências.
O índice representa uma evolução significativa em relação a 2023, quando o Observatório registrava 34,8% de maturidade. Em 2025, o percentual subiu para 61,1% e, na avaliação de 2026, atingiu 71,25%, refletindo avanços em gestão, infraestrutura, equipe, ativos de conhecimento e portfólio.
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