Economia
Salários de até R$ 53 mil e falta de profissionais: veja as 10 profissões mais valorizadas

O mercado de tecnologia reúne salários acima da média e alta demanda por profissionais. Mas as empresas enfrentam dificuldades para encontrar trabalhadores qualificados — um desequilíbrio que ajuda a explicar os altos rendimentos de algumas carreiras.
Um estudo divulgado com exclusividade ao g1 pelo Inteli, instituto de tecnologia e liderança, em parceria com a consultoria WKS, mostra o tamanho desse desafio: entre 2019 e 2024, a demanda por profissionais de tecnologia chegou a 665 mil, enquanto a oferta de novos trabalhadores ficou em cerca de 464 mil. A diferença representa um déficit de 30,2%.
Para Lucas Niemeyer, coordenador de pesquisa e diretor de Comunidade e Cultura da Inteli, esse desequilíbrio também está relacionado à concentração geográfica das oportunidades.
“Quando você pega dentro do estudo, dá para ver isso. A concentração de vagas e necessidades das empresas dentro do Sudeste, particularmente São Paulo, é avassaladora”, afirma.
A falta de profissionais ocorre em um momento em que a tecnologia deixou de ser uma demanda restrita às empresas do setor e passou a ser estratégica para praticamente toda a economia.
Bancos, varejistas, hospitais, indústrias e empresas do agronegócio disputam os mesmos profissionais para avançar na transformação digital. Hoje, o setor representa 6,5% do PIB brasileiro.
Para mapear as carreiras mais valorizadas, a Inteli analisou 72,7 mil anúncios de emprego publicados entre abril e junho de 2025. Após a aplicação de filtros metodológicos, a pesquisa chegou a uma base de 19.655 vagas de tecnologia.
O levantamento mostra um mercado com muitas oportunidades, mas também derruba alguns mitos sobre as carreiras da área.
Abaixo, saiba mais sobre setor a partir dos seguintes pontos:
🤖 IA não domina contratações
💰 Onde estão os melhores salários
🧠 Competências mais buscadas
🌱 Nem toda área é boa para quem está começando
IA não domina contratações
A inteligência artificial se tornou o principal assunto quando o tema é carreira em tecnologia. Entre os profissionais ouvidos pela pesquisa, 79% apontaram a área como a mais relevante do mercado atualmente.
Quando os pesquisadores analisaram as vagas efetivamente abertas, porém, encontraram outro cenário. A maior parte das oportunidades continua concentrada nas áreas responsáveis por construir, integrar e manter os sistemas que sustentam as operações das empresas.
As áreas que mais contratam no mercado de tecnologia são:
Desenvolvimento de Software (35,7%);
Infraestrutura e Suporte (23,2%);
Dados e Inteligência Artificial (17,7%);
Projetos e Gerenciamento (12,9%);
Testes e Controle de Qualidade (5,7%);
Segurança da Informação (2,5%);
Automação de Processos e Sistemas (2,3%).
Quase seis em cada 10 vagas abertas no país estão concentradas em desenvolvimento de software e infraestrutura.
Para Niemeyer, a diferença entre o interesse dos profissionais e a realidade das contratações ocorre porque a inteligência artificial representa uma das áreas mais avançadas da tecnologia, enquanto muitas empresas brasileiras ainda estão em etapas anteriores da digitalização.
“É muito comum que a área que esteja em maior ascensão ou no maior interesse das pessoas seja a área tecnologicamente mais avançada, da novidade. Mas a grande verdade é que o Brasil ainda tem uma maturidade tecnológica muito baixa nas empresas”, explica.
Segundo ele, cerca de 80% das pequenas e médias empresas têm baixa maturidade tecnológica, o que mantém a demanda concentrada em funções mais tradicionais, como infraestrutura e suporte.
Onde estão os melhores salários
A disputa por profissionais qualificados ajuda a elevar os salários, principalmente em funções estratégicas. As maiores remunerações estão concentradas em cargos de liderança e gestão de tecnologia, além de áreas como segurança digital e inteligência artificial.
Confira o ranking dos maiores salários do setor:
Chief Technology Officer (até R$ 53,6 mil por mês);
Chief Security Officer (R$ 52,5 mil por mês);
Chief Information Officer (até R$ 49,5 mil por mês);
Gerente de Dados (até R$ 37,9 mil por mês);
Gerente de Segurança da Informação (até R$ 37,2 mil por mês);
Gerente de TI Generalista (até R$ 35 mil por mês);
Especialista em IA e Machine Learning (até R$ 32,5 mil por mês);
Gerente de BI (até R$ 29,4 mil por mês);
Gerente de Infraestrutura (até R$ 27,9 mil por mês);
Engenheiro de Inteligência Artificial (até R$ 27,1 mil por mês).
Apesar de os salários mais altos aparecerem principalmente em cargos de liderança, Niemeyer destaca que a carreira técnica também pode levar a remunerações elevadas, sem necessariamente passar por posições tradicionais de gestão.
Segundo ele, o avanço da tecnologia tem criado estruturas mais horizontais, com menos camadas de gestão e mais espaço para profissionais especializados, capazes de gerar alto impacto técnico. Esse movimento ganha relevância em um cenário em que cada vez mais jovens demonstram menos interesse por cargos tradicionais de liderança, como já mostrou o g1.
Competências mais buscadas
A Inteli também identificou competências que podem aumentar a remuneração dos profissionais de tecnologia.
O conhecimento em inteligência artificial é um dos principais diferenciais. Entre as vagas com faixa salarial divulgada, as oportunidades que mencionam IA aparecem com mais frequência nas faixas de remuneração mais altas.
Entre as vagas com salários acima de R$ 10 mil, a presença de oportunidades que exigem conhecimento em IA é aproximadamente o dobro da observada entre as que não mencionam a tecnologia.
O inglês é outro diferencial. Apenas 7,5% das vagas com remuneração divulgada exigem explicitamente o idioma. Entre elas, porém, 46,2% oferecem salários entre R$ 5 mil e R$ 10 mil. Nas vagas que não exigem inglês, essa proporção cai para 22,3%.
A exigência também aumenta conforme a senioridade. Entre as vagas para profissionais plenos e seniores, 8,7% pedem inglês. Entre as oportunidades para juniores, o índice é de 6,6%.
As certificações técnicas também são pontos de destaque. Segundo o estudo, 48% dos gestores estão dispostos a pagar mais por candidatos com certificações ou conhecimentos especializados, principalmente em computação em nuvem, segurança da informação, engenharia de dados e inteligência artificial.
O levantamento mostra ainda que as empresas procuram profissionais que combinem conhecimentos técnicos e habilidades comportamentais.
Abaixo, vejas as soft skills mais valorizadas:
Comunicação (21%);
Criatividade (17,8%);
Organização (15,8%);
Trabalho em equipe (11,4%);
Liderança (7,6%).
Entre os conhecimentos técnicos mais citados nas vagas estão:
Computação em nuvem (13,8%);
Metodologias ágeis (6,7%);
AWS (5,9%);
Azure (5,8%);
Windows (5,1%).
Essas competências formam uma base técnica comum a diferentes áreas da tecnologia, independentemente da especialização escolhida pelo profissional.
Nem toda área é boa para quem está começando
Os salários mais altos não significam que todas as áreas ofereçam as mesmas oportunidades para quem está no início da carreira.
Por isso, a Inteli buscou identificar quais áreas são mais acessíveis para quem está começando e quais exigem mais experiência.
Veja a proporção de vagas para iniciantes em cada uma:
Infraestrutura e Suporte: 43% das vagas são destinadas a profissionais iniciantes.
Automação de Processos e Sistemas: 40% das oportunidades são para profissionais juniores.
Testes e Controle de Qualidade: 26% das vagas.
Projetos e Gerenciamento: 24% das oportunidades.
Desenvolvimento de Software: 22% das vagas.
Dados e Inteligência Artificial: 18% das oportunidades.
Segurança da Informação: 17% das vagas.
Para quem está entrando na área, Niemeyer afirma que o avanço da inteligência artificial não deve ser visto como motivo para abandonar a carreira em tecnologia, mas como uma oportunidade de participar das transformações em curso.
“Estar dentro da área de tecnologia permite que os jovens estejam à frente desse movimento e criando as transformações, e não só sendo passageiros dessa revolução que está acontecendo”, diz.
A principal mudança está no perfil procurado pelas empresas. O profissional mais valorizado combina conhecimento técnico, capacidade de aprendizado contínuo, visão de negócio e boa comunicação.
Economia
Cesta básica consome mais da metade do salário mínimo e pressiona poder de compra em Mato Grosso
Em Cuiabá, conjunto de alimentos chega a R$ 859,34 e custa 7,88% mais que há um ano; alta expõe perda do poder aquisitivo das famílias brasileiras
Colocar comida na mesa continua sendo um dos principais desafios do orçamento das famílias brasileiras. Em Mato Grosso, a situação chama ainda mais atenção: mesmo em um estado reconhecido nacionalmente como uma potência na produção agropecuária, a capital Cuiabá mantém um dos custos de alimentação básica mais elevados do país.
Na primeira semana de setembro, o custo médio da cesta básica cuiabana chegou a R$ 859,34, após alta de 2,17% em apenas uma semana, segundo levantamento do Instituto de Pesquisa e Análise da Fecomércio Mato Grosso (IPF-MT).
Na comparação com o mesmo período de 2025, quando a cesta custava R$ 796,58, o aumento chega a 7,88%.
O impacto sobre o poder aquisitivo é expressivo. Considerando o salário mínimo nacional de R$ 1.621 em 2026, o valor atual da cesta em Cuiabá equivale a aproximadamente 53% de todo o salário mínimo bruto de um trabalhador. Isso significa que, antes mesmo de pagar aluguel, energia elétrica, água, transporte, medicamentos, educação e outras despesas essenciais, mais da metade do piso nacional pode ser absorvida apenas pelos alimentos básicos.
Cuiabá entre as cestas mais caras do Brasil
O elevado custo da alimentação em Mato Grosso não é um fenômeno isolado desta primeira semana de setembro.
Na última comparação nacional disponível do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), referente a julho, Cuiabá aparecia com a segunda cesta básica mais cara entre as 27 capitais brasileiras.
Naquele mês, a cesta cuiabana custava R$ 881,27, ficando atrás apenas de São Paulo, onde o valor chegava a R$ 915,01. Florianópolis aparecia na terceira posição, com R$ 860,73, seguida pelo Rio de Janeiro, com R$ 855,37.
Quando calculada sobre o salário mínimo líquido, já descontada a contribuição previdenciária utilizada na metodologia do Dieese, a cesta de Cuiabá comprometia 58,77% da renda do trabalhador em julho.
Para conseguir comprar somente os alimentos considerados essenciais, eram necessárias aproximadamente 119 horas e 36 minutos de trabalho no mês.
Os números ajudam a demonstrar uma realidade sentida diariamente nos supermercados: apesar dos reajustes nominais dos salários, o preço dos alimentos continua reduzindo a capacidade das famílias de direcionar renda para outras necessidades.
Tomate dispara quase 30% em uma semana
A elevação registrada no início de setembro foi puxada principalmente pelos produtos hortifrutigranjeiros.
O tomate subiu 29,19% em apenas uma semana, alcançando preço médio de R$ 9,01 o quilo. Segundo o IPF-MT, chuvas registradas em regiões produtoras prejudicaram a colheita e a qualidade dos frutos, reduzindo a oferta disponível.
A batata também apresentou forte aumento, de 10,04%, chegando ao preço médio de R$ 5,55 o quilo.
Neste caso, as condições climáticas também afetaram o cronograma das colheitas e contribuíram para diminuir a oferta no mercado.
O comportamento demonstra como produtos agrícolas podem sofrer fortes oscilações em períodos relativamente curtos. Alterações climáticas, disponibilidade da produção, transporte e qualidade das safras acabam chegando rapidamente ao consumidor.
Na direção oposta, o café apresentou redução de 3,55%, com preço médio de R$ 27,62 para o pacote de 500 gramas.
Produção forte não significa alimento barato
A situação provoca um paradoxo especialmente significativo em Mato Grosso.
O estado está entre os maiores produtores brasileiros de soja, milho, algodão e proteína animal e possui uma das cadeias agroindustriais mais importantes do país. Ainda assim, o consumidor mato-grossense enfrenta uma das cestas básicas mais caras entre as capitais.
Isso ocorre porque o preço pago no supermercado não depende exclusivamente da quantidade de alimentos produzida dentro do estado. Custos de transporte, armazenamento, industrialização, energia, mão de obra, embalagens, distribuição, margens comerciais, impostos e as próprias condições nacionais de oferta e demanda participam da formação do preço final.
Além disso, grande parte da produção agrícola de Mato Grosso está direcionada a commodities e cadeias específicas, o que significa que ser um dos maiores produtores agropecuários brasileiros não necessariamente garante preços menores para todos os produtos encontrados diariamente na mesa da população.
Brasileiro trabalha cada vez mais para manter a alimentação
O problema ultrapassa as fronteiras de Mato Grosso.
Segundo o Dieese, em julho de 2026 um trabalhador remunerado pelo salário mínimo comprometia, em média, 49,34% do salário líquido para adquirir a cesta básica nas 27 capitais pesquisadas. O tempo médio de trabalho necessário para comprar os produtos essenciais era de 100 horas e 24 minutos.
O instituto também calcula mensalmente qual deveria ser o salário mínimo capaz de atender às necessidades previstas constitucionalmente para uma família de quatro pessoas, incluindo alimentação, moradia, saúde, educação, transporte, vestuário, higiene, lazer e previdência.
Em julho, enquanto o salário mínimo oficial era de R$ 1.621, o Dieese estimava que o chamado salário mínimo necessário deveria chegar a R$ 7.687,01, equivalente a 4,74 vezes o piso nacional.
A diferença entre os dois valores dimensiona o desafio do poder aquisitivo no Brasil.
Para as famílias de menor renda, qualquer aumento no supermercado possui impacto proporcionalmente maior porque alimentação, moradia e transporte representam despesas que dificilmente podem ser eliminadas do orçamento.
Inflação que aparece diretamente no prato
Outro fator preocupante é que a elevação da cesta básica ocorre justamente em produtos de consumo cotidiano.
Quando tomate, batata, carne, leite, arroz, café e outros itens essenciais sobem, existe pouca margem para substituição, principalmente entre famílias de renda mais baixa.
O consumidor acaba adotando estratégias como pesquisar preços em diferentes supermercados, trocar marcas, substituir determinados alimentos, reduzir quantidades ou abandonar produtos considerados menos essenciais.
Por isso, embora índices gerais de inflação sejam importantes para medir o comportamento da economia, é dentro do supermercado que grande parte da população percebe de maneira mais imediata se seu poder de compra aumentou ou diminuiu.
Em Mato Grosso, os números de setembro reforçam esse alerta: uma cesta de R$ 859,34 em um país com salário mínimo de R$ 1.621 mostra que o desafio econômico não está apenas em gerar renda, mas em garantir que ela seja suficiente para acompanhar o custo das necessidades mais básicas.
E quando mais da metade de um salário mínimo pode desaparecer apenas para garantir a alimentação essencial, sobra cada vez menos espaço no orçamento para todas as outras despesas indispensáveis à vida de uma família brasileira.
-
Eleições3 dias atrásPropaganda eleitoral nas ruas tem regras: material deve ser retirado às 22h e carro de som não pode circular sozinho
-
Eleições3 dias atrásMax Russi reforça atuação no Médio-Norte e destaca força das lideranças de Nova Mutum
-
Política5 dias atrásPL parte para expulsões após prefeitos aderirem a Pivetta; Abilio reage e chama cobrança de fidelidade de ‘hipocrisia’”
-
Mato Grosso3 dias atrásFila Zero prevê 588 mil procedimentos em MT, enquanto programa federal adiciona mais 9,6 mil atendimentos em 2026
-
Polícia3 dias atrásHomem é sequestrado e espancado por dívida de R$ 100 em MT
-
Polêmica5 dias atrás“Senado não pode ficar passivo”: Max Russi se revolta com crise envolvendo Moraes e Vorcaro e cobra impeachment
-
Saúde3 dias atrásCrianças enfrentam espera ainda mais difícil por transplantes; desafio também atinge famílias de Mato Grosso
-
Cidades5 dias atrásFrente fria derruba temperaturas em Mato Grosso; Diamantino pode ter 19°C e Nova Mutum terá chuva no fim de semana






