Polícia
Polícia mira núcleo do CV com conexão no RJ e atuação em MT

Polícia Civil de Mato Grosso deflagrou, na manhã desta sexta-feira (18), a Operação Nocaute para cumprir 51 ordens judiciais contra integrantes do núcleo de uma facção criminosa instalada em Sinop, com conexões no Estado do Rio de Janeiro.
São cumpridos, na operação, 11 mandados de prisão preventiva, 13 de busca e apreensão, 13 de quebra de sigilo telefônico e telemático e 14 medidas de sequestro de bens e valores, expedidos pelo Núcleo de Justiça 4.0 do Juízo das Garantias – Polo Sinop. Os alvos são investigados pelos crimes de organização criminosa e lavagem de dinheiro.
As investigações, conduzidas em inquérito policial instaurado pela Delegacia de Repressão ao Crime Organizado (Draco) de Sinop, são um desdobramento da Operação Primum, deflagrada pela unidade especializada da PJC em novembro de 2025.
Os mandados são cumpridos simultaneamente nos Estados de Mato Grosso e do Rio de Janeiro. Em Mato Grosso, as ordens judiciais são cumpridas nas cidades de Sinop (480 km de Cuiabá), Feliz Natal (511 km de Cuiabá) e Cuiabá. No Estado do Rio de Janeiro, os alvos dos mandados estão localizados na capital e na cidade de Nova Iguaçu.
O cumprimento das ordens judiciais conta com o apoio das equipes da Coordenadoria de Operações e Recursos Especiais da Polícia Civil de Mato Grosso e da Delegacia de Repressão às Ações Criminosas Organizadas e Inquéritos Especiais (Draco) da Polícia Civil do Rio de Janeiro.
DESDOBRAMENTO DE INVESTIGAÇÕES
A Operação Primum, que deu origem às investigações, teve como alvo a mesma facção criminosa, atuante em Sinop e região e com conexões no Rio de Janeiro.
Na ocasião, foram cumpridas 41 ordens judiciais expedidas pela 5ª Vara Criminal de Sinop, sendo 12 mandados de prisão temporária, 10 de busca e apreensão domiciliar, 12 sequestros de bens e ativos, três sequestros de veículos e quatro medidas cautelares diversas.
A partir dos elementos coletados na operação, a equipe da Draco de Sinop deu continuidade ao trabalho investigativo, aprofundando a análise das movimentações bancárias e telemáticas dos envolvidos.
O avanço das investigações resultou no desmembramento do inquérito e na individualização das condutas que fundamentaram os pedidos das ordens judiciais da Operação Nocaute.
EXTORSÃO E LAVAGEM DE DINHEIRO
As investigações apuraram que uma vítima foi coagida, mediante grave ameaça, a realizar transferências bancárias que somaram aproximadamente R$ 169 mil. Os valores ingressaram inicialmente em contas de dois suspeitos e, na sequência, foram pulverizados entre diversas outras pessoas ligadas à facção criminosa.
A movimentação foi um dos indícios levantados pela Polícia Civil, que revelaram a estrutura do grupo criminoso, com divisão de funções entre articuladores, executores e agentes de apoio logístico e financeiro.
FLAGRANTE
Durante o cumprimento das ordens judiciais no município de Feliz Natal, foi apreendido um veículo Nissan Kicks, roubado em dezembro de 2024, e um motor de um veículo HR-V, também produto de roubo. Além de ter o mandado de prisão preventiva cumprido, o alvo foi autuado em flagrante por receptação.
Nas buscas na casa de outro alvo foi apreendido R$ 8 mil em dinheiro.
NOME DA OPERAÇÃO
A denominação Nocaute faz referência a um golpe decisivo, utilizado no boxe para interromper uma luta. O nome simboliza a atuação da Polícia Civil contra a estrutura da facção criminosa, com o objetivo de atingir seus integrantes, desarticular suas atividades e interromper o fluxo financeiro utilizado pelo grupo para a prática de crimes. (HNT)
Alerta
Roubo de 132 canetas de Mounjaro em Cuiabá acende alerta para comércio ilegal de medicamentos para emagrecimento
Popularização das chamadas “canetas emagrecedoras” também impulsiona venda clandestina, falsificações e produtos sem procedência; autoridades alertam para riscos à saúde
O roubo de 132 canetas de Mounjaro de uma farmácia no Centro de Cuiabá chama atenção para um problema que vem crescendo junto com a popularização dos medicamentos utilizados no tratamento da obesidade: o comércio ilegal de produtos injetáveis, falsificados, contrabandeados ou vendidos fora dos canais autorizados.
O crime ocorreu em uma farmácia localizada na Avenida Getúlio Vargas. Segundo as informações divulgadas sobre o caso, criminosos ameaçaram funcionários e levaram aproximadamente 33 caixas do medicamento, cada uma contendo quatro canetas. Suspeitos foram presos posteriormente e parte dos produtos foi recuperada.
O episódio evidencia o elevado valor comercial e a grande procura por esse tipo de medicamento. Embora não haja confirmação de que as unidades roubadas seriam destinadas especificamente ao mercado clandestino, autoridades sanitárias já vêm alertando para o crescimento da venda irregular de medicamentos utilizados para emagrecimento.
Mercado clandestino cresce com procura pelas canetas
Medicamentos à base de substâncias como tirzepatida e semaglutida ganharam grande popularidade nos últimos anos.
Paralelamente à venda regular em farmácias, produtos sem registro sanitário ou de origem duvidosa passaram a ser oferecidos por meio de redes sociais, sites, grupos de aplicativos de mensagens e vendedores particulares.
A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) tem adotado medidas de fiscalização e determinado apreensão e proibição de produtos comercializados irregularmente.
Entre os problemas identificados pelas autoridades estão medicamentos de origem desconhecida, importação irregular, fabricação clandestina, falsificação e produtos anunciados sem autorização para comercialização no país.
Compra pela internet e redes sociais aumenta riscos
Um dos principais alertas envolve consumidores que procuram preços mais baixos fora das farmácias e drogarias regularizadas.
A compra em canais informais impede que o consumidor tenha segurança sobre a verdadeira procedência do produto.
Uma caneta comercializada clandestinamente pode conter dosagem diferente da informada, princípio ativo distinto daquele anunciado ou até apresentar problemas de contaminação.
Outro risco está relacionado ao transporte e armazenamento.
Medicamentos injetáveis precisam permanecer dentro de condições específicas de conservação. Caso sejam transportados de maneira inadequada ou permaneçam fora da temperatura recomendada, sua qualidade pode ser comprometida mesmo quando a embalagem aparentemente está intacta.
Roubo de medicamentos aumenta preocupação
O caso registrado em Cuiabá também desperta atenção sobre a possibilidade de medicamentos provenientes de crimes chegarem ao consumidor final por meio do mercado informal.
Mesmo quando o medicamento é originalmente verdadeiro, depois de ser furtado ou roubado não existe garantia de que tenha permanecido armazenado e transportado nas condições necessárias.
Por isso, ofertas de Mounjaro ou de outras canetas para emagrecimento por preços muito inferiores aos praticados normalmente devem ser encaradas com cautela, principalmente quando feitas por pessoas físicas, perfis desconhecidos nas redes sociais ou grupos de mensagens.
O consumidor também pode, sem saber, adquirir um produto proveniente de roubo, furto, contrabando ou falsificação.
Falsificação representa risco direto à saúde
Além da origem criminosa, existe preocupação crescente com medicamentos falsificados.
Produtos sem registro ou procedência comprovada não oferecem garantia de qualidade, segurança ou eficácia.
No caso de medicamentos injetáveis, o risco pode ser ainda maior. Falta de esterilidade, armazenamento inadequado, dosagens incorretas ou utilização de substâncias desconhecidas podem provocar efeitos adversos graves.
A aparência da embalagem também não garante que o produto seja legítimo, já que falsificações podem reproduzir rótulos, caixas e dispositivos semelhantes aos originais.
Uso exige acompanhamento profissional
As chamadas canetas de emagrecimento não devem ser tratadas como produtos comuns de consumo.
São medicamentos que possuem indicações específicas e cujo uso precisa considerar as condições clínicas de cada paciente.
Acompanhamento profissional é importante para avaliar a indicação do tratamento, estabelecer dosagens adequadas, identificar possíveis contraindicações e acompanhar eventuais efeitos adversos.
O uso por conta própria, principalmente de medicamentos adquiridos clandestinamente, aumenta os riscos.
Desconfie de preços muito abaixo do mercado
Consumidores devem redobrar a atenção diante de anúncios prometendo medicamentos importados, sem receita, com entrega informal ou por preços muito abaixo daqueles encontrados nos estabelecimentos regulares.
Entre os sinais de alerta estão produtos vendidos sem nota fiscal, embalagens diferentes das comercializadas oficialmente no país, ausência de informações de origem e ofertas realizadas exclusivamente por perfis de redes sociais ou contatos pessoais.
A recomendação é adquirir medicamentos somente em farmácias e drogarias regularizadas e verificar a procedência antes da utilização.
A popularização das canetas para emagrecimento criou um mercado de alto valor econômico e, ao mesmo tempo, abriu espaço para falsificadores, contrabandistas e comerciantes clandestinos.
O roubo ocorrido em Cuiabá mostra que esses medicamentos também passaram a despertar o interesse da criminalidade pelo elevado valor de revenda. Para o consumidor, adquirir uma caneta fora da cadeia regular pode representar não apenas o risco de financiar um mercado ilegal, mas também colocar a própria saúde em perigo.
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