Polícia
Homem que matou esposa e filho de 4 meses ‘não demonstrou nenhum sentimento’, diz delegado

“Não demonstrou nenhum sentimento, não chorou, não escorreu uma lágrima. Só falou: ‘Tô arrependido’”. O relato é do delegado Daniel de Moura, responsável pela investigação do feminicídio de Taymilla Reis da Silva, de 23 anos, e da morte do filho dela, Emanuel Reis Gonçalves, de apenas 4 meses. O suspeito dos crimes, Jailton Gonçalves Coelho, de 29 anos, teria afirmado estar arrependido durante o interrogatório, mas, segundo o investigador, não demonstrou emoção ao falar sobre as mortes.
A declaração foi dada pelo delegado ao Leiagora após Jailton prestar depoimento à Polícia Civil. O homem foi preso na quinta-feira (17), em uma propriedade rural às margens da MT-412, em São Félix do Araguaia.
Segundo Daniel de Moura, apesar de afirmar que se arrependeu, Jailton tentou justificar o ataque contra Taymilla. Conforme a versão apresentada pelo suspeito, a mulher teria o agredido com um pedaço de madeira durante uma discussão e, diante disso, ele teria “perdido a cabeça” e utilizado um canivete para atacá-la.
“Ele falou: ‘Tô arrependido, mas ela quem bateu’. Não sei se foi por isso que eu perdi a cabeça e fiz isso”, relatou o delegado.
Discussão antes do crime
Conforme o depoimento prestado por Jailton, o casal discutia porque Taymilla queria ir para Porto Alegre do Norte. Segundo o delegado, os dois não haviam terminado o relacionamento.
A jovem pretendia deixar a propriedade rural, mas o deslocamento não ocorreu porque o veículo da fazenda apresentou um problema.
“Ela queria ir para a cidade, Porto Alegre do Norte, e ficar lá. […] ele ia levar ela até a cidade, só que ela queria ir antes. E aí o carro deu um problema, o carro da fazenda, e ele não conseguiu levar no dia. Aí começou uma discussão lá”, explicou Daniel.
Segundo o investigador, a discussão teria aumentado de intensidade até resultar nos ataques.
Bebê estava vivo, diz delegado
Na versão apresentada pelo suspeito, o bebê teria sido atingido sem intenção enquanto ele atacava Taymilla. A criança estaria no colo da mãe no momento dos primeiros golpes.
Entretanto, conforme o delegado, o irmão da vítima chegou ao local durante a agressão e viu Emanuel ainda vivo, chorando a alguns metros dos pais.
A Polícia Civil continua investigando a sequência dos acontecimentos e a motivação para a morte do bebê.
Outros filhos
Taymilla e Jailton tinham outros três filhos, com idades entre 3 e 8 anos. As crianças estavam com a família materna em Porto Alegre do Norte e não presenciaram o crime.
O casal também tinha outro filho, que morreu anteriormente em decorrência de meningite. Jailton permanece preso e à disposição da Justiça. (Leiagora)
Polícia
Polícia mira núcleo do CV com conexão no RJ e atuação em MT

Polícia Civil de Mato Grosso deflagrou, na manhã desta sexta-feira (18), a Operação Nocaute para cumprir 51 ordens judiciais contra integrantes do núcleo de uma facção criminosa instalada em Sinop, com conexões no Estado do Rio de Janeiro.
São cumpridos, na operação, 11 mandados de prisão preventiva, 13 de busca e apreensão, 13 de quebra de sigilo telefônico e telemático e 14 medidas de sequestro de bens e valores, expedidos pelo Núcleo de Justiça 4.0 do Juízo das Garantias – Polo Sinop. Os alvos são investigados pelos crimes de organização criminosa e lavagem de dinheiro.
As investigações, conduzidas em inquérito policial instaurado pela Delegacia de Repressão ao Crime Organizado (Draco) de Sinop, são um desdobramento da Operação Primum, deflagrada pela unidade especializada da PJC em novembro de 2025.
Os mandados são cumpridos simultaneamente nos Estados de Mato Grosso e do Rio de Janeiro. Em Mato Grosso, as ordens judiciais são cumpridas nas cidades de Sinop (480 km de Cuiabá), Feliz Natal (511 km de Cuiabá) e Cuiabá. No Estado do Rio de Janeiro, os alvos dos mandados estão localizados na capital e na cidade de Nova Iguaçu.
O cumprimento das ordens judiciais conta com o apoio das equipes da Coordenadoria de Operações e Recursos Especiais da Polícia Civil de Mato Grosso e da Delegacia de Repressão às Ações Criminosas Organizadas e Inquéritos Especiais (Draco) da Polícia Civil do Rio de Janeiro.
DESDOBRAMENTO DE INVESTIGAÇÕES
A Operação Primum, que deu origem às investigações, teve como alvo a mesma facção criminosa, atuante em Sinop e região e com conexões no Rio de Janeiro.
Na ocasião, foram cumpridas 41 ordens judiciais expedidas pela 5ª Vara Criminal de Sinop, sendo 12 mandados de prisão temporária, 10 de busca e apreensão domiciliar, 12 sequestros de bens e ativos, três sequestros de veículos e quatro medidas cautelares diversas.
A partir dos elementos coletados na operação, a equipe da Draco de Sinop deu continuidade ao trabalho investigativo, aprofundando a análise das movimentações bancárias e telemáticas dos envolvidos.
O avanço das investigações resultou no desmembramento do inquérito e na individualização das condutas que fundamentaram os pedidos das ordens judiciais da Operação Nocaute.
EXTORSÃO E LAVAGEM DE DINHEIRO
As investigações apuraram que uma vítima foi coagida, mediante grave ameaça, a realizar transferências bancárias que somaram aproximadamente R$ 169 mil. Os valores ingressaram inicialmente em contas de dois suspeitos e, na sequência, foram pulverizados entre diversas outras pessoas ligadas à facção criminosa.
A movimentação foi um dos indícios levantados pela Polícia Civil, que revelaram a estrutura do grupo criminoso, com divisão de funções entre articuladores, executores e agentes de apoio logístico e financeiro.
FLAGRANTE
Durante o cumprimento das ordens judiciais no município de Feliz Natal, foi apreendido um veículo Nissan Kicks, roubado em dezembro de 2024, e um motor de um veículo HR-V, também produto de roubo. Além de ter o mandado de prisão preventiva cumprido, o alvo foi autuado em flagrante por receptação.
Nas buscas na casa de outro alvo foi apreendido R$ 8 mil em dinheiro.
NOME DA OPERAÇÃO
A denominação Nocaute faz referência a um golpe decisivo, utilizado no boxe para interromper uma luta. O nome simboliza a atuação da Polícia Civil contra a estrutura da facção criminosa, com o objetivo de atingir seus integrantes, desarticular suas atividades e interromper o fluxo financeiro utilizado pelo grupo para a prática de crimes. (HNT)
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