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Saúde

‘Sofri dez abortos, mas não desisti e consegui dar à luz meu filho’

É o que conta Jen no relato abaixo:

Foram tantos pontos baixos na jornada para me tornar mãe, que é difícil escolher qual foi o pior.

Talvez tenha sido depois da cirurgia para retirar ambas as trompas de Falópio, o que acabou com as minhas chances de engravidar naturalmente.

Eu não queria sair da cama. Não queria ir trabalhar, tampouco ver gente. Era como se eu tivesse fracassado. Só consegui superar com o apoio do meu marido Andrew e da família.

Isso foi em abril de 2017, uma década depois que começamos a tentar.

É claro que, como recém-casados, nunca imaginamos que ter um bebê poderia ser uma provação. Naquela época, éramos um casal de 29 anos perfeitamente saudável.

Isso foi em 2007, e na primeira tentativa, engravidei rapidamente, mas abortei com seis semanas de gestação, antes mesmo de saber que estava grávida.

Fiquei triste, mas não completamente devastada; afinal, o tempo contava a nosso favor. Mas foram 18 meses até eu conseguir engravidar novamente – e desta vez, abortei com 11 semanas.

Como era de se esperar, Andrew e eu ficamos arrasados, especialmente porque fiquei internada para fazer uma curetagem, que envolveu horas de sangramento e dor.

O que é um aborto espontâneo?

– Um aborto espontâneo é a perda de um feto antes de 24 semanas de gravidez.

– 20% de todas as gestações resultam em aborto espontâneo.

– Anomalias no desenvolvimento do bebê são um dos fatores que levam ao aborto espontâneo.

– Fumo, obesidade e a idade da mulher também podem contribuir.

Mas o pior foi o efeito deste segundo aborto na nossa saúde mental.

Muitos de nossos amigos estavam começando a construir famílias e, embora estivéssemos felizes por eles, isso tornava nossas perdas ainda mais acentuadas. Pessoalmente, não conseguia deixar de me culpar. Por que meu corpo estava me boicotando? O que eu tinha feito?

Em abril de 2009, voltei a abortar depois que uma ultrassonografia mostrou que meu bebê não tinha batimentos cardíacos.

Foi então que em 2010, decidimos tentar a fertilização in vitro, esperando que fosse resolver o problema, especialmente porque os exames mostravam que não havia nada especificamente errado com a gente.

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Mal sabíamos o quão difícil este processo seria.

Na primeira rodada, foram gerados 10 embriões, mas nenhum deles resultou em gravidez. Alguns meses depois, tentamos novamente e o resultado do teste de gravidez deu positivo – mas, mais uma vez, o feto não tinha batimentos cardíacos.

Desta vez, cheguei em casa e esperei o embrião sair naturalmente, mas não foi menos doloroso ou triste do que estar no hospital.

Nesta fase, estávamos desesperados. Sem saber como proceder, pagamos 2 mil libras para realizar exames em laboratórios particulares, fizemos acupuntura e compramos suplementos – mas nada ajudou.

Ainda assim, não queríamos desistir, então não tínhamos outra opção a não ser nos acalmar e continuar tentando.

Em 2014, implantamos dois embriões em uma clínica particular, mas, no mês de outubro, quando saí para comemorar meu aniversário, senti uma dor abdominal terrível, que acabou revelando uma gravidez ectópica (quando a gestação ocorre fora do útero).

Era o fim da linha para a fertilização in vitro. Não restavam embriões congelados, tampouco mais dinheiro para tratamento.

Mas, incrivelmente, recebemos uma tábua de salvação quando a clínica de fertilização in vitro nos ofereceu uma rodada grátis, após as enfermeiras terem votado na gente como o casal mais merecedor.

Implantamos dois embriões – e congelamos mais três.

Eu tive então outras duas gestações ectópicas, o que resultou na remoção das minhas trompas de Falópio.

Fiquei arrasada ao saber que nunca seria capaz de conceber naturalmente. No total, na última década, engravidei dez vezes – seis vezes naturalmente e quatro vezes por fertilização in vitro – e simplesmente não aguentávamos mais.

Tudo o que restava eram os embriões congelados – nossa última esperança – e os dedos cruzados.

Foram meses até que o revestimento do meu útero fosse considerado espesso o suficiente para uma nova tentativa. Mas uma vez, implantamos um embrião e, depois de uma espera agonizante de duas semanas, recebemos o resultado positivo do teste de gravidez.

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Não conseguimos ter muitas esperanças durante o ultrassom, deitei na cama segurando a mão de Andrew, estava apavorada.

Mas havia algo diferente desta vez – um pequeno batimento cardíaco, algo que nunca havíamos visto antes. Ficamos em êxtase.

Mesmo assim, apesar dos enjoos matinais e da descoberta de que era um menino, Andrew achava difícil de acreditar.

Ele foi incrivelmente solidário, mas se recusou a comprar o enxoval do bebê ou decorar o quarto até as últimas semanas antes da data prevista para o parto.

Devido à minha idade – eu tinha 40 anos – o parto foi induzido para garantir que a placenta não começasse a falhar.

Mas, após horas de contrações, os médicos perceberam que o batimento cardíaco do bebê estava caindo e que o cordão umbilical estava enrolado em volta do seu pescoço.

Todo mundo sabia o que estava em jogo – não podia dar nada errado -, então fizeram uma cesariana e, na madrugada de 9 de fevereiro, nosso bebê milagroso nasceu pesando 2,96 kg.

Bobi William Bickel está agora com seis semanas, e eu não me importo se ele chora o dia todo ou se quer mamar a noite toda; Eu tenho tudo o que sempre quis.

Ao olhar para trás, ainda não conseguimos acreditar em como somos sortudos ou entender por que finalmente deu certo. Foi porque tirei as trompas? Foi por causa do peso que perdi?

Seja qual for o motivo, nós simplesmente queremos compartilhar nossa história, pois muitos outros casais estão passando por um sofrimento semelhante.

A luta para engravidar é incrivelmente difícil – fisicamente, mentalmente e emocionalmente.

Andrew e eu nos apoiávamos mutuamente, mas aconselhamos as pessoas a procurar ajuda.

Ainda temos dois embriões no freezer e tenho certeza que em algum momento vamos tentar implantá-los.

Se der certo, que assim seja. Se não, temos o nosso lindo menino, e depois de mais de uma década de sofrimento, não poderíamos ser mais gratos.

BBC

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Saúde

MT deve registrar 520 novos casos de câncer colorretal por ano até 2028

O mês de março é tomado pela cor azul-marinho com o objetivo de alertar toda a sociedade para o câncer colorretal (intestino e reto), um dos tumores mais incidentes e uma das maiores taxas de mortalidade do país, que deve registrar 26.270 novos casos da doença por ano no triênio de 2026-2028.

Só em Mato Grosso, são estimados 520 novos casos anuais deste tipo de neoplasia no mesmo período, conforme estimativa do Instituto Nacional de Câncer (Inca). Diante desse cenário, durante o mutirão do “Dia E – Ebserh em Ação”, vinculado ao programa “Agora Tem Especialistas”, do Ministério da Saúde (MS), o Hospital Universitário Júlio Müller, da Universidade Federal de Mato Grosso (HUJM-UFMT), administrado pela Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (Ebserh), alerta para importância de exames de colonoscopia.

A iniciativa também faz parte do “Março Azul-Marinho”, uma campanha de conscientização sobre a prevenção e o combate ao câncer colorretal. Durante o mutirão, realizado neste dia 21, caso seja identificada alguma doença durante os exames, os pacientes passam a ser acompanhados pelo serviço de coloproctologia.

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“Realizamos uma consulta de triagem no dia do mutirão e depois realizaremos consulta dando o feedback sobre o resultado do exame e seguimento”, disse a residente R5 de Coloproctologia, Maristella Nery.

O QUE É – O câncer colorretal é um tumor maligno que se desenvolve no intestino grosso (cólon) e no reto. Atualmente, já figura como o segundo tipo de tumor mais frequente entre homens e mulheres no Brasil, quando excluídos os casos de câncer de pele não melanoma.

Coloproctologista Mardem Machado de Souza, do HUJM-UFMT, alerta que a associação de sangramento nas fezes e alterações no hábito intestinal é o alerta mais comum. No entanto, dores abdominais, perda de peso, anemia e sensação de evacuação incompleta também devem ser investigadas. “Quanto mais cedo se diagnostica, menor o risco de disseminação do tumor e maiores as chances de oferecer um tratamento efetivo e definitivo, com elevadas taxas de cura”, frisou.

O especialista informa ainda que, embora existam métodos como a pesquisa de sangue oculto nas fezes e exames parciais do intestino, a colonoscopia é considerada o exame mais completo para detecção do câncer colorretal. O procedimento permite avaliar todo o intestino grosso, retirar lesões precursoras, biopsiar tumores e até retirar lesões malignas iniciais.

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Também a maioria dos cânceres do intestino grosso e reto surge a partir de pólipos adenomatosos, que se assemelham a pequenas verrugas e podem evoluir para câncer após sete a dez anos, caso ocorram alterações genéticas.

As diretrizes internacionais recomendam o início do rastreamento a partir dos 45 anos para pessoas sem fatores de risco. Para quem possui histórico familiar, o exame é indicado a partir dos 40 anos ou dez anos antes da idade em que o familiar de primeiro grau recebeu o diagnóstico.

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