Política
Ulysses Moraes cobra posicionamento de governador sobre reajuste da Aneel
Foto: JLSIQUEIRA / ALMT
O deputado Ulysses Moraes (PL) apresentou um requerimento solicitando informações sobre o reajuste tarifário anual da energia em Mato Grosso praticado pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel). Isso porque a Aneel aprovou o reajuste anual da tarifa da Energisa Mato Grosso em 20,36% para clientes residenciais e 22,55% na média de todas as categorias.
O parlamentar usou, inclusive, a tribuna na sessão da última quarta-feira (13), questionando sobre um posicionamento do governador Mauro Mendes em relação a esse reajuste. “Apresentamos esse requerimento ao governo e ao Ministério Público do Estado questionando se o governador[Mauro Mendes] vai tomar algum tipo de providência. Até porque, na taxação do sol, o governador colocou toda a Procuradoria-Geral do Estado na ação para insistir na cobrança e agora quando a Aneel vem com esse reajuste, o governador não faz um pronunciamento, não move uma palha. Isso é uma vergonha. O governador insistiu em taxar o sol; parecia que não estava percebendo que a população estava sendo prejudicada. Uma taxação vergonhosa. E agora se ele não tomar nenhuma previdência com a Aneel realmente vai se confirmando o que já sabemos: Mauro Mendes é o maior taxador de Mato Grosso”, disse Moraes.
O governo federal anunciou, na última semana, o fim da bandeira de escassez hídrica, em vigor desde setembro do ano passado, e que gerava uma taxa extra na conta de energia elétrica de R$ 14,20 a cada 100 quilowatts-hora (kWh) consumidos. Com o fim da bandeira, não haverá mais cobrança de taxa extra na conta de luz.
Assim, segundo a Aneel, com a aplicação conjunta dos dois efeitos – o reajuste e bandeira verde -, as tarifas residenciais serão praticamente mantidas, com redução da ordem de 0,04% no estado de Mato Grosso.
“Mas agora, com esse reajuste em Mato Grosso, o consumidor lamentavelmente não vai ver praticamente nada de diferença na conta de luz aqui no estado”, pontuou o deputado.
Moraes ainda destacou em tribuna que outros governadores no Brasil quando tiveram ajustes semelhantes, fizeram estudos, acionaram a procuradoria, foram até o Tribunal de Contas da União para tentar barrar esse tipo de situação. “Mas o governador parece que não está nem aí para isso aqui. Será que Mauro Mendes não quer perder a arrecadação? Nós já sabemos que uma das maiores arrecadações de ICMS no estado é em cima da conta de energia, ou seja, isso só mostra que o governador não move uma palha para não perder a arrecadação”, finalizou o parlamentar.
Política
TJMT condena Cattani a indenizar associação LGBTQIA+ e publicar retratação

A Quarta Câmara de Direito Privado do Tribunal de Justiça de Mato Grosso condenou o deputado estadual Gilberto Cattani (PL) ao pagamento de R$ 20 mil por danos morais, além da obrigação de publicar uma retratação em seu perfil no Instagram. A decisão foi tomada nesta quarta-feira (15), após análise de recurso movido pela associação MT Queer.
O colegiado seguiu, de forma unânime, o voto do desembargador Rubens de Oliveira Santos Filho, que divergiu inicialmente da relatora Serly Marcondes Alves. Em primeira instância, a entidade havia tido o pedido negado, cenário que se repetiu em decisão inicial no próprio tribunal. No entanto, após pedido de vista, Rubens apresentou voto favorável à associação, posteriormente acompanhado pela relatora, consolidando o entendimento unânime da Câmara.
No voto, o desembargador destacou que o parlamentar possui histórico de manifestações consideradas polêmicas e apontou que, neste caso, houve extrapolação dos limites da atuação política. Segundo ele, as declarações não configuram exercício legítimo da função parlamentar, mas sim conteúdo discriminatório. “É nítido que o tom adotado não se caracteriza como crítica administrativa ou política, mas revela conteúdo de segregação e preconceito”, afirmou.
A ação tem origem em um vídeo publicado por Cattani em novembro de 2023, no qual ele criticava um curta-metragem produzido pela MT Queer. O material retratava a relação afetiva entre dois jovens e, segundo o deputado, estaria “incentivando” comportamentos entre estudantes. A interpretação foi contestada pela entidade, que acionou a Justiça alegando discurso discriminatório.
Para o relator do voto vencedor, o caso não se enquadra na proteção da imunidade parlamentar. Ele classificou a conduta como manifestação de “intolerância odiosa”, ressaltando que não há nexo funcional que justifique o conteúdo das declarações no âmbito do exercício do mandato.
Além da indenização, que será acrescida de juros e correção monetária, o deputado deverá publicar uma retratação em sua conta no Instagram por, no mínimo, 15 dias. O descumprimento poderá gerar multa diária de R$ 1 mil.
A decisão, proferida em segunda instância, ainda pode ser alvo de recursos. Caso seja mantida até o trânsito em julgado, o caso poderá ter desdobramentos na esfera eleitoral, com eventual análise à luz da Lei da Ficha Limpa, dependendo do entendimento sobre eventual incitação ao ódio e suas implicações jurídicas.
Fonte Folhamax
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