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Política

Promotor apontado como o 1º hackeado nega irregularidades alegadas por suspeito: ‘Está querendo se vingar’

O promotor de Justiça de Araraquara (SP) Marcel Zanin Bombardi, que seria a primeira autoridade a ter o celular invadido por Walter Delgatti Neto, negou que tenha cometido irregularidades alegadas pelo suspeito para justificar o hackeamento. A invasão teria levado Delgatti aos contatos de outras pessoas.

Delgatti disse em depoimento à Polícia Federal, na terça (23), que o promotor cometeu atos ilícitos em um processo contra ele por tráfico de drogas e falsificação. Disse ainda que obteve conversas em que o promotor cometia irregularidades no exercício de sua função.

“Isso é um absurdo. Não tem irregularidade nenhuma no meu exercício funcional, a corregedoria está aí me correicionando o tempo todo. Se ele tinha, por que não apresentou? O que ele está querendo fazer é se vingar agora nessa situação”, disse o promotor ao G1.

O repórter Mahomed Saigg, da TV Globo, teve acesso com exclusividade ao depoimento de Delgatti nesta sexta-feira (26).

Delgatti, que é de Araraquara e morava em Ribeirão Preto, e outras três pessoas foram presas pela Polícia Federal, na terça, por suspeita de envolvimento na invasão de contas do aplicativo de mensagens Telegram do ministro Sergio Moro (Justiça) e outras autoridades.

Invasão do celular de promotor

Em abril de 2017, Delgatti foi preso com comprimidos de um medicamento com venda proibida, além de uma carteirinha de estudante de medicina da USP com a foto dele e dados pessoais de outra pessoa.

O promotor Bombardi ofereceu a denúncia contra Delgatti, que foi condenado a dois anos de prisão por tráfico de falsificação

No depoimento dado à PF na terça (23), Delgatti afirma que Bombardi cometeu atos ilícitos no processo e, por isso, resolveu acessar sua conta do Telegram. No depoimento, ele não especificou quais foram as irregularidades.

Delgatti disse ainda que obteve conversas de conteúdo de interesse público realizados pelo promotor, que estaria, segundo ele, cometendo irregularidades no exercício de sua função. Ele também não esclarece quais são elas.

Disse ainda que o conteúdo das conversas foi armazenado em seu notebook e em um cloud (nuvem) da Dropbox e que “resolveu não publicar o material obtido na conta do Telegram de Marcel Zanin por temer ser vinculado ao ataque, tendo em vista que morava em uma cidade pequena e era conhecido por ter conhecimento avançados em informática”.

Promotor nega irregularidades

Ao G1, o promotor negou qualquer tipo de irregularidade. Disse ainda ser difícil ter a imagem atacada por questões vagas e genéricas.

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“Se ele tinha essas supostas irregularidades ele teria divulgado no momento, até porque eu não iria vincular a ele. Um processo normal entre milhares que eu atuo, ele não tem esse conhecimento de informática e a cidade não é tão pequena da forma como ele está dizendo, não tem sentido isso. Por não ter [irregularidade] é que ele está prejudicando a minha imagem, alegando genericamente este tipo de conduta” , afirmou.

Sobre a invasão ao seu celular, o promotor disse que ainda não foi oficialmente comunicado. “Eu não sei se é verdade o que ele está dizendo. Tenho muitos contatos no meu telefone porque sou promotor do Gaeco, tenho contatos de delegados, agentes da PF e de outros promotores de Justiça. Se ele invadiu ele pode ter obtido contatos telefônicos a partir do meu sim”, disse.

MPSP pediu compartilhamento de provas

Em nota, o Ministério Público do Estado de São Paulo (MPSP) informou que já pediu o compartilhamento de provas à Polícia Federal sobre o caso da invasão ao celular do promotor para tomar medidas legais cabíveis.

“Informa ainda que o promotor havia oferecido denúncia contra Walter Delgatti Neto por tráfico de drogas e falsificação de documento, no mais estrito cumprimento de seu dever funcional”, disse no comunicado.

Depoimento à PF

Delgatti Neto contou em depoimento na terça como invadiu as contas do aplicativo. Logo no início do depoimento, Walter Delgatti – que disse sempre utilizar serviços de voz sobre IP (Voip) para economizar em ligações telefônicas – explicou aos policiais que descobriu como invadir as contas do Telegram ao fazer uma ligação para um médico, em março deste ano. O hacker disse que, no identificador de chamadas, substituiu o número dele pelo do médico, por meio do sistema de Voip.

Com isso, afirmou Delgatti, ele conseguiu acessar a caixa postal do telefone do médico e escutou todas as mensagens que estavam gravadas. A partir desse momento, revelou o hacker, ele percebeu que poderia obter os códigos do Telegram de outras pessoas acessando as mensagens armazenadas em correios de voz.

Segundo ele, antes de invadir celulares de autoridades, testou esse método de obtenção do código de acesso enviado pelo aplicativo de mensagens em sua própria conta do Telegram.

Após o teste, relatou Walter Delgatti aos policiais federais, ele começou a obter os telefones de autoridades a partir do acesso ao celular do promotor de Justiça Marcel Zanin Bombardi, de Araraquara (SP), que havia oferecido denúncia contra ele por tráfico de drogas.

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Por meio da agenda da conta do Telegram do promotor, disse o hacker, ele teve acesso ao número de telefone de um procurador da República, que afirmou não lembrar o nome. O procurador participava de um grupo de mensagens chamado “Valoriza MPF”.

Com base na agenda desse procurador, relatou o hacker, ele conseguiu acesso ao número de telefone do deputado federal Kim Kataguiri (DEM-SP), um dos líderes do Movimento Brasil Livre, que ganhou notoriedade ao atuar nas manifestações pelo impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff.

De acordo com Delgatti, com base na agenda do Telegram de Kim Kataguiri, ele obteve o número de celular do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). A partir do acesso ao celular do magistrado, contou, conseguiu o número de telefone do ex-procurador-geral da República Rodrigo Janot.

A partir da agenda de Janot, disse, chegou aos telefones de procuradores da República integrantes da força-tarefa da Lava Jato, entre os quais Deltan Dallagnol, Orlando Martello Júnior e Januário Paludo.

Walter Delgatti afirmou que todos os acessos às contas das autoridades ocorreram entre março e maio deste ano.

Ainda de acordo com a transcrição do depoimento, ele disse que não editou os diálogos e que não conseguiu obter nenhum conteúdo das contas do ministro Sergio Moro no aplicativo Telegram.

Acrescentou, ainda, que, por meio de um sistema de armazenamento de arquivos em nuvem, enviou os registros das conversas ao jornalista Glenn Greenwald, do site The Intercept Brasil, e que a ex-deputada federal Manuela D’Ávila (PCdoB-RS) foi a intermediária entre ele e o jornalista.

Desde junho, o site publica reportagens com trechos de diálogos atribuídos ao ministro da Justiça, Sérgio Moro, ex-juiz federal, e a integrantes da força-tarefa da Operação Lava Jato. O site não revelou a fonte nem como obteve os registros das conversas.

Em outro trecho, Walter Delgatti Neto também afirmou que não recebeu dinheiro para hackear os telefones de autoridades e que “não exerce nenhuma profissão remunerada, obtendo seus rendimentos de aplicações financeiras que possui”.

Delgatti foi ouvido novamente nesta sexta-feira (26) na PF. O advogado de defesa dele, Luís Gustavo Delgado, ficou mais de duas horas na sede da PF em Brasília. Ele saiu sem falar com a imprensa.

G1

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Política

TJMT condena Cattani a indenizar associação LGBTQIA+ e publicar retratação

A Quarta Câmara de Direito Privado do Tribunal de Justiça de Mato Grosso condenou o deputado estadual Gilberto Cattani (PL) ao pagamento de R$ 20 mil por danos morais, além da obrigação de publicar uma retratação em seu perfil no Instagram. A decisão foi tomada nesta quarta-feira (15), após análise de recurso movido pela associação MT Queer.

O colegiado seguiu, de forma unânime, o voto do desembargador Rubens de Oliveira Santos Filho, que divergiu inicialmente da relatora Serly Marcondes Alves. Em primeira instância, a entidade havia tido o pedido negado, cenário que se repetiu em decisão inicial no próprio tribunal. No entanto, após pedido de vista, Rubens apresentou voto favorável à associação, posteriormente acompanhado pela relatora, consolidando o entendimento unânime da Câmara.

No voto, o desembargador destacou que o parlamentar possui histórico de manifestações consideradas polêmicas e apontou que, neste caso, houve extrapolação dos limites da atuação política. Segundo ele, as declarações não configuram exercício legítimo da função parlamentar, mas sim conteúdo discriminatório. “É nítido que o tom adotado não se caracteriza como crítica administrativa ou política, mas revela conteúdo de segregação e preconceito”, afirmou.

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A ação tem origem em um vídeo publicado por Cattani em novembro de 2023, no qual ele criticava um curta-metragem produzido pela MT Queer. O material retratava a relação afetiva entre dois jovens e, segundo o deputado, estaria “incentivando” comportamentos entre estudantes. A interpretação foi contestada pela entidade, que acionou a Justiça alegando discurso discriminatório.

Para o relator do voto vencedor, o caso não se enquadra na proteção da imunidade parlamentar. Ele classificou a conduta como manifestação de “intolerância odiosa”, ressaltando que não há nexo funcional que justifique o conteúdo das declarações no âmbito do exercício do mandato.

Além da indenização, que será acrescida de juros e correção monetária, o deputado deverá publicar uma retratação em sua conta no Instagram por, no mínimo, 15 dias. O descumprimento poderá gerar multa diária de R$ 1 mil.

A decisão, proferida em segunda instância, ainda pode ser alvo de recursos. Caso seja mantida até o trânsito em julgado, o caso poderá ter desdobramentos na esfera eleitoral, com eventual análise à luz da Lei da Ficha Limpa, dependendo do entendimento sobre eventual incitação ao ódio e suas implicações jurídicas.

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Fonte Folhamax

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