Política
Prisão em 2ª instância: Alcolumbre diz que busca acordo com Câmara sobre propostas
O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (DEM-AP), afirmou nesta quinta-feira (21), em nota divulgada pela assessoria, que busca um acordo com a Câmara dos Deputados sobre as propostas que permitem a prisão após condenação em segunda instância.
Enquanto a Comissão de Constituição e Justiça do Senado analisa um projeto de lei sobre o tema, a CCJ da Câmara aprovou nesta semana a tramitação de uma proposta de emenda à Constituição (PEC) que permite a prisão. O texto será analisado, agora, por uma comissão especial.
“Trabalhamos pela construção e aperfeiçoamento de uma proposta comum entre as duas Casas”, afirmou Alcolumbre na nota.
O trajeto de um projeto de lei costuma ser mais curto do que o de uma Proposta de Emenda à Constituição. Regimentalmente, uma PEC exige mais tempo de discussão e votação – e maior número de votos favoráveis para ser aprovada
No último dia 7, o Supremo Tribunal Federal (STF) derrubou a possibilidade de prisão de condenados em segunda instância (leia detalhes mais abaixo).
Com isso, o Congresso Nacional passou a discutir propostas que permitam esse tipo de prisão.
É atribuição de Alcolumbre agendar as sessões de votação do Congresso Nacional, em que deputados e senadores decidem sobre vetos presidenciais e projetos de crédito. O senador agendou sessão para a próxima quarta-feira (27), às 10h, mesma data e horário da reunião da CCJ marcada para analisar o projeto da segunda instância.
As comissões não podem funcionar simultaneamente à sessão de votação do plenário, segundo o regimento.
Impasse
O fato de o tema ter avançado na Câmara gerou um impasse no Senado e foi assunto em reuniões entre líderes partidários nesta quinta-feira.
Ao todo, sete propostas sobre prisão em segunda instância tramitam no Senado. A que altera o Código de Processo Penal está pronta para ser votada na CCJ da Casa já na próxima quarta-feira (27). Na próxima terça-feira (26), está marcada uma audiência pública para a discussão do projeto.
Em uma das reuniões desta quinta, foi levantada a hipótese de o Senado suspender os debates sobre o assunto e aguardar o envio da proposta da Câmara para análise dos senadores, o que só deve acontecer no próximo ano.
“A Câmara gerou um outro fato e nós estamos nos adaptando a ele. É dialogar com a Câmara para poder produzir de forma conjunta uma solução”, afirmou Weverton Rocha (PDT-MA), líder do PDT no Senado.
““Pode acontecer de os líderes e o presidente do Senado e os líderes e o presidente da Câmara dizerem que vamos partir para a unificação desse debate […]. As duas Casas são independentes, mas óbvio que, se não tiver diálogo entre as duas, vão nascer letras frias e mortas, porque não vão andar na outra Casa”, acrescentou.
A possibilidade é alvo de críticas entre os defensores da retomada da prisão após a segunda instância. Um parlamentar dessa ala disse ao G1 que o avanço na Câmara está sendo usado como “pretexto” por senadores contrários à mudança para travar o assunto no Senado.
“Há uma estratégia em curso, que é a da protelação. Empurrar com a barriga, jogar, quem sabe, para o próximo ano a fim de que a pressão seja minimizada. A aprovação da PEC [na CCJ da Câmara] é o pretexto para suspender a votação no Senado”, protestou esse senador.
Líder do governo no Congresso, o senador Eduardo Gomes (MDB-TO) diz que a conclusão dos debates sobre o tema pode ficar para o próximo ano.
“É melhor o Brasil ter um dispositivo legal consolidado no começo de 2020 do que tentar atropelar um processo legislativo e levar à população a mesma dúvida que a matéria já aprovada na Constituição levou ao próprio Supremo Tribunal Federal, que já mudou várias vezes o seu entendimento”, disse.
Eduardo Gomes acrescentou que existe uma “movimentação forte” sobre o que chamou de “fato novo” – a aprovação da PEC na CCJ da Câmara – e que isso “mexeu” com as estratégias das Casas legislativas.
Nos próximos dias, líderes partidários devem participar de novas reuniões para debater o assunto. Enquanto não se chega a um acordo, a presidente da CCJ do Senado, Simone Tebet (MDB-MS), diz que está mantido no colegiado o cronograma para análise do projeto que altera o Código de Processo Penal.
Julgamento no STF
No último dia 7, o STF decidiu por 6 votos a 5 derrubar a possibilidade de prisão de condenados em segunda instância, alterando um entendimento adotado desde 2016.
A maioria dos ministros entendeu que a prisão de uma pessoa condenada só pode ser decretada após o trânsito em julgado, isto é, quando se esgotarem as possibilidades de recurso a todas as instâncias da Justiça.
Um dia após a decisão do STF, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva deixou a sala em que estava preso na superintendência da Polícia Federal em Curitiba.
G1
Política
TJMT condena Cattani a indenizar associação LGBTQIA+ e publicar retratação

A Quarta Câmara de Direito Privado do Tribunal de Justiça de Mato Grosso condenou o deputado estadual Gilberto Cattani (PL) ao pagamento de R$ 20 mil por danos morais, além da obrigação de publicar uma retratação em seu perfil no Instagram. A decisão foi tomada nesta quarta-feira (15), após análise de recurso movido pela associação MT Queer.
O colegiado seguiu, de forma unânime, o voto do desembargador Rubens de Oliveira Santos Filho, que divergiu inicialmente da relatora Serly Marcondes Alves. Em primeira instância, a entidade havia tido o pedido negado, cenário que se repetiu em decisão inicial no próprio tribunal. No entanto, após pedido de vista, Rubens apresentou voto favorável à associação, posteriormente acompanhado pela relatora, consolidando o entendimento unânime da Câmara.
No voto, o desembargador destacou que o parlamentar possui histórico de manifestações consideradas polêmicas e apontou que, neste caso, houve extrapolação dos limites da atuação política. Segundo ele, as declarações não configuram exercício legítimo da função parlamentar, mas sim conteúdo discriminatório. “É nítido que o tom adotado não se caracteriza como crítica administrativa ou política, mas revela conteúdo de segregação e preconceito”, afirmou.
A ação tem origem em um vídeo publicado por Cattani em novembro de 2023, no qual ele criticava um curta-metragem produzido pela MT Queer. O material retratava a relação afetiva entre dois jovens e, segundo o deputado, estaria “incentivando” comportamentos entre estudantes. A interpretação foi contestada pela entidade, que acionou a Justiça alegando discurso discriminatório.
Para o relator do voto vencedor, o caso não se enquadra na proteção da imunidade parlamentar. Ele classificou a conduta como manifestação de “intolerância odiosa”, ressaltando que não há nexo funcional que justifique o conteúdo das declarações no âmbito do exercício do mandato.
Além da indenização, que será acrescida de juros e correção monetária, o deputado deverá publicar uma retratação em sua conta no Instagram por, no mínimo, 15 dias. O descumprimento poderá gerar multa diária de R$ 1 mil.
A decisão, proferida em segunda instância, ainda pode ser alvo de recursos. Caso seja mantida até o trânsito em julgado, o caso poderá ter desdobramentos na esfera eleitoral, com eventual análise à luz da Lei da Ficha Limpa, dependendo do entendimento sobre eventual incitação ao ódio e suas implicações jurídicas.
Fonte Folhamax
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