Política
Mourão embarca para os EUA, na primeira viagem ao país como vice-presidente
O vice-presidente Hamilton Mourão embarcou na manhã desta sexta-feira (5) para sua primeira viagem aos Estados Unidos desde a posse do governo de Jair Bolsonaro. Entre os compromissos previstos está um encontro em Washington com o vice-presidente norte-americano, Mike Pence.
Mourão decolou na base área de Brasília e desembarca no final da tarde em Boston, primeira parada da viagem, que tem atividades agendadas até terça-feira (9). O vice terá encontros com empresários, estudantes, diplomatas brasileiros e dará palestras.
Segundo a programação divulgada pela assessoria do vice-presidente, ele concederá uma entrevista neste sábado ao filósofo e professor Mangabeira Unger, ministro nos governos Luiz Inácio Lula da Silva e Dilma Rousseff.
Mourão também se encontrará em Boston com estudantes brasileiros da universidade de Harvard, uma das mais prestigiadas do mundo, e com o empresário Jorge Paulo Lemann.
O vice-presidente dará uma palestra sobre os primeiros 100 dias do governo de Jair Bolsonaro no domingo (7), no “Brazil Conference”.
O evento tem previsão de reunir em palestras distintas parlamentares, governadores, juristas, o ministro Santos Cruz (Secretaria de Governo), o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso e os candidatos a presidente em 2018 Ciro Gomes, Henrique Meirelles e Geraldo Alckmin.
Mike Pence
Mourão viaja no domingo para Washington, onde terá uma audiência com o vice-presidente norte-americano na segunda-feira. Segundo Mourão, será uma reunião para “um conhecer o outro”.
“Não tem tema [a reunião], é simplesmente fazer a aproximação entre os dois, uma vez que naquela reunião que teve do Grupo de Lima, em Bogotá, a gente só se cumprimentou e não conversamos. É conversar para um conhecer o outro”, explicou o vice a jornalistas.
Mourão viaja aos EUA no mês seguinte à visita de Bolsonaro a Washington. Bolsonaro, na oportunidade, teve uma audiência na Casa Branca com o presidente norte-americano Donald Trump.
Bolsonaro defende uma maior aproximação com os EUA desde a campanha eleitoral do ano passado. Sua visita a Washington durou três dias.
Neste período, o governo publicou um decreto assinado pelo presidente autorizando turistas de Estados Unidos, Japão, Canadá e Austrália a entrar no Brasil sem visto.
Também foram assinados alguns acordos, entre os quais o que permite aos EUA lançar satélites da base de Alcântara, no Maranhão, e o que prevê a troca de informações entre a Polícia Federal e o FBI, a polícia federal norte-americana.
Agenda
Sexta-feira (5)
- 17h50: chegada a Boston
- 19: jantar privado
Sábado (6)
- 8h30: entrevista com Roberto Mangabeira Unger
- 9h30: encontro com estudantes brasileiros de Harvard
- 10h30: audiência com o professor Frank McCann
- 11h: audiência com Jorge Paulo Lemann
- 11h30: almoço no “Roadshow Brazil Conference”
- 15h: audiência com Cristina Junqueira, vice-presidente do Nubank
- 16h: audiência com brasileiros que vivem em Boston
- 19: jantar privado
Domingo (7)
- 9h30: conferência no Brazil Conference
- 10h45: cerimônia de encerramento do Brazil Conference
- 15h: partida de Boston para Washington
- 16h40: chegada a Washington
- 18h30: jantar oferecido pelo embaixador Sérgio Amaral
Segunda-feira (8)
- 10h: reunião com embaixador Sérgio Amaral e diplomatas
- 11h30: almoço com formadores de opinião
- 14h: encontro com o vice-presidente dos EUA, Mike Pence
- 15h20: conferência de imprensa
- 16h: mesa redonda no US Chamber of Commerce
- 17h30: jantar oferecido pela diretoria do US Chamber of Commerce
Terça-feira (9)
- 10h30: encontro com senadores da comissão de relações exteriores do Senado dos EUA
- 11h30: almoço com autoridades governamentais
- 15h15: reunião com especialistas em geopolítica
- 16h30: participação em evento no Wilson Center
- 18h30: jantar oferecido pela diretoria do Council of the Americas
G1 Política
Política
TJMT condena Cattani a indenizar associação LGBTQIA+ e publicar retratação

A Quarta Câmara de Direito Privado do Tribunal de Justiça de Mato Grosso condenou o deputado estadual Gilberto Cattani (PL) ao pagamento de R$ 20 mil por danos morais, além da obrigação de publicar uma retratação em seu perfil no Instagram. A decisão foi tomada nesta quarta-feira (15), após análise de recurso movido pela associação MT Queer.
O colegiado seguiu, de forma unânime, o voto do desembargador Rubens de Oliveira Santos Filho, que divergiu inicialmente da relatora Serly Marcondes Alves. Em primeira instância, a entidade havia tido o pedido negado, cenário que se repetiu em decisão inicial no próprio tribunal. No entanto, após pedido de vista, Rubens apresentou voto favorável à associação, posteriormente acompanhado pela relatora, consolidando o entendimento unânime da Câmara.
No voto, o desembargador destacou que o parlamentar possui histórico de manifestações consideradas polêmicas e apontou que, neste caso, houve extrapolação dos limites da atuação política. Segundo ele, as declarações não configuram exercício legítimo da função parlamentar, mas sim conteúdo discriminatório. “É nítido que o tom adotado não se caracteriza como crítica administrativa ou política, mas revela conteúdo de segregação e preconceito”, afirmou.
A ação tem origem em um vídeo publicado por Cattani em novembro de 2023, no qual ele criticava um curta-metragem produzido pela MT Queer. O material retratava a relação afetiva entre dois jovens e, segundo o deputado, estaria “incentivando” comportamentos entre estudantes. A interpretação foi contestada pela entidade, que acionou a Justiça alegando discurso discriminatório.
Para o relator do voto vencedor, o caso não se enquadra na proteção da imunidade parlamentar. Ele classificou a conduta como manifestação de “intolerância odiosa”, ressaltando que não há nexo funcional que justifique o conteúdo das declarações no âmbito do exercício do mandato.
Além da indenização, que será acrescida de juros e correção monetária, o deputado deverá publicar uma retratação em sua conta no Instagram por, no mínimo, 15 dias. O descumprimento poderá gerar multa diária de R$ 1 mil.
A decisão, proferida em segunda instância, ainda pode ser alvo de recursos. Caso seja mantida até o trânsito em julgado, o caso poderá ter desdobramentos na esfera eleitoral, com eventual análise à luz da Lei da Ficha Limpa, dependendo do entendimento sobre eventual incitação ao ódio e suas implicações jurídicas.
Fonte Folhamax
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