Agro Notícias
Blairo é contra taxação e pede que Taques fiscalize
O ministro da Agricultura Blairo Maggi (PP) é totalmente contra qualquer tipo de taxação das commodities do setor produtivo de Mato Grosso. Alega que trata-se de um mercado de alto risco e sem mais “gordura”. Por outro lado, pondera que 40% da soja fica no mercado interno, por isso, o Executivo precisa ser mais eficiente na fiscalização do setor, evitando a ocorrência de sonegação fiscal.
Nessa linha, ressalta que o percentual é tributado, mas que acaba não entrando no caixa do Governo, especialmente, por incentivos fiscais inadequados e sonegação. “Temos os famosos malas pretas, as empresas de fachada, que de um jeito ou do outro saem com as mercadorias sem pagar ICMS”, alerta o ministro
Em seguida, Blairo é enfático “tem empresas que receberam incentivos fiscais, cerealistas, por exemplo, e não devem ter. Empresa comercial não pode ter incentivo fiscal”, sugere.
Em tom apaziguador, entretanto, o progressista disse ter escutado do próprio governador Pedro Taques, em Sinop, que o Palácio Paiaguás não pretende fazer a taxação. “Porque a Assembleia quer fazer uma coisa que o Governo não quer?”.
Projetos
Na Assembleia, os deputados Wilson Santos (PSDB) e Zé do Pátio (Solidariedade) são os maiores defensores de uma possível taxação. Foi criada, inclusive, a Frente Parlamentar da Taxação da Soja. Paralelamente a isso, a AMM, sob Neurilan Fraga, propõe arrecadar 5% da soja para a industrialização. Os recursos seriam destinados a um fundo.
A AMM oficializou o projeto por meio do Plano de Modernização e Industrialização para Mato Grosso. “Pra mim, é abraço de afogados”, dispara Blairo sobre as duas propostas. Depois, completa: “acho uma loucura o que estão tentando fazer”.
O ministro explica o porque do temor. Segundo ele, esse setor não dá margem grande de lucro e os riscos são grandes. Pondera que os produtores colocam no papel as receitas versus despesas na hora e produzir, sendo que muitas vezes empata ou perde-se dinheiro. Nessa linha, destaca que, se houver mais esse peso, o produtor pode deixar de investir, porque o risco será muito grande.
Para exemplificar, cita os prejuízos na produção deste ano, que afetaram especialmente o médio Araguaia. Lá, a média de colheita era de 60 sacas por hectare, mas, neste ano, a média tem sido de 47 sacas. “Taxar setor que tem alta vulnerabilidade de receita, é muito complicado”.
Agro Notícias
União Europeia oficializa veto à carne brasileira a partir de setembro

A União Europeia (EU) oficializou sua decisão de proibir a importação de carnes, tripas, peixe e mel produzidos no Brasil. O veto deve entrar em vigor a partir do próximo dia 3 de setembro.
Anunciada há quase um mês, poucos dias após a entrada em vigor provisória do acordo comercial entre Mercosul e União Europeia, a decisão de excluir o Brasil da lista de países autorizados a exportar esses produtos para os países do bloco europeu foi confirmada em um documento oficial publicado no Diário Oficial da UE nesta sexta-feira (5).
Segundo a Comissão Europeia, o Brasil não conseguiu comprovar que seus produtores atendem às algumas das exigências sanitárias europeias, especialmente que não utilizam, ao longo de toda a cadeia produtiva, medicamentos antimicrobianos para tratar e prevenir infecções em animais.
Em abril deste ano, o governo brasileiro proibiu parte dos antimicrobianos comprovadamente usados para estimular o crescimento e aumentar a produtividade animal, mas a União Europeia avaliou que ainda faltam garantias adicionais.
As regras sobre o uso de antimicrobianos fazem parte da política europeia de segurança alimentar e saúde pública conhecida como One Health, criada para combater o uso excessivo de antibióticos no mundo. Entre os produtos restritos pelos europeus estão substâncias como virginiamicina, avoparcina, tilosina, espiramicina, avilamicina e bacitracina.
A União Europeia é um dos principais mercados para as proteínas animais brasileiras. No caso da carne bovina, o bloco europeu aparece entre os maiores destinos das exportações brasileiras em valor.
A cautela europeia não significa necessariamente que a carne brasileira esteja contaminada por medicamentos. O principal ponto da decisão europeia é regulatório e envolve rastreabilidade sanitária, certificação e comprovação documental sobre o uso dos medicamentos.
Para voltar à lista dos países autorizados a vender os produtos vetados, o Brasil precisará comprovar que cumpre integralmente as regras europeias durante todo o ciclo de vida dos animais exportados. Para isso, o país pode ampliar ainda mais as restrições legais aos medicamentos ou criar mecanismos mais rígidos de rastreabilidade para provar que os produtos exportados não utilizam as substâncias proibidas na Europa.
A segunda alternativa é considerada mais complexa porque exige monitoramento detalhado da cadeia produtiva, certificações sanitárias adicionais e custos maiores para produtores e frigoríficos.
Abiec
Consultada pela reportagem, a Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec) manteve o posicionamento divulgado no mês passado, quando a Comissão Europeia anunciou a decisão de proibir a compra dos produtos brasileiros.
Segundo a entidade, o Brasil conta com um “dos sistemas de inspeção e defesa agropecuária mais robustos do mundo” e a carne bovina brasileira atende aos requisitos sanitários e regulatórios de mais de 170 países, incluindo os principais mercados internacionais, cumprindo “rígidos controles oficiais, sistemas de rastreabilidade e protocolos reconhecidos globalmente”.
Ainda de acordo com a associação, o setor privado vem trabalhando em parceria com o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) na elaboração de protocolos voltados ao atendimento das novas exigências europeias, além de manter diálogo técnico e colaboração com as autoridades competentes sobre o tema.
Qualidade
A Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA) informou que está acompanhando a formalização da decisão da União Europeia e confiante de que as autoridades brasileiras vão demonstrar, tecnicamente, que o país possui um dos mais robustos sistemas de controle sanitário mundial, capaz de garantir “elevados padrões de qualidade, rastreabilidade, biosseguridade e segurança dos alimentos”.
Em nota, a ABPA enfatizou que o veto à importação dos produtos brasileiros “não decorre de qualquer questionamento sanitário, não conformidade ou problema identificado em relação ao uso de antimicrobianos na produção animal brasileira”, mas sim ao reconhecimento europeu dos “mecanismos oficiais de fiscalização e controle adotados pelo Brasil”.
A entidade também reconheceu a legitimidade das iniciativas voltadas à proteção da saúde pública, da sanidade animal e da segurança dos alimentos, mas com ressalvas. Para a associação, é necessário que as normas sanitárias nacionais estejam “fundamentadas em critérios científicos, avaliações de risco reconhecidas internacionalmente, transparência regulatória e observância aos princípios estabelecidos pela Organização Mundial de Saúde Animal, pelo Codex Alimentarius e pelos acordos multilaterais de comércio”.
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