Política
Bolsonaro perde apoio entre eleitores típicos
A primeira reação do presidente Jair Bolsonaro e de seu entorno, na família e também entre ministros com gabinete no Palácio do Planalto, foi a de desqualificar a pesquisa DataFolha, divulgada nesta segunda feira (2) que mostra a queda de apoio popular ao presidente.
Mas, em conversas reservadas com assessores há o reconhecimento de que algo precisa ser feito porque o presidente perdeu apoio entre seu eleitorado mais típico e que era considerado mais fiel.
O DataFolha mostra que Bolsonaro perdeu apoio de eleitores:
- homens: – 5 pontos porcentuais (p.p);
- com curso superior: – 5 p.p;
- que ganham mais de dez salários mínimos: – 14 p.p;
- moradores de regiões metropolitanas: – 5 p.p;
- da região Sul: – 5 p.p;
Outro dado da pesquisa chama a atenção. Quando Bolsonaro assumiu a presidência, 59% dos brasileiros avaliavam positivamente seu mandato. Agora, 44% acham que o conjunto do mandato deve ser bom ou ótimo.
Antes mesmo de ser divulgada a pesquisa DataFolha, o presidente Bolsonaro já rejeitava conselhos para mudar seu estilo e a forma como fala aos jornalistas, quase diariamente.
Ele responde que é autêntico (“eu sou assim”, disse certa vez) e que foi falando de forma direta que se elegeu presidente da República. Portanto, não pretende mudar.
Mas, a pesquisa DataFolha mostra que frases polêmicas do presidente foram amplamente rejeitadas pelos brasileiros.
Em mais de uma ocasião, Bolsonaro deixou claro que está pensando na eleição de 2022.
Da mesma forma que ataca adversários de partidos de esquerda, o que faz quase diariamente ao criticar governos petistas, nos últimos dias decidiu atacar, também, possíveis candidatos em seu campo político: o governador de São Paulo, João Dória, e o apresentador de TV, Luciano Huck.
Huck e Doria foram criticados por terem se beneficiado de linha de crédito do BNDES, com juros de 3,5%, para compra de jatinho executivo. Pelas redes sociais, partidários do presidente reforçaram as críticas do presidente aos eventuais adversários.
G1
Política
TJMT condena Cattani a indenizar associação LGBTQIA+ e publicar retratação

A Quarta Câmara de Direito Privado do Tribunal de Justiça de Mato Grosso condenou o deputado estadual Gilberto Cattani (PL) ao pagamento de R$ 20 mil por danos morais, além da obrigação de publicar uma retratação em seu perfil no Instagram. A decisão foi tomada nesta quarta-feira (15), após análise de recurso movido pela associação MT Queer.
O colegiado seguiu, de forma unânime, o voto do desembargador Rubens de Oliveira Santos Filho, que divergiu inicialmente da relatora Serly Marcondes Alves. Em primeira instância, a entidade havia tido o pedido negado, cenário que se repetiu em decisão inicial no próprio tribunal. No entanto, após pedido de vista, Rubens apresentou voto favorável à associação, posteriormente acompanhado pela relatora, consolidando o entendimento unânime da Câmara.
No voto, o desembargador destacou que o parlamentar possui histórico de manifestações consideradas polêmicas e apontou que, neste caso, houve extrapolação dos limites da atuação política. Segundo ele, as declarações não configuram exercício legítimo da função parlamentar, mas sim conteúdo discriminatório. “É nítido que o tom adotado não se caracteriza como crítica administrativa ou política, mas revela conteúdo de segregação e preconceito”, afirmou.
A ação tem origem em um vídeo publicado por Cattani em novembro de 2023, no qual ele criticava um curta-metragem produzido pela MT Queer. O material retratava a relação afetiva entre dois jovens e, segundo o deputado, estaria “incentivando” comportamentos entre estudantes. A interpretação foi contestada pela entidade, que acionou a Justiça alegando discurso discriminatório.
Para o relator do voto vencedor, o caso não se enquadra na proteção da imunidade parlamentar. Ele classificou a conduta como manifestação de “intolerância odiosa”, ressaltando que não há nexo funcional que justifique o conteúdo das declarações no âmbito do exercício do mandato.
Além da indenização, que será acrescida de juros e correção monetária, o deputado deverá publicar uma retratação em sua conta no Instagram por, no mínimo, 15 dias. O descumprimento poderá gerar multa diária de R$ 1 mil.
A decisão, proferida em segunda instância, ainda pode ser alvo de recursos. Caso seja mantida até o trânsito em julgado, o caso poderá ter desdobramentos na esfera eleitoral, com eventual análise à luz da Lei da Ficha Limpa, dependendo do entendimento sobre eventual incitação ao ódio e suas implicações jurídicas.
Fonte Folhamax
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