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Saúde

Soluções caseiras de repelentes conseguem evitar picadas de mosquitos?

Quais suas vantagens e desvantagens? E quais são suas limitações?

Segundo os especialistas ouvidos pela BBC News Brasil, é preciso sempre ter em mente que os produtos industrializados são mais eficientes no combate aos mosquitos transmissores de doenças.

Há várias substâncias naturais com propriedades de repelir insetos”, diz o médico dermatologista Vidal Haddad Júnior, da Faculdade de Medicina de Botucatu, da Universidade Estadual Paulista (Unesp), especialista em animais peçonhentos e que testa em laboratório repelentes de mosquito.

Ele cita como exemplos a citronela, a andiroba, o alho e as vitaminas do Complexo B.

“Todas repelem, com maior ou menor intensidade”, explica Haddad. “O problema – e isso tem que ficar muito claro – é o quanto repelem. Se for para afastar os pernilongos comuns, do gênero Culex, dá para você ficar um tempo sossegado (livre de mosquitos). (O problema é) se for um Aedes, um Anopheles.” Ou seja, para Haddad, os repelentes caseiros até afastam mosquitos, mas por conta do perigo trazido pelos transmissores de doenças, a recomendação é se proteger com produtos industriais confiáveis.

Por isso, segundo ele, a questão não é se afastam ou não, é com que eficiência fazem isso em áreas de risco de doenças. “E é preciso considerar que não há comparação entre os repelentes caseiros e os industriais, que são muito mais efetivos”, avisa. “Não desaconselho o uso dos primeiros, mas o usuário tem que conhecer suas limitações e levar em conta o lugar onde se encontra e seus riscos.”

Isso significa que, em área de risco, não se deve confiar nos produtos caseiros.

Soluções caseiras preventivas aos mosquitos

Algumas plantas caseiras, como jasmim, arruda, alecrim e manjericão, são usadas para espantar mosquitos, por conta de seu odor forte e penetrante. É importante destacar, porém, que essa sabedoria popular não tem comprovação científica.

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Ao mesmo tempo, não se pode esquecer que uma das melhores alternativas é matar os mosquitos no nascedouro, ainda enquanto são larvas, evitando-se que cheguem à fase adulta, quando se tornam de fato perigosos, transmissores de doença.

A fêmea desses insetos põe cerca de 300 ovos perto da superfície da água, presos à parede dos recipientes, e em cerca 36 horas surgem às larvas. Elas se transformam em pupa entre 5 a 10 dias e depois, em de 2 dias, em indivíduo voador. Desde o ovo até o final da sua vida, o Aedes, por exemplo, precisa de cerca de um mês e meio.

A forma de evitar isso é praticamente conhecida de todo mundo: deve-se se evitar o acúmulo de água limpa parada em garrafas de vidro ou PET, pneus velhos, tonéis e depósitos, pratinhos de vasos de plantas, vasos sanitários em banheiros não usados, bandeja externa de geladeiras, lixeiras, plantas que possam acumular líquido, ralos e calhas entupidas e lajes e outras superfícies desniveladas.

Mesmo assim, se ainda houver água acumulada, há soluções caseiras para evitar o nascimento dos mosquitos. De acordo com uma cartilha elaborada por pesquisadores do Laboratório de Bioprospecção de Recursos Regionais, da Universidade Federal do Ceará (UFC), a borra de café e a água sanitária (hipoclorito de sódio) podem ser usadas para isso.

No primeiro caso, são necessárias duas colheres de borra de café para um litro de água. No caso da água sanitária, usam-se 40 gotas (aproximadamente uma colher de sopa).

“Essas duas misturas devem ser utilizadas em locais que acumulam líquido, como plantas (principalmente bromélias) e vasos, já que elas não são prejudicadas”, explica a farmacêutica e bioquímica Ana de Fátima Fontenele Urano Carvalho, do Departamento de Biologia da UFC, que participou da elaboração da cartilha. “No entanto, essas soluções não podem ser usadas em águas que servirão para consumo humano, como caixas ou filtros.”

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Ela conta que a equipe de pesquisadores da UFC descobriu também que extratos de algumas plantas podem ser úteis no controle das larvas de mosquitos da dengue. Essas espécies têm o efeito chamado de larvicida, porque matam as larvas antes que se transformem em adultos. Entre elas estão o agrião-bravo (Acmella uliginosa), a alfavaca (Ocimum basilicum), o capim-santo (Cymbopogon citratus), a erva-cidreira (Melissa officinalis), a hortelã (Mentha spicata), o mastruço ou mastruz (Coronopus didymus) e o limão (Citrus limonum).

Na mesma cartilha, os pesquisadores dão receitas de chás e extratos dessas plantas. Para chás: a cada três xícaras de chá de folhas, adiciona-se um litro de água, que deve ser colocada para ferver por 15 minutos. Para obter-se o extrato, tritura-se três xícaras de folhas, acrescenta-se um litro de água e deixa-se de molho de um dia para outro, agitando-se o preparado sempre que possível.

“Esses produtos devem ser colocados nos locais onde os mosquitos costumam colocar seus ovos, como plantas (principalmente bromélias) e vasos, pneus velhos e garrafas vazias, por exemplo”, ensina Ana de Fátima. “Mas é importante alertar de novo que essas receitas não podem ser usadas em águas que servirão para consumo humano, como caixas d’água ou filtros.”

O biólogo e doutor em Parasitologia Newton Goulart Madeira, do Instituto de Biociências do campus de Botucatu da Unesp, reforça o cuidado que se deve ter com o controle e combate caseiro dos mosquitos que podem transmitir doenças.

“Receitas sem teste científico da eficiência pode comprometer a saúde de milhares de pessoas, por isso a minha desconfiança com elas”, diz. “O mais eficiente é as pessoas controlarem os criadouros nas suas casas e o poder público fiscalizar os índices dos insetos e controlar quando estiverem altos.”

BBC Saúde

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Saúde

Doar sangue e salvar vidas: um gesto simples que transforma o mundo

Doar sangue para salvar vidas. Poucos gestos são tão simples e, ao mesmo tempo, tão poderosos quanto esse.

Em menos de uma hora, uma única doação pode beneficiar até quatro pessoas. Não é preciso ser herói nem ter habilidade especial. Basta ter saúde, disposição e sensibilidade para ajudar o próximo.

O sangue não possui substituto artificial. Nenhuma fábrica o produz. Nenhum laboratório consegue reproduzi-lo. Ele existe apenas em cada um de nós e só chega a quem precisa por meio da solidariedade humana. Cada doação é a demonstração concreta de que uma vida importa.

Pense na criança que necessita de transfusão durante uma cirurgia. Na mulher que enfrenta complicações após o parto. Na vítima de acidente que chega ao Pronto-Socorro em estado grave. No paciente em tratamento contra o câncer. Para cada um deles, uma bolsa de sangue pode representar a diferença entre a vida e a morte. Essa é a realidade diária dos hospitais brasileiros, inclusive aqui em Mato Grosso.

Neste 14 de junho, o mundo celebra o Dia Mundial do Doador de Sangue. Em 2026, a campanha da Organização Mundial da Saúde, no âmbito do ‘Junho Vermelho’, traz o tema “Doe sangue, dê esperança: juntos salvamos vidas”. Uma convocação que precisa ir além das datas e se tornar uma atitude permanente.

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Tenho levado esse compromisso a sério na prática. Por meio dos mutirões sociais do Gabinete da Assembleia Legislativa, levamos campanhas de doação de sangue diretamente às comunidades de Cuiabá, chegando a quem muitas vezes não consegue se deslocar até os pontos de coleta. A própria ALMT firmou parceria com o MT Hemocentro para receber o caminhão de coleta em frente ao plenário, mobilizando servidores e a população. O Parlamento tem o dever de dar o exemplo.

A doação é uma das mais nobres expressões de solidariedade. Quem doa não conhece a pessoa beneficiada. Não há recompensa financeira nem interesse pessoal. Há apenas a decisão de estender a mão a alguém em extrema necessidade.

O sangue coletado é separado em hemácias, plasma e plaquetas, atendendo pacientes com necessidades distintas. Uma única doação tem potencial para ajudar várias pessoas.

Os hemocentros dependem de doações regulares. O sangue possui prazo de validade limitado, e a reposição constante é uma necessidade. Ser um doador regular é assumir um compromisso com a vida, com a comunidade e com quem você ama.

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Qualquer pessoa saudável, entre 16 e 69 anos, e com mais de 50 quilos pode doar. O procedimento é seguro, rápido e praticamente indolor. O organismo repõe naturalmente o volume doado em pouco tempo.

Você dedica alguns minutos do seu dia. Em troca, oferece a alguém a oportunidade de continuar vivendo.

Convido cada mato-grossense a procurar o hemocentro mais próximo, fazer sua doação e incentivar familiares e amigos. Salvar vidas não depende de grandes recursos. Depende apenas da disposição de compartilhar o que carregamos dentro de nós.

Seja doador de sangue. Sua atitude pode ser a esperança que alguém espera para continuar vivendo.

*Max Russi é deputado estadual e presidente da Assembleia Legislativa de Mato Grosso.

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