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Saúde

Proteína da saliva de carrapato poderá ser usada para combater tromboses

Pense num carrapato e as palavras que surgirão na sua cabeça provavelmente serão dor, incômodo, inflamação, praga! Mas não para pesquisadores, que veem no indesejável inseto uma chance para a ciência fazer mais um gol de placa. É o que explica a farmacêutica Ana Paula Valente, professora do Instituto de Bioquímica Médica, ligado ao Cenabio (Centro Nacional de Biologia Estrutural e Biomagem), da UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro): “carrapatos são insetos hematófagos, que se alimentam de sangue, e têm o que se poderia chamar de ‘estratégia’ para evitar que o líquido que estão retirando se mantenha fluido, ou seja, não coagule. O animal injeta uma substância anticoagulante e é essa proteína, presente na saliva do carrapato, que desperta tanto interesse de pesquisadores”.

Conseguir anticoagulantes eficazes é um dos sonhos da ciência. Nosso organismo é tão eficiente que, quando nos ferimos, o sangue se coagula na borda do corte – do contrário sangraríamos sem parar. No entanto, dentro do corpo, isso não acontece, a não ser em situações onde esse equilíbrio é rompido: por exemplo, pacientes com câncer têm um risco aumentado de desenvolver trombos, os chamados coágulos, que podem entupir vasos importantes e levar à morte.

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Apesar de muitos pesquisadores já terem se debruçado sobre o assunto, é a primeira vez que um grupo descreve, do ponto de vista molecular, a estrutura do Ixolaris, a proteína encontrada na saliva do carrapato, e como ela age com uma enzima nesse processo. O estudo inédito foi publicado na “Blood”, periódico da American Society of Hematology. Foi conduzido por Ana Paula Valente, Viviane de Paula, Robson Monteiro e Fabio Almeida, da UFRJ, em colaboração com Nikolaos Sgourakis, da University of California Santa Cruz, e Ivo Francischetti, do Instituto Nacional de Saúde (NIH, na sigla em inglês), nos Estados Unidos.

Através da ressonância magnética nuclear, eles conseguiram construir um modelo 3D da estrutura da proteína, que oferece inúmeras possibilidades para o desenho de fármacos que poderão ser usados para atenuar a coagulação e a inflamação associadas à trombose. “Conseguimos desenhar a molécula e analisar sua estrutura e interação com o fator X, que envolve a coagulação. Ao criar esse protótipo, poderemos no futuro fabricar uma molécula que atenda às necessidades dos pacientes”, diz a doutora Ana Paula. Em ciência, cada pequeno passo representa uma grande conquista. Ela estima mais cinco anos de pesquisas para, talvez daqui a dez anos, chegar a um medicamento. “Precisamos de mais gente trabalhando e de financiamento para garantir que a equipe não se disperse”, afirma. O estudo foi financiado pela Faperj (Fundação Carlos Chagas Filho de Amparo à Pesquisa do Rio de Janeiro) e pelo CNPq (Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico).

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Saúde

Doar sangue e salvar vidas: um gesto simples que transforma o mundo

Doar sangue para salvar vidas. Poucos gestos são tão simples e, ao mesmo tempo, tão poderosos quanto esse.

Em menos de uma hora, uma única doação pode beneficiar até quatro pessoas. Não é preciso ser herói nem ter habilidade especial. Basta ter saúde, disposição e sensibilidade para ajudar o próximo.

O sangue não possui substituto artificial. Nenhuma fábrica o produz. Nenhum laboratório consegue reproduzi-lo. Ele existe apenas em cada um de nós e só chega a quem precisa por meio da solidariedade humana. Cada doação é a demonstração concreta de que uma vida importa.

Pense na criança que necessita de transfusão durante uma cirurgia. Na mulher que enfrenta complicações após o parto. Na vítima de acidente que chega ao Pronto-Socorro em estado grave. No paciente em tratamento contra o câncer. Para cada um deles, uma bolsa de sangue pode representar a diferença entre a vida e a morte. Essa é a realidade diária dos hospitais brasileiros, inclusive aqui em Mato Grosso.

Neste 14 de junho, o mundo celebra o Dia Mundial do Doador de Sangue. Em 2026, a campanha da Organização Mundial da Saúde, no âmbito do ‘Junho Vermelho’, traz o tema “Doe sangue, dê esperança: juntos salvamos vidas”. Uma convocação que precisa ir além das datas e se tornar uma atitude permanente.

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Tenho levado esse compromisso a sério na prática. Por meio dos mutirões sociais do Gabinete da Assembleia Legislativa, levamos campanhas de doação de sangue diretamente às comunidades de Cuiabá, chegando a quem muitas vezes não consegue se deslocar até os pontos de coleta. A própria ALMT firmou parceria com o MT Hemocentro para receber o caminhão de coleta em frente ao plenário, mobilizando servidores e a população. O Parlamento tem o dever de dar o exemplo.

A doação é uma das mais nobres expressões de solidariedade. Quem doa não conhece a pessoa beneficiada. Não há recompensa financeira nem interesse pessoal. Há apenas a decisão de estender a mão a alguém em extrema necessidade.

O sangue coletado é separado em hemácias, plasma e plaquetas, atendendo pacientes com necessidades distintas. Uma única doação tem potencial para ajudar várias pessoas.

Os hemocentros dependem de doações regulares. O sangue possui prazo de validade limitado, e a reposição constante é uma necessidade. Ser um doador regular é assumir um compromisso com a vida, com a comunidade e com quem você ama.

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Qualquer pessoa saudável, entre 16 e 69 anos, e com mais de 50 quilos pode doar. O procedimento é seguro, rápido e praticamente indolor. O organismo repõe naturalmente o volume doado em pouco tempo.

Você dedica alguns minutos do seu dia. Em troca, oferece a alguém a oportunidade de continuar vivendo.

Convido cada mato-grossense a procurar o hemocentro mais próximo, fazer sua doação e incentivar familiares e amigos. Salvar vidas não depende de grandes recursos. Depende apenas da disposição de compartilhar o que carregamos dentro de nós.

Seja doador de sangue. Sua atitude pode ser a esperança que alguém espera para continuar vivendo.

*Max Russi é deputado estadual e presidente da Assembleia Legislativa de Mato Grosso.

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