Saúde
Doença de Lyme: ‘Vivi meses de dores insuportáveis até descobrir que um carrapato me passou um mal grave’
Os sintomas da jovem pioravam a cada semana. “Certa vez, tive dores articulares na mão esquerda, que subiram para o braço e, depois, comecei a ter uma dor muito forte no peito, como se estivesse tendo um infarto”, relata à BBC News Brasil.
Os médicos, segundo a estudante, avaliaram diversas possibilidades para os problemas de saúde dela. “Fiz vários exames, que não apontaram nenhuma doença. Chegaram a dizer que eu poderia sofrer de ansiedade. Eu ficava assustada por ninguém saber o que eu tinha”, relembra.
No começo de março, após meses sem respostas, Suzane, como é conhecida pelos amigos, recebeu o diagnóstico: doença de Lyme – enfermidade causada por uma bactéria transmitida pela picada de carrapato. A mazela pode afetar todos os sistemas do corpo humano.
A doença foi descoberta na década de 70, na cidade de Lyme, em Connecticut, nos Estados Unidos. Ela costuma ter início com uma lesão na pele e, depois, pode causar sintomas semelhantes a uma virose, como dores na cabeça e febre. Posteriormente, o paciente pode ter manifestações na pele, nas articulações, no sistema nervoso ou no coração.
Suzane tinha uma rotina dedicada aos estudos. Ela cursava Biomedicina e também fazia curso preparatório para o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), pois sonha em conquistar uma vaga em Medicina. Os problemas de saúde a fizeram parar de estudar. “Estava totalmente prejudicada pela doença.”
Lyme
Um dos períodos mais complicados da doença, segundo Suzane, foi no fim de dezembro. Na época, ela começou a ter dificuldades para andar. “Sentia uma dor muito forte na coluna e não conseguia sair da cama”, diz. Desde então, tem períodos em que consegue se locomover sozinha, com dificuldades, e outros em que precisa de apoio para caminhar.
Cada vez mais debilitada, Suzane começou a pesquisar na internet sobre os sintomas que tinha. “Foi quando li sobre a Lyme. A princípio, pensei que não fosse o meu caso, porque vi que não havia nenhum registro da doença em Recife”, diz.
Ela coletou sangue e enviou para o Hospital das Clínicas da Universidade de São Paulo (USP), referência em estudos sobre a doença no Brasil. “Em Recife não havia nenhum lugar que fizesse o exame”, comenta a jovem.
O resultado chegou semanas depois. “Foi complicado, porque descobri a doença tardiamente. Os tratamentos são mais difíceis quando o diagnóstico é feito meses depois dos primeiros sintomas. Por conta dessa demora, minha doença se tornou crônica”, pontua. Como em todos os casos descobertos no país, Suzane foi diagnosticada com a versão brasileira da Lyme.
No Brasil, a doença possui semelhanças com os casos do Hemisfério Norte. No entanto, há particularidades que a diferenciam. Por isso, especialistas denominam a mazela como Borreliose brasileira, Síndrome Baggio-Yoshinari ou Lyme brasileira. Em geral, os tratamentos costumam ser semelhantes.
Pioneiro nos estudos sobre Lyme no Brasil, o reumatologista Natalino Yoshinari explica que os sintomas e o modo como a doença pode ser transmitida estão entre as diferenças dos casos encontrados no Brasil ou em outras regiões, como na Europa e na América do Norte.
Segundo Yoshinari, a borrelia burgdorferi, bactéria responsável por transmitir a Lyme, está concentrada, principalmente, no carrapato-estrela, da espécie Amblyomma cajennense, no Brasil. Em regiões como o Hemisfério Norte, a bactéria está presente em outras diferentes espécies do parasita.
A bactéria possui distinções conforme o carrapato responsável por transmiti-la e também de acordo com o clima e aspectos ecológicos de cada região, apontam estudos. Yoshinari ressalta que, possivelmente, menos de 5% das pessoas picadas pelo parasita desenvolvem a doença.
Nos Estados Unidos, são diagnosticados cerca de 30 mil novos casos de Lyme por ano. No Brasil, não há estimativas sobre a doença.
A picada do carrapato
Após receber o diagnóstico da doença, Suzane passou a se perguntar sobre o momento em que foi picada pelo parasita. “Depois que conheci outras pessoas que também têm Lyme, percebi que é muito comum que não saibam o momento exato em que foram picadas pelo carrapato”, diz.
Suzane conta que chegou à conclusão de que, possivelmente, foi picada em meados do ano passado, enquanto estava a caminho do curso que fazia. “Lembro de algo estar me incomodando, dentro da minha roupa. Eu olhava e não encontrava o que era. Como eu estava com pressa, porque antes vivia correndo, não encontrei nada”, detalha.
Ela acredita ter sido picada no glúteo. “Na época, surgiu uma pequena lesão, mas não pensei que pudesse ser algo grave.”
“Hoje, entendo que uma forte gripe que tive no fim de setembro era o início dos sintomas da doença”, completa.
A estudante afirma desconhecer a origem do carrapato que a atacou. “Uma das possibilidades é que ele estava no tapete que coloco em frente à porta do meu apartamento, porque sempre passam cachorros por ali. Mas não tenho certeza”, declara.
Os carrapatos que transmitem a Lyme no Hemisfério Norte são encontrados, comumente, em animais silvestres como veados, ursos e roedores. Desta forma, a pessoa contrai a infecção, na maioria dos casos, quando adentra áreas de mata.
No Brasil, conforme Yoshinari, os parasitas contaminados com a bactéria já foram identificados em cães, bovinos, cavalos, capivaras, pequenos marsupiais e roedores. “Por aqui, a enfermidade é mais perigosa em termos de risco de contaminação, pois tanto animais silvestres como domésticos podem ser reservatórios da bactéria”, pontua o especialista.
Para se prevenir da doença, o médico orienta o uso de carrapaticidas em animais domésticos e a utilização de repelentes antes de adentrar áreas de mata. Caso o paciente note a picada do carrapato e possíveis problemas de saúde ocasionados por ela, a orientação é que busque atendimento médico imediatamente.
O tratamento
Logo que foi diagnosticada com Lyme, Suzane deu início ao tratamento com antibióticos. Por 28 dias, a jovem foi ao hospital para tomar as medicações – por via oral e intravenosa. Ela diz que parte do tratamento foi custeado pelo plano de saúde. “Gastei cerca de R$ 200 a mais, com vitaminas.”
Suzane comenta que teve pouca melhora em seu quadro de saúde após o tratamento. “Ainda sinto muitas dores no corpo, não consigo andar normalmente e me sinto exausta”, conta a estudante. Ela continua fazendo uso de antibiótico oral.
A terapia antibiótica é o tratamento adotado contra a doença no Brasil. Ela está disponível no Sistema Único de Saúde (SUS). “Mas não há um serviço especializado em atender esses pacientes”, ressalta o reumatologista Leandro Prado, que estuda a Lyme no Brasil.
Prado afirma que os tratamentos com antibióticos costumam trazer bons resultados e são raros os casos em que os sintomas da doença retornam.
“Esses tratamentos são semelhantes aos recomendados por entidades internacionais, seguindo a literatura médica. O grande problema no Brasil é a desinformação sobre a doença. Por isso, muitos pacientes não são tratados na fase aguda”, afirma Prado.
Por considerar que não conseguirá se curar da doença somente com antibióticos, por tê-la descoberto em período considerado tardio, Suzane planeja ir à Alemanha para se tratar. “Pelos relatos que li, é o lugar em que há o melhor tratamento. Há outros países que também possuem alternativas, mas muitos dos relatos de cura estão na Alemanha, nos quais a Lyme não voltou”, afirma.
O tratamento que ela planeja fazer na Alemanha envolve procedimentos alternativos. “Lá existem exames aprofundados para investigar cada caso de Lyme. Eles usam uma combinação de antibióticos e tratamentos alternativos com ozonioterapia [no Brasil pode ser realizado apenas em caráter experimental] e vitaminas. Depois, fortalecem o sistema imunológico do paciente para que o corpo possa eliminar o que restou da bactéria”, detalha.
Especialistas brasileiros não recomendam a busca de tratamentos alternativos contra a doença, pois alegam que não há comprovação cientifica. “Não são procedimentos terapêuticos adotados por pesquisadores sérios. Gastam uma fortuna e não há certeza de melhoras”, diz Yoshinari.
Apesar de saber que especialistas são contra os tratamentos alternativos, Suzane mantém o desejo de passar pelos procedimentos na Alemanha. “Penso que seja a única alternativa que me resta.”
Ela avalia que precisará de R$ 140 mil para o tratamento no exterior – valor que inclui estada por quatro semanas e medicamentos por seis meses. Para conseguir o recurso, a jovem abriu uma “vaquinha online”. Até o momento, conseguiu apenas R$ 3 mil. Caso não atinja o valor, ela não descarta outras medidas. “Penso em fazer um empréstimo ou algo assim, pois não tenho esse dinheiro.”
A vida depois da doença
Hoje, o maior sonho de Suzane é se curar da doença e não sentir mais dores constantes. A jovem define a Lyme como “a sensação de viver no limite”.
Nos últimos meses, um dos principais companheiros da jovem tem sido o namorado dela, o universitário Lucas Mafra. Ele a acompanhou nas internações e a levou diariamente ao hospital para fazer o tratamento. “Tentei dar o máximo de conforto para ela, porque para mim foi terrível ver alguém que amo definhar e parar a vida por não ter forças”, lamenta o rapaz, que namora a estudante há dois anos.
Em meio aos dias que considera os mais difíceis de sua vida, Suzane mantém os sonhos para o futuro. “Quero voltar a estudar, porque sempre foi algo que gostei muito. Espero que um dia consiga realizar o meu sonho de ser médica, para ajudar outras pessoas”, diz.
BBC
Saúde
MT deve registrar 520 novos casos de câncer colorretal por ano até 2028

O mês de março é tomado pela cor azul-marinho com o objetivo de alertar toda a sociedade para o câncer colorretal (intestino e reto), um dos tumores mais incidentes e uma das maiores taxas de mortalidade do país, que deve registrar 26.270 novos casos da doença por ano no triênio de 2026-2028.
Só em Mato Grosso, são estimados 520 novos casos anuais deste tipo de neoplasia no mesmo período, conforme estimativa do Instituto Nacional de Câncer (Inca). Diante desse cenário, durante o mutirão do “Dia E – Ebserh em Ação”, vinculado ao programa “Agora Tem Especialistas”, do Ministério da Saúde (MS), o Hospital Universitário Júlio Müller, da Universidade Federal de Mato Grosso (HUJM-UFMT), administrado pela Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (Ebserh), alerta para importância de exames de colonoscopia.
A iniciativa também faz parte do “Março Azul-Marinho”, uma campanha de conscientização sobre a prevenção e o combate ao câncer colorretal. Durante o mutirão, realizado neste dia 21, caso seja identificada alguma doença durante os exames, os pacientes passam a ser acompanhados pelo serviço de coloproctologia.
“Realizamos uma consulta de triagem no dia do mutirão e depois realizaremos consulta dando o feedback sobre o resultado do exame e seguimento”, disse a residente R5 de Coloproctologia, Maristella Nery.
O QUE É – O câncer colorretal é um tumor maligno que se desenvolve no intestino grosso (cólon) e no reto. Atualmente, já figura como o segundo tipo de tumor mais frequente entre homens e mulheres no Brasil, quando excluídos os casos de câncer de pele não melanoma.
Coloproctologista Mardem Machado de Souza, do HUJM-UFMT, alerta que a associação de sangramento nas fezes e alterações no hábito intestinal é o alerta mais comum. No entanto, dores abdominais, perda de peso, anemia e sensação de evacuação incompleta também devem ser investigadas. “Quanto mais cedo se diagnostica, menor o risco de disseminação do tumor e maiores as chances de oferecer um tratamento efetivo e definitivo, com elevadas taxas de cura”, frisou.
O especialista informa ainda que, embora existam métodos como a pesquisa de sangue oculto nas fezes e exames parciais do intestino, a colonoscopia é considerada o exame mais completo para detecção do câncer colorretal. O procedimento permite avaliar todo o intestino grosso, retirar lesões precursoras, biopsiar tumores e até retirar lesões malignas iniciais.
Também a maioria dos cânceres do intestino grosso e reto surge a partir de pólipos adenomatosos, que se assemelham a pequenas verrugas e podem evoluir para câncer após sete a dez anos, caso ocorram alterações genéticas.
As diretrizes internacionais recomendam o início do rastreamento a partir dos 45 anos para pessoas sem fatores de risco. Para quem possui histórico familiar, o exame é indicado a partir dos 40 anos ou dez anos antes da idade em que o familiar de primeiro grau recebeu o diagnóstico.
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