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Saúde

Ator português luta pela vida após injeções de testosterona por motivos estéticos; saiba os riscos

Galã na TV portuguesa e tendo atuado nas séries brasileiras As Canalhas (2015), do GNT, e Desencontros (2018), do Sony, Rodrigues, de 31 anos, está internado desde o dia 26 de agosto e ainda pode ter a perna amputada.

Após o procedimento, supostamente feito nas nádegas, ele passou mal e deu entrada no hospital com febre e vômitos.

Rodrigues sofreu uma infecção grave, que resultou em uma parada cardíaca e uma necrose dos tecidos na área onde o hormônio foi aplicado. Ele foi colocado, então, em coma induzido.

Depois de quatro cirurgias e uma suposta falência dos rins, na sexta-feira passada, o ator melhorou e foi retirado do coma. Agora, estaria sendo tratado em uma câmara hiperbárica para acelerar a cicatrização dos ferimentos.

O ator já estaria se alimentando, mas terá que esperar de dois a três dias para que “ver os resultados”, informou o jornal português Correio da Manhã.

Segundo a agência Glam, que representa o artista, o estado de saúde de Rodrigues “continua grave”, apesar das melhoras.

Perigos

Injeções de testosterona se tornaram populares entre homens e mulheres que buscam melhorar a performance esportiva e ganhar músculos mais rapidamente.

Isso porque a testosterona, hormônio importante para a maturação dos ossos, crescimento muscular e desenvolvimento das funções sexuais, provoca hipertrofia muscular.

Mas os “danos” do uso desse medicamento sem supervisão médica “são muito maiores” do que os “ganhos”, explica à BBC News Brasil Clayton Macedo, doutor em endocrinologia clínica pela Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) e um dos maiores especialistas brasileiros no assunto.

Macedo foi um dos idealizadores do projeto Bomba? Tô Fora, que conta com o apoio da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM), focado em alertar sobre os perigos do uso de anabolizantes.

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A campanha também será lançada em Portugal em parceria com os médicos do país em janeiro do ano que vem, durante um congresso de endocrinologia.

“Os efeitos colaterais das injeções de testosterona são gigantescos. Estamos lidando com um problema de saúde pública.”

“O uso desse tipo de anabolizante provoca danos físicos, comportamentais e psicológicos.”

Riscos diversos

Segundo Macedo, os problemas vão desde dependência química a doenças no fígado e no coração, passando por agressividade e depressão.

O especialista diz que um dos riscos mais preocupantes de quem faz uso de injeções de testosterona é o vício. Segundo ele, estudos mostram 57% dos usuários podem desenvolver dependência química, uma vez que a testosterona injetada interrompe a produção interna da substância.

“Mesmo que o indivíduo pare de usar a medicação, a glândula fica bloqueada e ele sofre com deficiência hormonal. Acaba, então, usando mais. É um círculo vicioso.”

Macedo também explica que, como o cérebro humano tem “muito receptor para esse hormônio, que é um estimulante potente”, pode ter mudanças comportamentais, como agressividade, irritabilidade, alucinações, depressão e tendências suicidas.

“Um estudo feito na Dinamarca que acompanhou 500 usuários de anabolizantes por dez anos mostrou que eles têm um risco nove vezes maior de cometerem um crime. Há relatos de que, em alguns casos de feminicídio, por exemplo, o homem fazia uso de anabolizantes”, destaca.

O especialista lembra ainda dos problemas no coração, fígado e testículos.

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“O excesso de testosterona pode causar hipetrofia do coração, insuficiência cardíaca e morte súbita. Isso sem falar nos danos ao fígado, pois altera o metabolismo do órgão, provocando hepatite medicamentosa ou falência hepática aguda.”

“Essa droga também altera a libido, atrofia os testículos e pode causar ginecomastia (crescimento de mamas) e infertilidade irreversível.”

Macedo diz que até mulheres vêm fazendo uso de testosterona injetável.

“Nelas, essa substância muda o timbre de voz e pode provocar hipertrofia do clitóris.”

Uso restrito

Segundo Macedo, o uso de testosterona só é indicado para quem tem deficiência comprovada do hormônio, como no caso de alguns pacientes com câncer, defeitos genéticos, traumas testiculares e retardo na hipófise (glândula que controla o funcionamento de outras glândulas).

Ele explica, no entanto, que na busca pelo “corpo perfeito”, usuários desse tipo de anabolizante chegam a usá-lo em proporções até 100 vezes maiores do que as usadas por pacientes que realmente precisam de reposição hormonal.

A compra de testosterona injetável para fins medicinais segue regras rígidas no Brasil. É necessária receita médica. Além disso, também se requer o CPF do médico e o Código Internacional da Doença (CID).

Apesar disso, muitos usuários conseguem obter o produto no mercado clandestino.

“A mídia vende essa ideia do corpo perfeito e cada vez mais pessoas fazem de tudo para obtê-lo. Precisamos conscientizar especialmente os jovens sobre os efeitos colaterais do uso de anabolizantes. Não vale a pena e os danos são para a vida toda”, conclui Macedo.

BBC

 

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Saúde

MT deve registrar 520 novos casos de câncer colorretal por ano até 2028

O mês de março é tomado pela cor azul-marinho com o objetivo de alertar toda a sociedade para o câncer colorretal (intestino e reto), um dos tumores mais incidentes e uma das maiores taxas de mortalidade do país, que deve registrar 26.270 novos casos da doença por ano no triênio de 2026-2028.

Só em Mato Grosso, são estimados 520 novos casos anuais deste tipo de neoplasia no mesmo período, conforme estimativa do Instituto Nacional de Câncer (Inca). Diante desse cenário, durante o mutirão do “Dia E – Ebserh em Ação”, vinculado ao programa “Agora Tem Especialistas”, do Ministério da Saúde (MS), o Hospital Universitário Júlio Müller, da Universidade Federal de Mato Grosso (HUJM-UFMT), administrado pela Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (Ebserh), alerta para importância de exames de colonoscopia.

A iniciativa também faz parte do “Março Azul-Marinho”, uma campanha de conscientização sobre a prevenção e o combate ao câncer colorretal. Durante o mutirão, realizado neste dia 21, caso seja identificada alguma doença durante os exames, os pacientes passam a ser acompanhados pelo serviço de coloproctologia.

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“Realizamos uma consulta de triagem no dia do mutirão e depois realizaremos consulta dando o feedback sobre o resultado do exame e seguimento”, disse a residente R5 de Coloproctologia, Maristella Nery.

O QUE É – O câncer colorretal é um tumor maligno que se desenvolve no intestino grosso (cólon) e no reto. Atualmente, já figura como o segundo tipo de tumor mais frequente entre homens e mulheres no Brasil, quando excluídos os casos de câncer de pele não melanoma.

Coloproctologista Mardem Machado de Souza, do HUJM-UFMT, alerta que a associação de sangramento nas fezes e alterações no hábito intestinal é o alerta mais comum. No entanto, dores abdominais, perda de peso, anemia e sensação de evacuação incompleta também devem ser investigadas. “Quanto mais cedo se diagnostica, menor o risco de disseminação do tumor e maiores as chances de oferecer um tratamento efetivo e definitivo, com elevadas taxas de cura”, frisou.

O especialista informa ainda que, embora existam métodos como a pesquisa de sangue oculto nas fezes e exames parciais do intestino, a colonoscopia é considerada o exame mais completo para detecção do câncer colorretal. O procedimento permite avaliar todo o intestino grosso, retirar lesões precursoras, biopsiar tumores e até retirar lesões malignas iniciais.

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Também a maioria dos cânceres do intestino grosso e reto surge a partir de pólipos adenomatosos, que se assemelham a pequenas verrugas e podem evoluir para câncer após sete a dez anos, caso ocorram alterações genéticas.

As diretrizes internacionais recomendam o início do rastreamento a partir dos 45 anos para pessoas sem fatores de risco. Para quem possui histórico familiar, o exame é indicado a partir dos 40 anos ou dez anos antes da idade em que o familiar de primeiro grau recebeu o diagnóstico.

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