Política
Projetos do governo para reduzir secretarias, extinguir autarquias, criar novo Fethab e substitutivo à LOA são debatidos na ALMT
O governo de Mato Grosso entregou nesta quinta-feira (10) à Assembleia Legislativa projetos que visam cortar despesas para melhorar a situação financeira do estado, que entrou 2019 com dívidas de quase R$ 4 bilhões, de acordo com a nova administração.
Os projetos do Executivo, que já começaram a ser discutidos pelos deputados nesta quinta-feira, visam reduzir de 24 para 15 secretarias; extinguir seis empresas mistas; criar uma nova edição do Fundo Estadual de Transportes e Habitação (Fethab); regulamentar os critérios para a concessão da Revisão Geral Anual (RGA); sancionar uma versão estadual da Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF) e a Lei Orçamentária Anual (LOA) para 2019, com modificações.
Os projetos encaminhados à ALMT visam o seguinte:
- Diminuir número de secretarias e extinguir autarquias
- Criar o novo Fethab
- Alterar os critérios para a concessão da RGA
- Criar uma versão estadual da Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF)
O projeto prevê receita total pouco superior a R$ 19,2 bilhões e despesas estimadas em aproximadamente R$ 20,9 bilhões, ou seja, há um déficit previsto de quase R$ 1,7 bilhão.
A peça orçamentária original foi proposta no ano passado, antes das eleições, pelo então governador Pedro Taques (PSDB), à época ainda candidato à reeleição.
Ao final da campanha e com a derrota de Pedro Taques na eleição, a tramitação do projeto foi suspensa a fim de possibilitar adequações propostas pela equipe econômica do governador eleito.
O orçamento proposto pelo novo governador prevê a redução de R$ 35 milhões nos recursos destinados à Assembleia Legislativa, assim como a redução de R$ 17 milhões para o Tribunal de Contas do Estado (TCE-MT) – Tribunal de Justiça e Ministério Público Estadual não devem sofrer cortes na previsão de gastos.
“Estou propondo redução de R$ 35 milhões no orçamento da Assembleia e de R$ 17 milhões no orçamento do Tribunal do Contas do Estado e, nesse substitutivo, mantenho o mesmo valor para o Ministério Público e para o Tribunal de Justiça”, afirmou o governador Mauro Mendes (DEM), em entrevista à rádio Centro América FM, na terça-feira (8).
Segundo Mendes, o projeto do novo Fethab traz algumas alterações, entre elas a garantia de que mais de R$ 500 milhões do fundo será destinado às obras de infraestrutura.
O presidente da Assembleia Legislativa, Eduardo Botelho (DEM), explicou ter sido pedida “dispensa de pauta” para a análise dos projetos de lei, o que deve tornar o trâmite mais célere dentro da Casa de Leis.
A previsão é que as propostas sejam votadas ainda neste mês.
G1 MT
Política
TJMT condena Cattani a indenizar associação LGBTQIA+ e publicar retratação

A Quarta Câmara de Direito Privado do Tribunal de Justiça de Mato Grosso condenou o deputado estadual Gilberto Cattani (PL) ao pagamento de R$ 20 mil por danos morais, além da obrigação de publicar uma retratação em seu perfil no Instagram. A decisão foi tomada nesta quarta-feira (15), após análise de recurso movido pela associação MT Queer.
O colegiado seguiu, de forma unânime, o voto do desembargador Rubens de Oliveira Santos Filho, que divergiu inicialmente da relatora Serly Marcondes Alves. Em primeira instância, a entidade havia tido o pedido negado, cenário que se repetiu em decisão inicial no próprio tribunal. No entanto, após pedido de vista, Rubens apresentou voto favorável à associação, posteriormente acompanhado pela relatora, consolidando o entendimento unânime da Câmara.
No voto, o desembargador destacou que o parlamentar possui histórico de manifestações consideradas polêmicas e apontou que, neste caso, houve extrapolação dos limites da atuação política. Segundo ele, as declarações não configuram exercício legítimo da função parlamentar, mas sim conteúdo discriminatório. “É nítido que o tom adotado não se caracteriza como crítica administrativa ou política, mas revela conteúdo de segregação e preconceito”, afirmou.
A ação tem origem em um vídeo publicado por Cattani em novembro de 2023, no qual ele criticava um curta-metragem produzido pela MT Queer. O material retratava a relação afetiva entre dois jovens e, segundo o deputado, estaria “incentivando” comportamentos entre estudantes. A interpretação foi contestada pela entidade, que acionou a Justiça alegando discurso discriminatório.
Para o relator do voto vencedor, o caso não se enquadra na proteção da imunidade parlamentar. Ele classificou a conduta como manifestação de “intolerância odiosa”, ressaltando que não há nexo funcional que justifique o conteúdo das declarações no âmbito do exercício do mandato.
Além da indenização, que será acrescida de juros e correção monetária, o deputado deverá publicar uma retratação em sua conta no Instagram por, no mínimo, 15 dias. O descumprimento poderá gerar multa diária de R$ 1 mil.
A decisão, proferida em segunda instância, ainda pode ser alvo de recursos. Caso seja mantida até o trânsito em julgado, o caso poderá ter desdobramentos na esfera eleitoral, com eventual análise à luz da Lei da Ficha Limpa, dependendo do entendimento sobre eventual incitação ao ódio e suas implicações jurídicas.
Fonte Folhamax
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