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Povos indígenas do Amazonas criticam nomeação de militar para coordenação da Funai

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Líderes dos povos indígenas Tikuna-Maguta e Kokama se manifestaram, em carta de repúdio, contra a nomeação do fuzileiro naval da reserva, Jorge Gerson Baruf, para a Coordenação Regional da Fundação Nacional do Índio (Funai) no Alto Solimões, em Tabatinga (AM).

Para os representantes dessas etnias, o ex-militar “não tem qualquer preparo, capacitação ou formação profissional” para exercer as funções inerentes ao cargo.

“Os povos indígenas não foram consultados sobre a nomeação de um sujeito totalmente alheio a causa dos povos”, afirmam as lideranças indígenas da região.

“Sequer conhecemos a sua conduta nem o seu posicionamento perante as demandas concretas dos povos indígenas. Os povos indígenas e a Funai não necessitam de pessoas que saibam atirar. Ao contrário, necessitam, de fato, de cabeças pensantes, capazes e preparadas que elaborem e concretizem políticas indigenistas com excelência”, diz a carta.

No texto, os líderes afirmam que o presidente Jair Bolsonaro “é inimigo declarado dos povos originários” com base nos recentes atos nos quais “o governo federal interferiu” nas atividades da fundação.

Para as lideranças, a concepção do atual comando do país é “retrógrada” no que diz respeito à promoção dos direitos dos povos indígenas.

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A demissão

Na última quinta-feira (28), a então coordenadora da Funai do Alto Solimões, Mislene Metchacuna Mendes, foi exonerada de seu cargo. A decisão também gerou desconforto em indigenistas do órgão ouvidos pelo blog.

A região de Alto Solimões, entre Tefé e Tabatinga (AM), é formada pela maior população indígena do país, com aproximadamente 85 mil pessoas de 18 etnias diferentes. São mais de quatro milhões de hectares de terras Indígenas demarcadas, e mais de 80 processos em fase de regularização fundiária.

Tradicionalmente esses cargos da Funai sempre foram livres de ingerência política. Mislene Mendes estava à frente da coordenação de Alto Solimões há cinco anos. Ela é filha de um líder da etnia local tikuna e sempre foi considerada como fundamental articuladora entre as atividades da fundação e os povos locais.

Além de Mislene Mendes, outros dois dos 37 coordenadores-regionais foram retirados dos cargos na quinta-feira (28).

Protestos

Os líderes indígenas também estão realizando uma série de protestos, entre eles a tentativa de ocupação do complexo da Coordenação Regional de Alto Solimões.

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O grupo ameaçava obstruir a sede até que a portaria de nomeação do ex-fuzileiro naval da reserva fosse cancelada, mas a presença da Polícia Federal evitou que o local fosse tomado pelos indígenas.

“As Forças Militares de nosso país devem se restringir a cumprir sua função constitucional de patrulhar nossas fronteiras e defender a soberania do país. Para isso são formados os seus oficiais”, afirmam os líderes indígenas na carta.

“É como se fosse nomeado um antropólogo, indígena ou advogado para a comandância do Exército ou da Polícia Federal. Cada qual na sua área de conhecimento e atuação. Não seremos cobaia da inteligência militar promovida por esse governo”, completam.

Os representantes indígenas estipulam um prazo de sete dias úteis para a revogação da portaria de nomeação. Caso a exigência não seja atendida, os líderes ameaçam interditar a pista de pouso do Aeroporto Internacional de Tabatinga (AM).

G1

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Lúdio aponta que apenas 21% dos idosos a partir de 75 anos estão imunizados pela vacina da covid-19 em MT

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Foto: JLSIQUEIRA / ALMT

Mato Grosso ainda não tem uma cobertura vacinal que produza impacto significativo sobre número de casos novos de covid-19, internações e mortalidade. Levantamento feito pelo deputado estadual e médico sanitarista Lúdio Cabral (PT), com base nas resoluções da Comissão Intergestores Bipartite (CIB), comparadas com o painel de vacinação do Ministério da Saúde, mostra que apenas 21,1% dos idosos a partir de 75 anos e 50,5% dos trabalhadores da saúde já estão imunizados com as duas doses de vacina contra a covid-19.
“Não vemos efetividade da vacinação. Mato Grosso ainda está longe de alcançar uma cobertura vacinal que dê proteção à população. Mesmo os grupos prioritários têm, até agora, uma cobertura baixa. A imunidade só é completa 14 dias depois da aplicação da 2ª dose. A vacinação está muito lenta nos grupos da fase 1, mesmo com vacinas disponíveis”, observou Lúdio.
No relatório, que considerou os dados disponibilizados até a quinta-feira (8), Lúdio detectou que a cobertura vacinal dos 89.073 idosos a partir de 75 anos é de 21,1%, pois apenas 18.819 receberam a 2ª dose. Se todas as doses disponíveis tivessem sido aplicadas, esse público teria 79,1% de cobertura. Entre os 84.599 trabalhadores da saúde de Mato Grosso, 50,5% já receberam a 2ª dose. Mas essa cobertura vacinal poderia ser de 85% com as doses já disponíveis no estado.
Na avaliação de Lúdio, a explicação para essa lentidão está na demora da distribuição das vacinas pelo estado aos municípios, centralização de vacinação e burocracia para agendamento. O deputado recomenda que o governo de Mato Grosso elabore as resoluções com mais rapidez e agilize a distribuição, e que as prefeituras utilizem a rede de salas de vacinas e a experiência acumulada pelos trabalhadores do Sistema Único de Saúde (SUS), que é referência mundial na imunização de populações. Ele defende que quanto mais descentralizar, melhor, pois o público-alvo vai aumentar nas próximas fases.
“Muitas pessoas que receberam a 1ª dose não estão recebendo a 2ª dose. Por isso é importante que a vacinação seja descentralizada e as vacinas sejam aplicadas no posto de saúde, onde as equipes de saúde conhecem os moradores e podem fazer busca ativa para que as pessoas tomem a 1ª e a 2ª dose no tempo certo e sem burocracia. A imunização só está completa depois da 2ª dose”, explicou Lúdio.

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Fonte: ALMT

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