Política
MP investiga contrato que gerou desvios por 12 anos na AL de MT
Gráfica teria dado suporte financeiro para “mensalinho” aos parlamentares

Fonte: colniza Noticias
Com base na delação premiada do ex-presidente da Assembleia Legislativa, José Geraldo Riva, o Ministério Público Estadual (MPE) instaurou mais um inquérito civil para investigar atos de improbidade administrativa que resultaram em danos ao erário envolvendo pagamento de mensalinho aos deputados estaduais no período de 2003 a 2015. A portaria é assinada pelo promotor de Justiça, Célio Joubert Fúrio, titular da 35ª Promotoria de Justiça do Núcleo de Defesa do Patrimônio Público e da Probidade Administrativa.
De acordo com o documento, assinado no dia 26 de janeiro deste ano, a investigação visa “apurar eventuais atos de improbidade administrativa, de danos ao erário ou promover a declaração de nulidade ou anulação de atos lesivos ao patrimônio público ou a moralidade administrativa, em face da conduta dos gestores da AL/MT, bem como da conduta de representantes legais da empresa Defanti Ind. Com. Gráfica e Editora Eireli (Gráfica Defanti)”. A complementação de informações se faz necessária, segundo o MPE, para colher elementos para identificação e melhor delimitação dos investigados.
No caso em questão, José Riva afirmou em seu acordo de delação homologado em fevereiro de 2020 pelo desembargador Marcos Machado, do Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT), que ele enquanto presidente da Assembleia Legislativa fez o pagamento de mensalinho aos deputados utilizando dinheiro que era desviado do próprio Legislativo Estadual. No dia 29 de janeiro deste ano, o Ministério Público já havia ingressado com uma ação civil pública contra 7 pessoas dentre empresários do setor de gráficas, ex-deputados e ex-servidores da Assembleia Legislativa acusados apontados como operadores de um esquema de fraudes a licitações que causou um prejuízo de R$ 20 milhões ao erário.
Esse valor, conforme defende o MPE, precisa ser devolvido aos cofres do Legislativo Estadual já corrigido até a sua efetiva reparação, acrescidos de juros de mora desde a data do fato (2010) quando foi realizado o pregão presencial 011/2010. Em valores atualizados, segundo o próprio MPE, o prejuízo chega aos R$ 69,1 milhões.
Agora, além dessa ação já protocolada junto à Vara Especializada de Ação Civil Pública e Ação Popular, o órgão fiscalizador avança com novas frentes investigativas em busca de elementos e provas que vão subsidiar a propositura de outras ações por improbidade contras os responsáveis pelos desvios de dinheiro público na Assembleia e também representantes das empresas envolvidas no esquema. “Considerando o contido no SIMP que noticia acordo de colaboração premiada firmado entre o Ministério Público Estadual e o ex-deputado José Geraldo Riva, dividido em anexos, sendo que o primeiro deles trata de um ‘esquema’ de pagamento de propina mensal aos deputados estaduais, denominado de ‘mensalinho’, onde foi citada a empresa abaixo nominada como participante do desvio de dinheiro público, através de contratos simulados ou execução simulada, com desvio de recursos públicos, irregularidades estas que teriam ocorrido nos contratos firmados no período 01/02/2003 a 31/01/2015”, consta na portaria assinada por Célio Fúrio.
Ainda de acordo com o representante do Ministério Público, existem nos autos elementos iniciais que justificam a instauração do inquérito civil para apurar fato autorizador da defesa e tutela dos interesses ou direitos a cargo do órgão fiscalizador.
Fonte: Folha Max
Política
TJMT condena Cattani a indenizar associação LGBTQIA+ e publicar retratação

A Quarta Câmara de Direito Privado do Tribunal de Justiça de Mato Grosso condenou o deputado estadual Gilberto Cattani (PL) ao pagamento de R$ 20 mil por danos morais, além da obrigação de publicar uma retratação em seu perfil no Instagram. A decisão foi tomada nesta quarta-feira (15), após análise de recurso movido pela associação MT Queer.
O colegiado seguiu, de forma unânime, o voto do desembargador Rubens de Oliveira Santos Filho, que divergiu inicialmente da relatora Serly Marcondes Alves. Em primeira instância, a entidade havia tido o pedido negado, cenário que se repetiu em decisão inicial no próprio tribunal. No entanto, após pedido de vista, Rubens apresentou voto favorável à associação, posteriormente acompanhado pela relatora, consolidando o entendimento unânime da Câmara.
No voto, o desembargador destacou que o parlamentar possui histórico de manifestações consideradas polêmicas e apontou que, neste caso, houve extrapolação dos limites da atuação política. Segundo ele, as declarações não configuram exercício legítimo da função parlamentar, mas sim conteúdo discriminatório. “É nítido que o tom adotado não se caracteriza como crítica administrativa ou política, mas revela conteúdo de segregação e preconceito”, afirmou.
A ação tem origem em um vídeo publicado por Cattani em novembro de 2023, no qual ele criticava um curta-metragem produzido pela MT Queer. O material retratava a relação afetiva entre dois jovens e, segundo o deputado, estaria “incentivando” comportamentos entre estudantes. A interpretação foi contestada pela entidade, que acionou a Justiça alegando discurso discriminatório.
Para o relator do voto vencedor, o caso não se enquadra na proteção da imunidade parlamentar. Ele classificou a conduta como manifestação de “intolerância odiosa”, ressaltando que não há nexo funcional que justifique o conteúdo das declarações no âmbito do exercício do mandato.
Além da indenização, que será acrescida de juros e correção monetária, o deputado deverá publicar uma retratação em sua conta no Instagram por, no mínimo, 15 dias. O descumprimento poderá gerar multa diária de R$ 1 mil.
A decisão, proferida em segunda instância, ainda pode ser alvo de recursos. Caso seja mantida até o trânsito em julgado, o caso poderá ter desdobramentos na esfera eleitoral, com eventual análise à luz da Lei da Ficha Limpa, dependendo do entendimento sobre eventual incitação ao ódio e suas implicações jurídicas.
Fonte Folhamax
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