Política
Investidores não gostam de polêmicas de Bolsonaro e aguardam novas medidas do governo
Nas últimas semanas, investidores disseram a um integrante da equipe do presidente da República que o adiamento na decisão de investir forte no Brasil se deve a três fatores: as declarações polêmicas de Jair Bolsonaro; as dúvidas sobre a solução da crise fiscal brasileira; e o ritmo fraco da economia. Nessas conversas, investidores externos dizem aguardar novas medidas do Palácio do Planalto para ter um cenário mais claro sobre que rumo o país tomará.
Inicialmente, havia uma expectativa de que, aprovada a reforma da Previdência, o investimento voltaria forte no Brasil, fazendo o país retomar um ritmo mais acelerado de crescimento. Só que o cenário mudou. Primeiro, ficou claro que apenas a reforma da Previdência não resolve a crise fiscal da União. Segundo, as polêmicas criadas pelo presidente Jair Bolsonaro deixam dúvidas nos investidores sobre como será o restante do seu mandato e acabam influenciando na hora de decidir investimentos.
Com isso, o país não consegue decolar. As previsões de crescimento apontam, nas mais otimistas, para uma alta no PIB de apenas 1% neste ano. E até as do próximo ano começam a ser revisadas, ficando abaixo de 2%, caso o governo não consiga aprovar novas medidas para reduzir outras despesas obrigatórias, além das geradas por benefícios previdenciários.
Por isso, o ministro da Economia, Paulo Guedes, tem analisado com o presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ), a aprovação de medidas na área administrativa, reduzindo o tamanho do Estado e as despesas com pessoal. Essas ações devem ir na linha de garantir a manutenção do teto dos gastos, com a redução dos gastos da União, abrindo espaço para que o país volte a ter investimento público.
Segundo assessores de Bolsonaro, as medidas mais uma vez serão enviadas ao Congresso. E caberá aos parlamentares decidir que rumo tomar: aprovar as medidas para uma nova rodada de corte de despesas ou não solucionar a crise fiscal da União. O último cenário representaria risco de aumento de endividamento, com volta de pressões inflacionárias e falta de recursos para bancar as despesas básicas da máquina pública
G1
Política
TJMT condena Cattani a indenizar associação LGBTQIA+ e publicar retratação

A Quarta Câmara de Direito Privado do Tribunal de Justiça de Mato Grosso condenou o deputado estadual Gilberto Cattani (PL) ao pagamento de R$ 20 mil por danos morais, além da obrigação de publicar uma retratação em seu perfil no Instagram. A decisão foi tomada nesta quarta-feira (15), após análise de recurso movido pela associação MT Queer.
O colegiado seguiu, de forma unânime, o voto do desembargador Rubens de Oliveira Santos Filho, que divergiu inicialmente da relatora Serly Marcondes Alves. Em primeira instância, a entidade havia tido o pedido negado, cenário que se repetiu em decisão inicial no próprio tribunal. No entanto, após pedido de vista, Rubens apresentou voto favorável à associação, posteriormente acompanhado pela relatora, consolidando o entendimento unânime da Câmara.
No voto, o desembargador destacou que o parlamentar possui histórico de manifestações consideradas polêmicas e apontou que, neste caso, houve extrapolação dos limites da atuação política. Segundo ele, as declarações não configuram exercício legítimo da função parlamentar, mas sim conteúdo discriminatório. “É nítido que o tom adotado não se caracteriza como crítica administrativa ou política, mas revela conteúdo de segregação e preconceito”, afirmou.
A ação tem origem em um vídeo publicado por Cattani em novembro de 2023, no qual ele criticava um curta-metragem produzido pela MT Queer. O material retratava a relação afetiva entre dois jovens e, segundo o deputado, estaria “incentivando” comportamentos entre estudantes. A interpretação foi contestada pela entidade, que acionou a Justiça alegando discurso discriminatório.
Para o relator do voto vencedor, o caso não se enquadra na proteção da imunidade parlamentar. Ele classificou a conduta como manifestação de “intolerância odiosa”, ressaltando que não há nexo funcional que justifique o conteúdo das declarações no âmbito do exercício do mandato.
Além da indenização, que será acrescida de juros e correção monetária, o deputado deverá publicar uma retratação em sua conta no Instagram por, no mínimo, 15 dias. O descumprimento poderá gerar multa diária de R$ 1 mil.
A decisão, proferida em segunda instância, ainda pode ser alvo de recursos. Caso seja mantida até o trânsito em julgado, o caso poderá ter desdobramentos na esfera eleitoral, com eventual análise à luz da Lei da Ficha Limpa, dependendo do entendimento sobre eventual incitação ao ódio e suas implicações jurídicas.
Fonte Folhamax
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