Política
Grupo que analisa pacote anticrime aprova proposta que cria ‘juiz de garantia
O grupo de trabalho da Câmara dos Deputados que analisa o pacote anticrime do ministro Sergio Moro aprovou nesta quinta-feira (19) a proposta que cria a figura do “juiz de garantia”. Entre as atribuições do juiz estarão a supervisão das investigações, a garantia da legalidade do processo e do cumprimento dos diretos dos suspeitos ou réus.
Pela mudança aprovada, um segundo juiz será o responsável pelas decisões finais do processo, como a sentença, que fixa se o réu deve ser condenado ou absolvido.
A proposta foi sugerida pela coordenadora do grupo, Margarete Coelho (PP-PI), e o deputado Paulo Teixeira (PT-SP). O texto ainda será analisado no Plenário da Câmara.
O grupo de trabalho analisa em conjunto o projeto anticrime do ministro Sergio Moro e o projeto apresentado por um grupo de juristas liderado pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes.
De acordo com o texto aprovado, o juiz das garantias é responsável pelo “controle da legalidade da investigação criminal e pela salvaguarda dos direitos individuais cuja franquia tenha sido reservada à autorização prévia do Poder Judiciário”.
O texto prevê como principais competências o recebimento de autos de prisão em flagrante, decisões sobre prisões provisórias e outras medidas cautelares, prorrogação do prazo de inquéritos, vistoriar os direitos dos preso e decisões sobre interceptações telefônicas, quebras de sigilo, busca e apreensão e obtenção de provas.
A proposta não prevê a contratação de novos magistrados. A função seria acumulada por juízes que já estão em exercício.
Mudanças no texto
Na reunião desta quinta-feira, parlamentares repercutiram as alterações realizadas até agora nas propostas enviadas pelo ministro Sergio Moro.
O grupo já derrubou algumas propostas enviadas por Moro, como o “plea pargain”, a prisão após condenação em segunda instância e tornar regra o uso de videoconferência em audiências.
Na reunião da última quarta-feira (18), os deputados também modificaram e derrubaram algumas propostas enviadas pelo ministro, como a captação de áudios ambientes e regras para advogados nos presídios federais.
A deputada Carla Zambelli (PSL-SP) afirmou que “tentar desconfigurar o pacote anticrime é um desrespeito com a população”.
“Tentar desconfigurar o pacote anticrime como vem acontecendo, é só um desrespeito com toda essa população que vem no anseio de pedir,pelo amor de deus, façam alguma coisa contra a criminalidade, contra a organização, os crimes organizados, a corrupção, etc, que vem acontecendo no Brasil”, afirmou.
O deputado Fábio Trad (PSD-MS) afirmou que o grupo faz um trabalho técnico e e que o texto do ministro Sergio Moro está sendo aperfeiçoado.
“O ministro Moro não está na razão jurídica. Temos liberdade para discordar dele? Se não vamos ficar sempre com aquela ameaça, faça como o ministro Moro se não a opinião pública vai açoitar. E estamos aqui trabalhando tecnicamente. Temos que ter essa liberdade, caso contrário não há mais parlamento. E digo, o projeto do ministro Moro está sendo aperfeiçoado, melhorado, é o primeiro que deve se orgulhar do nosso trabalho”, disse.
‘Pontos podem voltar’
Em nota, o ministro Sergio Moro disse estar “confiante” de que pontos retirados ainda podem voltar ao pacote. “O ministro respeita o trabalho do Congresso, e está confiante de que pontos retirados ainda podem voltar ao pacote, nas discussões nas comissões e no plenário”, diz a nota.
G1
Política
TJMT condena Cattani a indenizar associação LGBTQIA+ e publicar retratação

A Quarta Câmara de Direito Privado do Tribunal de Justiça de Mato Grosso condenou o deputado estadual Gilberto Cattani (PL) ao pagamento de R$ 20 mil por danos morais, além da obrigação de publicar uma retratação em seu perfil no Instagram. A decisão foi tomada nesta quarta-feira (15), após análise de recurso movido pela associação MT Queer.
O colegiado seguiu, de forma unânime, o voto do desembargador Rubens de Oliveira Santos Filho, que divergiu inicialmente da relatora Serly Marcondes Alves. Em primeira instância, a entidade havia tido o pedido negado, cenário que se repetiu em decisão inicial no próprio tribunal. No entanto, após pedido de vista, Rubens apresentou voto favorável à associação, posteriormente acompanhado pela relatora, consolidando o entendimento unânime da Câmara.
No voto, o desembargador destacou que o parlamentar possui histórico de manifestações consideradas polêmicas e apontou que, neste caso, houve extrapolação dos limites da atuação política. Segundo ele, as declarações não configuram exercício legítimo da função parlamentar, mas sim conteúdo discriminatório. “É nítido que o tom adotado não se caracteriza como crítica administrativa ou política, mas revela conteúdo de segregação e preconceito”, afirmou.
A ação tem origem em um vídeo publicado por Cattani em novembro de 2023, no qual ele criticava um curta-metragem produzido pela MT Queer. O material retratava a relação afetiva entre dois jovens e, segundo o deputado, estaria “incentivando” comportamentos entre estudantes. A interpretação foi contestada pela entidade, que acionou a Justiça alegando discurso discriminatório.
Para o relator do voto vencedor, o caso não se enquadra na proteção da imunidade parlamentar. Ele classificou a conduta como manifestação de “intolerância odiosa”, ressaltando que não há nexo funcional que justifique o conteúdo das declarações no âmbito do exercício do mandato.
Além da indenização, que será acrescida de juros e correção monetária, o deputado deverá publicar uma retratação em sua conta no Instagram por, no mínimo, 15 dias. O descumprimento poderá gerar multa diária de R$ 1 mil.
A decisão, proferida em segunda instância, ainda pode ser alvo de recursos. Caso seja mantida até o trânsito em julgado, o caso poderá ter desdobramentos na esfera eleitoral, com eventual análise à luz da Lei da Ficha Limpa, dependendo do entendimento sobre eventual incitação ao ódio e suas implicações jurídicas.
Fonte Folhamax
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