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Política

Embaixador da Palestina diz que abertura de escritório em Jerusalém é ‘passo desnecessário’

O embaixador da Palestina em Brasília, Ibrahim Alzeben, classificou nesta segunda-feira (1º) de “passo desnecessário” a decisão do presidente Jair Bolsonaro de abrir um escritório de negócios em Jerusalém.

O diplomata afirmou que os embaixadores de países árabes pediram, há cerca de 10 dias, uma audiência com Bolsonaro e o chanceler Ernesto Araújo. Como ainda não obtiveram resposta por parte do governo brasileiro, os representantes das nações árabes pretendem reforçar o pedido quando o presidente retornar do Oriente Médio.

Neste domingo (31), no primeiro dia da visita oficial a Israel, Bolsonaro anunciou a abertura de um escritório comercial do governo brasileiro em Jerusalém, cidade considerada sagrada por cristãos, judeus e muçulmanos e que não é reconhecida internacionalmente como capital israelense.

A abertura do escritório em Jerusalém é uma saída diplomática para o embaraço gerado com países árabes após o presidente ter manifestado publicamente, logo após ser eleito, a intenção de transferir a embaixada brasileira de Tel Aviv para Jerusalém, a exemplo do que fez o presidente norte-americano Donald Trump.

O eventual reconhecimento por parte do governo brasileiro de Jerusalém como capital de Israel, e também a eventual mudança da embaixada, suscitou o receio de retaliações comerciais de países árabes, grandes compradores de carne bovina e de frango do Brasil.

O recuo de Bolsonaro em relação à transferência da embaixada se deu após ponderações da ala militar do governo e de ruralistas de que a medida poderia gerar um prejuízo bilionário para a economia brasileira.

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Convocação do embaixador

Após o anúncio da instalação da repartição comercial, a Autoridade Palestina condenou a decisão do governo brasileiro e anunciou que vai chamar de volta ao Oriente Médio o embaixador no Brasil para consultas, o que no protocolo diplomático significa uma grande insatisfação e reprovação por parte do governo palestino.

“[Bolsonaro] está mexendo com um assunto delicado, conflitivo”, disse o diplomata da Palestina.

“Interferir nisso será inoportuno. Não por parte só do Brasil, de qualquer país. Deixem as duas partes se entenderem”, complementou Ibrahim Alzeben.

O representante da Palestina no Brasil ressaltou que ainda tem esperança de que a decisão “seja revista” pelo governo brasileiro. Segundo ele, o Brasil não deve “aceitar chantagens e pressões”, nem do lado palestino nem do israelense.

O diplomata enfatizou que ainda não recebeu nenhuma convocação oficial para voltar à Palestina. “Estão aguardando desdobramento de toda a visita. Melhor esperar um pouco e deixarmos para nossa liderança tomar a decisão, se é necessário efetivar esse passo ou recuar”, ponderou.

Audiência com Bolsonaro

Diplomata mais antigo do conselho de embaixadores árabes que atuam no Brasil, Ibrahim Alzeben disse que ele e outros representantes de nações vizinhas a Israel querem aproveitar a reunião solicitada a Bolsonaro para cumprimentar o presidente brasileiro pela posse e, “seguramente”, tratar de temas de interesse dos países do Oriente Médio.

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“A ideia principal era cumprimentar o presidente e felicitá-lo pela posse, porque ele se reuniu com vários embaixadores. Seria, neste caso, oportuno também se reunir com o grupo árabe. Seguramente, para tocar temas também de interesse [dos países árabes] e expressarmos o nosso interesse em mantermos as melhores relações com o Brasil.”

O embaixador destacou que Bolsonaro recebeu um convite para aproveitar a viagem a Israel para também visitar a Palestina, a exemplo do que fez o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva em 2010.

“Lamentavelmente, [Bolsonaro] não aproveitou a oportunidade de fazer as duas [visitas] ao mesmo tempo, mas entendemos as questões de agenda”, disse o diplomata palestino.

Hamas

O grupo islâmico Hamas, que controla a Faixa de Gaza, divulgou comunicado condenando a visita de Bolsonaro e afirmando que ela “não só contradiz a atitude histórica do povo brasileiro, que apoia a luta pela liberdade do povo palestino contra a ocupação [israelense], mas também viola as leis e as normas internacionais”.

O grupo condenou também a abertura do escritório brasileiro em Jerusalém e instou “a Liga Árabe, a Organização de Cooperação Islâmica e todas as organizações internacionais a pressionar o governo brasileiro a reverter esses movimentos que apoiam a ocupação israelense e dão cobertura para seus crimes abomináveis ​​e violações contra o povo palestino”.

G1 Política

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TJMT condena Cattani a indenizar associação LGBTQIA+ e publicar retratação

A Quarta Câmara de Direito Privado do Tribunal de Justiça de Mato Grosso condenou o deputado estadual Gilberto Cattani (PL) ao pagamento de R$ 20 mil por danos morais, além da obrigação de publicar uma retratação em seu perfil no Instagram. A decisão foi tomada nesta quarta-feira (15), após análise de recurso movido pela associação MT Queer.

O colegiado seguiu, de forma unânime, o voto do desembargador Rubens de Oliveira Santos Filho, que divergiu inicialmente da relatora Serly Marcondes Alves. Em primeira instância, a entidade havia tido o pedido negado, cenário que se repetiu em decisão inicial no próprio tribunal. No entanto, após pedido de vista, Rubens apresentou voto favorável à associação, posteriormente acompanhado pela relatora, consolidando o entendimento unânime da Câmara.

No voto, o desembargador destacou que o parlamentar possui histórico de manifestações consideradas polêmicas e apontou que, neste caso, houve extrapolação dos limites da atuação política. Segundo ele, as declarações não configuram exercício legítimo da função parlamentar, mas sim conteúdo discriminatório. “É nítido que o tom adotado não se caracteriza como crítica administrativa ou política, mas revela conteúdo de segregação e preconceito”, afirmou.

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A ação tem origem em um vídeo publicado por Cattani em novembro de 2023, no qual ele criticava um curta-metragem produzido pela MT Queer. O material retratava a relação afetiva entre dois jovens e, segundo o deputado, estaria “incentivando” comportamentos entre estudantes. A interpretação foi contestada pela entidade, que acionou a Justiça alegando discurso discriminatório.

Para o relator do voto vencedor, o caso não se enquadra na proteção da imunidade parlamentar. Ele classificou a conduta como manifestação de “intolerância odiosa”, ressaltando que não há nexo funcional que justifique o conteúdo das declarações no âmbito do exercício do mandato.

Além da indenização, que será acrescida de juros e correção monetária, o deputado deverá publicar uma retratação em sua conta no Instagram por, no mínimo, 15 dias. O descumprimento poderá gerar multa diária de R$ 1 mil.

A decisão, proferida em segunda instância, ainda pode ser alvo de recursos. Caso seja mantida até o trânsito em julgado, o caso poderá ter desdobramentos na esfera eleitoral, com eventual análise à luz da Lei da Ficha Limpa, dependendo do entendimento sobre eventual incitação ao ódio e suas implicações jurídicas.

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Fonte Folhamax

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