Política
Defesa de Jucá pede ao STF para arquivar inquérito sobre suposto esquema em Santo Antônio
Os advogados do ex-senador Romero Jucá (MDB-RR) pediram ao Supremo Tribunal Federal (STF) o arquivamento do inquérito que apura se ele participou de esquema de corrupção envolvendo o processo licitatório do Projeto Madeira (Usina Hidrelétrica de Santo Antônio).
No pedido de arquivamento, a defesa, liderada pelo criminalista Antonio Carlos de Almeida Castro, o Kakay, ressalta que o inquérito teve início em abril de 2017 e que ainda não houve comprovação da culpa de Romero Jucá no caso.
Os advogados rebatem a manifestação da Procuradoria-Geral da República (PGR) que, na última semana, pediu que o inquérito seja encaminhado à Seção Judiciária do Paraná. Para a defesa, caso o processo não seja arquivado, deve ser enviado à Justiça do Distrito Federal.
“A tentativa da PGR de prolongar a situação flagrantemente constrangedora em que se encontra o ora requerente que, há quase 2 anos vem sendo investigado mesmo ausentes os mínimos indícios de materialidade e autoria, não merece guarida deste Colendo Tribunal, devendo a investigação contra o ex-Senador Romero Jucá ser arquivada”, destacam os advogados.
Como o blog informou, o ministro Edson Fachin pediu que a PGR dissesse se o inquérito sobre Jucá seria caso de arquivamento. Em resposta, a PGR afirmou que as investigações seguem seu curso natural, e pediu o encaminhamento do processo para a primeira instância, já que o ex-senador não tem mais foro privilegiado por prerrogativa de função.
“Não há que se falar em arquivamento, haja vista que as medidas investigativas estão seguindo o curso natural, com grande possibilidade de permitir a formação do juízo sobre a responsabilidade penal do investigado, sem prejuízo de outros delitos”, argumentou a PGR.
Neste inquérito, Romero Jucá é suspeito de receber R$ 10 milhões em propina da Odebrecht e da Andrade Gutierrez para beneficiar as empresas na licitação do Projeto Madeira (Usina Hidrelétrica de Santo Antônio). Caberá ao ministro Edson Fachin, relator do inquérito, decidir sobre o arquivamento ou envio do processo para a primeira instância.
Nesta semana, Fachin determinou o arquivamento de um inquéritoque investigava o ex-senador Edison Lobão. Ele era suspeito de participar de esquema de corrupção envolvendo projetos de usinas hidrelétricas no Rio Madeira. O arquivamento foi solicitado pela PGR, que afirmou não ter coletado provas suficientes que justificassem a continuidade do caso.
Em dezembro de 2018, o ministro Gilmar Mendes determinou o arquivamento de outro inquérito aberto contra o ex-senador Romero Jucá. Aberto em 2010, Jucá era investigado pelos crimes de falsidade ideológica, desvio de contribuições previdenciárias e crimes contra a ordem tributária.
Na época, Gilmar Mendes acatou a manifestação da PGR, que afirmou que, ao longo de 8 anos de investigações, não reuniu provas mínimas contra o ex-senador.
G1
Política
TJMT condena Cattani a indenizar associação LGBTQIA+ e publicar retratação

A Quarta Câmara de Direito Privado do Tribunal de Justiça de Mato Grosso condenou o deputado estadual Gilberto Cattani (PL) ao pagamento de R$ 20 mil por danos morais, além da obrigação de publicar uma retratação em seu perfil no Instagram. A decisão foi tomada nesta quarta-feira (15), após análise de recurso movido pela associação MT Queer.
O colegiado seguiu, de forma unânime, o voto do desembargador Rubens de Oliveira Santos Filho, que divergiu inicialmente da relatora Serly Marcondes Alves. Em primeira instância, a entidade havia tido o pedido negado, cenário que se repetiu em decisão inicial no próprio tribunal. No entanto, após pedido de vista, Rubens apresentou voto favorável à associação, posteriormente acompanhado pela relatora, consolidando o entendimento unânime da Câmara.
No voto, o desembargador destacou que o parlamentar possui histórico de manifestações consideradas polêmicas e apontou que, neste caso, houve extrapolação dos limites da atuação política. Segundo ele, as declarações não configuram exercício legítimo da função parlamentar, mas sim conteúdo discriminatório. “É nítido que o tom adotado não se caracteriza como crítica administrativa ou política, mas revela conteúdo de segregação e preconceito”, afirmou.
A ação tem origem em um vídeo publicado por Cattani em novembro de 2023, no qual ele criticava um curta-metragem produzido pela MT Queer. O material retratava a relação afetiva entre dois jovens e, segundo o deputado, estaria “incentivando” comportamentos entre estudantes. A interpretação foi contestada pela entidade, que acionou a Justiça alegando discurso discriminatório.
Para o relator do voto vencedor, o caso não se enquadra na proteção da imunidade parlamentar. Ele classificou a conduta como manifestação de “intolerância odiosa”, ressaltando que não há nexo funcional que justifique o conteúdo das declarações no âmbito do exercício do mandato.
Além da indenização, que será acrescida de juros e correção monetária, o deputado deverá publicar uma retratação em sua conta no Instagram por, no mínimo, 15 dias. O descumprimento poderá gerar multa diária de R$ 1 mil.
A decisão, proferida em segunda instância, ainda pode ser alvo de recursos. Caso seja mantida até o trânsito em julgado, o caso poderá ter desdobramentos na esfera eleitoral, com eventual análise à luz da Lei da Ficha Limpa, dependendo do entendimento sobre eventual incitação ao ódio e suas implicações jurídicas.
Fonte Folhamax
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