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Críticas do governo à fiscalização ambiental provocaram sensação de impunidade, diz pesquisador

O pesquisador Paulo Barreto, do Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia (Imazon), avaliou ao blog que as constantes críticas do governo a órgãos de fiscalização ambiental provocaram sensação de impunidade entre as pessoas que praticam o desmatamento.

O instituto também aponta como motivo o que avalia ter sido uma atuação tardia do governo no combate às queimadas na Amazônia.

Diante desse cenário, o órgão fiz que não causou surpresa o elevado número de áreas com alertas de desmatamento em 2019.

O Imazon é uma entidade de pesquisa que busca promover a conservação e o desenvolvimento sustentável da região amazônica.

Bolsonaro x Macron

Em agosto, durante a reunião do G7, o presidente da França, Emmanuel Macron, fez um discurso convocando as potências mundiais a combater o desmatamento e investir no reflorestamento da Amazônia.

A partir do discurso, desentendimentos entre ele e o presidente Jair Bolsonaro ocorreram diariamente, estremecendo as relações entre os dois países.

A convocação mundial, no entanto, teria feito o governo brasileiro se mobilizar. Isso porque, de acordo com dados do Google Trends levantados por Paulo Barreto, a evolução de procura de termos e decisões voltados para o combate às queimadas na Amazônia aumentou.

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“O gráfico é um ‘time line’ com decisões e a procura de termos no Google Trends no Brasil. Mostra que o governo só agiu depois da manifestação do Macron. A repercussão do tema já estava alta após a tarde de fumaça em São Paulo, mas o governo e o [Rodrigo] Maia só agiram depois do Macron”, diz.

Paulo Barreto lembrou ainda que nos períodos de 2005 a 2012, quando houve ação mais dura por parte do governo federal em relação ao desmatamento, a taxa caiu 80%, enquanto o valor da produção agropecuária subiu.

O pesquisador teme que a ausência de uma ação de prevenção e efetivo controle dê continuidade às queimadas e outras ações de desmatamento em 2020.

“Não houve nenhuma manifestação expressiva do mercado sobre deixar de comprar áreas desmatadas ilegalmente. A preocupação maior é a falta de uma ação coordenada para evitar o problema no ano que vem e além – ou seja, é preciso punir quem desmatou e criar as condições para melhorar o uso das áreas já desmatadas e da floresta”, diz o pesquisador.

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G1

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Política

TJMT condena Cattani a indenizar associação LGBTQIA+ e publicar retratação

A Quarta Câmara de Direito Privado do Tribunal de Justiça de Mato Grosso condenou o deputado estadual Gilberto Cattani (PL) ao pagamento de R$ 20 mil por danos morais, além da obrigação de publicar uma retratação em seu perfil no Instagram. A decisão foi tomada nesta quarta-feira (15), após análise de recurso movido pela associação MT Queer.

O colegiado seguiu, de forma unânime, o voto do desembargador Rubens de Oliveira Santos Filho, que divergiu inicialmente da relatora Serly Marcondes Alves. Em primeira instância, a entidade havia tido o pedido negado, cenário que se repetiu em decisão inicial no próprio tribunal. No entanto, após pedido de vista, Rubens apresentou voto favorável à associação, posteriormente acompanhado pela relatora, consolidando o entendimento unânime da Câmara.

No voto, o desembargador destacou que o parlamentar possui histórico de manifestações consideradas polêmicas e apontou que, neste caso, houve extrapolação dos limites da atuação política. Segundo ele, as declarações não configuram exercício legítimo da função parlamentar, mas sim conteúdo discriminatório. “É nítido que o tom adotado não se caracteriza como crítica administrativa ou política, mas revela conteúdo de segregação e preconceito”, afirmou.

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A ação tem origem em um vídeo publicado por Cattani em novembro de 2023, no qual ele criticava um curta-metragem produzido pela MT Queer. O material retratava a relação afetiva entre dois jovens e, segundo o deputado, estaria “incentivando” comportamentos entre estudantes. A interpretação foi contestada pela entidade, que acionou a Justiça alegando discurso discriminatório.

Para o relator do voto vencedor, o caso não se enquadra na proteção da imunidade parlamentar. Ele classificou a conduta como manifestação de “intolerância odiosa”, ressaltando que não há nexo funcional que justifique o conteúdo das declarações no âmbito do exercício do mandato.

Além da indenização, que será acrescida de juros e correção monetária, o deputado deverá publicar uma retratação em sua conta no Instagram por, no mínimo, 15 dias. O descumprimento poderá gerar multa diária de R$ 1 mil.

A decisão, proferida em segunda instância, ainda pode ser alvo de recursos. Caso seja mantida até o trânsito em julgado, o caso poderá ter desdobramentos na esfera eleitoral, com eventual análise à luz da Lei da Ficha Limpa, dependendo do entendimento sobre eventual incitação ao ódio e suas implicações jurídicas.

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Fonte Folhamax

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