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Bolsonaro deve visitar países árabes no primeiro semestre deste ano, diz ministro

O ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo, afirmou nesta quinta-feira (4) que o Itamaraty está elaborando uma agenda de visitas do presidente Jair Bolsonaro a países árabes ainda no primeiro semestre deste ano. Araújo, entretanto, não citou quais países serão incluídos no roteiro de visitas oficiais.

Aliado de Israel, Bolsonaro gerou um desconforto com nações árabes nesta semana ao decidir abrir um escritório comercial em Jerusalém, cidade considerada sagrada por cristãos, judeus e muçulmanos e que não é reconhecida internacionalmente como capital israelense.

A instalação do escritório foi um recuo da intenção inicial do presidente da República de transferir a embaixada brasileira em Israel de Tel Aviv para Jerusalém. Bolsonaro desistiu de trocar a chancelaria de endereço após alas militares do governo, ruralistas e a ministra da Agricultura, Tereza Cristina, alertarem que a medida poderia desencadear retaliações comerciais de países árabes, importantes compradores de carne brasileira.

“Estamos definindo um programa. Nos próximos dias, se tudo der certo, vamos definir um programa de visitas do presidente aos países árabes. Tentaremos fazer no primeiro semestre. Países que sejam nossos principais parceiros, para começar. Depois, iremos a outros. Vamos definir isso brevemente. Grandes parceiros comerciais e que sejam polos importantes de comércio”, declarou o ministro ao final de uma audiência pública no Senado.

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Ernesto Araújo foi à Comissão de Relações Exteriores da casa legislativa para discutir os rumos da política externa brasileira. Na audiência, ele afirmou aos senadores que tem “certeza” de que a aproximação do governo Bolsonaro com Israel não gerará prejuízos ao agronegócio brasileiro.

O desconforto dos países árabes foi confirmado nesta quarta-feira (3) pela ministra da Agricultura, Tereza Cristina. Ela disse que se reunirá com 51 embaixadores dessas nações, no próximo dia 10, como forma de apaziguar os ânimos na área econômica.

Questionado nesta quinta sobre o assunto, Ernesto Araújo disse que há novas parcerias em andamento com o mundo árabe – inclusive, na agricultura e na pecuária.

“O chanceler dos Emirados Árabes Unidos já discutiu uma ideia que ele mesmo apresentou, e que nós vamos procurar desenvolver, de melhor utilizar o hub de distribuição excepcional, que eles possuem, para melhor acesso ao mercado da Índia de produtos alimentícios. […] em benefício, é claro, do agronegócio brasileiro”, afirmou o chanceler.

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“Já obtivemos acesso ao mercado de gado vivo da Malásia, que é um país de maioria muçulmana”, complementou.

G1 Política

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TJMT condena Cattani a indenizar associação LGBTQIA+ e publicar retratação

A Quarta Câmara de Direito Privado do Tribunal de Justiça de Mato Grosso condenou o deputado estadual Gilberto Cattani (PL) ao pagamento de R$ 20 mil por danos morais, além da obrigação de publicar uma retratação em seu perfil no Instagram. A decisão foi tomada nesta quarta-feira (15), após análise de recurso movido pela associação MT Queer.

O colegiado seguiu, de forma unânime, o voto do desembargador Rubens de Oliveira Santos Filho, que divergiu inicialmente da relatora Serly Marcondes Alves. Em primeira instância, a entidade havia tido o pedido negado, cenário que se repetiu em decisão inicial no próprio tribunal. No entanto, após pedido de vista, Rubens apresentou voto favorável à associação, posteriormente acompanhado pela relatora, consolidando o entendimento unânime da Câmara.

No voto, o desembargador destacou que o parlamentar possui histórico de manifestações consideradas polêmicas e apontou que, neste caso, houve extrapolação dos limites da atuação política. Segundo ele, as declarações não configuram exercício legítimo da função parlamentar, mas sim conteúdo discriminatório. “É nítido que o tom adotado não se caracteriza como crítica administrativa ou política, mas revela conteúdo de segregação e preconceito”, afirmou.

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A ação tem origem em um vídeo publicado por Cattani em novembro de 2023, no qual ele criticava um curta-metragem produzido pela MT Queer. O material retratava a relação afetiva entre dois jovens e, segundo o deputado, estaria “incentivando” comportamentos entre estudantes. A interpretação foi contestada pela entidade, que acionou a Justiça alegando discurso discriminatório.

Para o relator do voto vencedor, o caso não se enquadra na proteção da imunidade parlamentar. Ele classificou a conduta como manifestação de “intolerância odiosa”, ressaltando que não há nexo funcional que justifique o conteúdo das declarações no âmbito do exercício do mandato.

Além da indenização, que será acrescida de juros e correção monetária, o deputado deverá publicar uma retratação em sua conta no Instagram por, no mínimo, 15 dias. O descumprimento poderá gerar multa diária de R$ 1 mil.

A decisão, proferida em segunda instância, ainda pode ser alvo de recursos. Caso seja mantida até o trânsito em julgado, o caso poderá ter desdobramentos na esfera eleitoral, com eventual análise à luz da Lei da Ficha Limpa, dependendo do entendimento sobre eventual incitação ao ódio e suas implicações jurídicas.

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Fonte Folhamax

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