Política
Cinco parlamentares do PSL pedem expulsão de Eduardo Bolsonaro do partido
Cinco parlamentares filiados ao PSL informaram nesta quinta-feira (24) ter pedido a expulsão do deputado Eduardo Bolsonaro do partido. A solicitação foi enviada à Executiva Nacional da sigla e foi registrada em cartório.
O pedido é direcionado ao presidente da legenda, o deputado federal Luciano Bivar, e ao conselho de ética do PSL.
Filho do presidente Jair Bolsonaro, Eduardo é o atual líder do PSL na Câmara dos Deputados e preside o diretório paulista da legenda.
O deputado está envolvido na crise que atinge o partido, agravada na semana passada quando o grupo aliado a ele e a Jair Bolsonaro se articulou para destituir o então líder do PSL na Câmara, deputado Delegado Waldir (PSL-GO), ligado a Bivar.
A decisão sobre a expulsão caberá ao conselho de ética do PSL. Assinaram o pedido de expulsão:
- senador Major Olímpio (PSL-SP), líder do partido no Senado;
- deputada Joice Hasselmann (PSL-SP);
- deputado Coronel Tadeu (PSL-SP);
- deputado Júnior Bozzella (PSL-SP);
- deputado Abou Anni (PSL-SP).
No início da tarde desta quinta-feira, Eduardo Bolsonaro esteve na Câmara e foi questionado sobre o pedido de expulsão do partido. Ele respondeu ainda não ter sido notificado.
“Estou esperando ser notificado oficialmente de qualquer dessas decisões. Porque, até agora, não sei, as pessoas estão falando, mas quem é que está movendo, onde é que está protocolado isso? Para mim, não chegou nada oficial”, declarou.
O que argumentam os parlamentares
Ex-líder do governo no Congresso Nacional, a deputada Joice Hasselmann disse que o pedido é baseado em “ilegalidades” que teriam sido cometidas “lá dentro de São Paulo”.
Joice deixou o posto de líder na semana passada, um dia depois de ter apoiado a lista que mantinha Delegado Waldir na liderança do PSL. No último fim de semana, ela disse que o governo agiu para dar um “golpe” no PSL.
“O pedido que nós fizemos é um pedido já oficial de expulsão do partido, por conta das ilegalidades cometidas lá dentro de São Paulo. E também de afastamento da executiva e até mesmo de suspensão do PSL, de expulsão da legenda”, afirmou Joice.
No pedido de expulsão protocolado em cartório, os parlamentares argumentam que Eduardo Bolsonaro desrespeitou o estatuto e o código de ética do PSL, além de ter cometido uma “série de infrações”.
Como exemplo, os parlamentares disseram que Eduardo destituiu diretórios municipais e os substituiu por comissões provisórias.
“O Judiciário já reconheceu, liminarmente e em pelo menos duas oportunidades, que os representados abusaram de seus poderes enquanto administradores do PSL de São Paulo e constituíram Comissões Provisórias Municipais em detrimento dos Diretórios municipais definitivamente criados, nos termos do Estatuto”, aponta o documento.
“Isso contraria a determinação do TSE de constituição de Diretórios e Comissões Executivas definitivos, em substituição às comissões provisórias, bem como a democracia partidária, prevista no Estatuto”, conclui o pedido.
Conforme a petição, teriam sido derrubados ilegalmente mais de 200 diretórios definitivos e comissões executivas provisórias do PSL nos municípios.
Olímpio, Joice, Tadeu, Bozzella e Anni explicam que a direção nacional do PSL chegou a receber 13 reclamações de filiados do interior de São Paulo sobre as “irregularidades” cometidas.
Para o deputado Júnior Bozzella, os políticos à frente dos diretórios municipais não tiveram direito de se pronunciar.
“O PSL em São Paulo estava devidamente organizado, uma série de municípios, de diretórios definitivos e eles simplesmente, com a gestão da atual executiva estadual, eles foram derrubando todas as cidades passando por cima sem dar direito ao contraditório de ampla defesa, só para trocar os grupos sem justificativa alguma”, avaliou Bozzella.
G1
Política
TJMT condena Cattani a indenizar associação LGBTQIA+ e publicar retratação

A Quarta Câmara de Direito Privado do Tribunal de Justiça de Mato Grosso condenou o deputado estadual Gilberto Cattani (PL) ao pagamento de R$ 20 mil por danos morais, além da obrigação de publicar uma retratação em seu perfil no Instagram. A decisão foi tomada nesta quarta-feira (15), após análise de recurso movido pela associação MT Queer.
O colegiado seguiu, de forma unânime, o voto do desembargador Rubens de Oliveira Santos Filho, que divergiu inicialmente da relatora Serly Marcondes Alves. Em primeira instância, a entidade havia tido o pedido negado, cenário que se repetiu em decisão inicial no próprio tribunal. No entanto, após pedido de vista, Rubens apresentou voto favorável à associação, posteriormente acompanhado pela relatora, consolidando o entendimento unânime da Câmara.
No voto, o desembargador destacou que o parlamentar possui histórico de manifestações consideradas polêmicas e apontou que, neste caso, houve extrapolação dos limites da atuação política. Segundo ele, as declarações não configuram exercício legítimo da função parlamentar, mas sim conteúdo discriminatório. “É nítido que o tom adotado não se caracteriza como crítica administrativa ou política, mas revela conteúdo de segregação e preconceito”, afirmou.
A ação tem origem em um vídeo publicado por Cattani em novembro de 2023, no qual ele criticava um curta-metragem produzido pela MT Queer. O material retratava a relação afetiva entre dois jovens e, segundo o deputado, estaria “incentivando” comportamentos entre estudantes. A interpretação foi contestada pela entidade, que acionou a Justiça alegando discurso discriminatório.
Para o relator do voto vencedor, o caso não se enquadra na proteção da imunidade parlamentar. Ele classificou a conduta como manifestação de “intolerância odiosa”, ressaltando que não há nexo funcional que justifique o conteúdo das declarações no âmbito do exercício do mandato.
Além da indenização, que será acrescida de juros e correção monetária, o deputado deverá publicar uma retratação em sua conta no Instagram por, no mínimo, 15 dias. O descumprimento poderá gerar multa diária de R$ 1 mil.
A decisão, proferida em segunda instância, ainda pode ser alvo de recursos. Caso seja mantida até o trânsito em julgado, o caso poderá ter desdobramentos na esfera eleitoral, com eventual análise à luz da Lei da Ficha Limpa, dependendo do entendimento sobre eventual incitação ao ódio e suas implicações jurídicas.
Fonte Folhamax
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