Política
Bolsonaro está ‘surpreso’ com viagem de grupo do PSL à China, diz presidente do partido
O presidente Jair Bolsonaro ficou “surpreso” com a viagem de deputados do PSL à China, disse ao blog nesta quinta-feira (17) o presidente do partido, Luciano Bivar.
Os deputados do PSL integram um grupo de parlamentares que viajou na terça-feira (15) ao país, a convite da embaixada chinesa no Brasil. Mas a viagem gerou críticas e mal-estar entre aliados do presidente, como o “guru” Olavo de Carvalho, que mora nos EUA.
Na internet, Olavo de Carvalho chamou os deputados da comitiva de “semianalfabetos”. Ao blog, Bivar disse que Carvalho “perde o amigo mas não perde a piada”, e que está aproveitando para mostrar que “também mete o pau no governo”.
O presidente do PSL, que também é deputado federal, disse que recusou o convite da embaixada chinesa para uma viagem no período eleitoral e que, recentemente, esteve com o embaixador em Brasília, após a vitória de Bolsonaro.
No encontro, transmitiu mensagem de que Bolsonaro gostaria de fazer uma viagem à China, mas que ainda seria marcada.
Segundo Bivar, Bolsonaro se surpreendeu com a visita dos deputados do seu partido ao país.
“Quando Carla Zambeli [deputada federal eleita] me disse que ia para a China, eu disse: ‘Para a China?’ Não estava sabendo. Ontem, falei por telefone com o presidente Bolsonaro e ele me disse: ‘Poxa, Bivar, o pessoal precisa saber que existe uma responsabilidade em ser do PSL, que somos vidraças, que tudo reverbera em cima de nós'”, contou Bivar ao blog.
A China é o principal parceiro comercial do Brasil. O comércio bilateral entre os dois países foi de US$ 75 bilhões no ano passado, de acordo com estatísticas do governo brasileiro.
Durante as eleições, Bolsonaro fez críticas ao país. Em novembro, o editorial do jornal estatal chinês alertou sobre o custo econômico de Bolsonaro querer ser um “Trump tropical” e romper acordos comerciais.
Bivar disse que, durante seu encontro com o embaixador, no fim de 2018, o mal-estar foi superado.
No Palácio do Planalto, a avaliação de ministros ouvidos pelo blog é a de que o grupo está “deslumbrado” e “desgasta” a imagem do governo ao ir à China.
Auxiliares do presidente deram razão às críticas de Olavo de Carvalho, e disseram ao blog que o único “atenuante” é que não foi o Brasil que pagou a viagem, já que foi um convite. “Mas não tem almoço grátis”, disse um interlocutor de Bolsonaro.
Nesta manhã, a deputada eleita Bia Kicis (PRP-DF) foi ao Planalto para uma conversa com o presidente. Auxiliares do presidente afirmam que os deputados do PSL “deveriam ter feito como ela, que também foi convidada, mas recusou a viagem”.
G1 MT
Política
TJMT condena Cattani a indenizar associação LGBTQIA+ e publicar retratação

A Quarta Câmara de Direito Privado do Tribunal de Justiça de Mato Grosso condenou o deputado estadual Gilberto Cattani (PL) ao pagamento de R$ 20 mil por danos morais, além da obrigação de publicar uma retratação em seu perfil no Instagram. A decisão foi tomada nesta quarta-feira (15), após análise de recurso movido pela associação MT Queer.
O colegiado seguiu, de forma unânime, o voto do desembargador Rubens de Oliveira Santos Filho, que divergiu inicialmente da relatora Serly Marcondes Alves. Em primeira instância, a entidade havia tido o pedido negado, cenário que se repetiu em decisão inicial no próprio tribunal. No entanto, após pedido de vista, Rubens apresentou voto favorável à associação, posteriormente acompanhado pela relatora, consolidando o entendimento unânime da Câmara.
No voto, o desembargador destacou que o parlamentar possui histórico de manifestações consideradas polêmicas e apontou que, neste caso, houve extrapolação dos limites da atuação política. Segundo ele, as declarações não configuram exercício legítimo da função parlamentar, mas sim conteúdo discriminatório. “É nítido que o tom adotado não se caracteriza como crítica administrativa ou política, mas revela conteúdo de segregação e preconceito”, afirmou.
A ação tem origem em um vídeo publicado por Cattani em novembro de 2023, no qual ele criticava um curta-metragem produzido pela MT Queer. O material retratava a relação afetiva entre dois jovens e, segundo o deputado, estaria “incentivando” comportamentos entre estudantes. A interpretação foi contestada pela entidade, que acionou a Justiça alegando discurso discriminatório.
Para o relator do voto vencedor, o caso não se enquadra na proteção da imunidade parlamentar. Ele classificou a conduta como manifestação de “intolerância odiosa”, ressaltando que não há nexo funcional que justifique o conteúdo das declarações no âmbito do exercício do mandato.
Além da indenização, que será acrescida de juros e correção monetária, o deputado deverá publicar uma retratação em sua conta no Instagram por, no mínimo, 15 dias. O descumprimento poderá gerar multa diária de R$ 1 mil.
A decisão, proferida em segunda instância, ainda pode ser alvo de recursos. Caso seja mantida até o trânsito em julgado, o caso poderá ter desdobramentos na esfera eleitoral, com eventual análise à luz da Lei da Ficha Limpa, dependendo do entendimento sobre eventual incitação ao ódio e suas implicações jurídicas.
Fonte Folhamax
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