É Direito
OEA enfatiza segurança do sistema eletrônico de votação brasileiro
O sistema eletrônico de votação utilizado pela Justiça Eleitoral brasileira foi um dos principais aspectos destacados pelo Relatório Final da Missão de Observação Eleitoral que acompanhou as Eleições 2020. O documento foi entregue ao presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Luís Roberto Barroso, em reunião realizada nessa quarta-feira (2), nos Estados Unidos.
Além de detalhar os procedimentos adotados durante o processo eleitoral, a análise inclui recomendações do grupo internacional que veio ao Brasil durante o pleito. À época, comemoravam-se 20 anos de implementação do voto eletrônico para 100% do eleitorado brasileiro. “O sistema tecnológico de votação oferece resultados rápidos e seguros, levando-se em conta as dimensões continentais do país”, afirma o documento.
O relatório destaca que “uma vez mais, o TSE demonstrou sua capacidade de logística e infraestrutura tecnológica por meio da preparação e instalação de 473.503 urnas eletrônicas em 94.325 locais de votação. Isso permitiu que mais de 147 milhões de eleitores pudessem exercer o direito do voto no domingo das eleições”.
Reposição do equipamento
A cada nova eleição, é necessário que sejam repostos cerca de 20% dos equipamentos eletrônicos. No entanto, contratempos no processo de licitação impediram essa substituição em 2020. Ainda assim, foi ressaltado pelos observadores que “isso não prejudicou as eleições. O TSE conseguiu redistribuir os aparelhos disponíveis e garantir o voto eletrônico em todo o país”. Tal redistribuição provocou a mudança de seção de cerca de 7% dos eleitores e, para evitar que isso ocorra futuramente, foi recomendado que, no futuro, sejam garantidas, com tempo suficiente, as operações administrativas e logísticas para a aquisição de novas máquinas.
Testes e auditorias
O documento também fez referência aos mecanismos de auditorias do sistema eletrônico de votação, como o Teste Público de Segurança(TPS) e a votação paralela. Nesses procedimentos que reforçam a confiança e a transparência do processo eleitoral, foi recomendado: que haja maior divulgação da votação paralela; que seja assegurada a presença dos partidos políticos; e continuar com a ampliação do tamanho e do alcance das demonstrações que integram os dois eventos.
Totalização e transmissão
“O Brasil tem atualmente o sistema mais veloz de apuração dos resultados oficiais na região. Os cidadãos puderam acompanhar por meio do site do TSE, do aplicativo Resultadose dos meios de comunicação”, diz o texto sobre as fases da votação até o anúncio dos vencedores nas urnas. Nesse ponto, a Missão observou um atraso no processo de totalização de votos e, a esse respeito, recomenda a realização de testes de fundo de todos os componentes informáticos, com maior antecedência, para diagnosticar possíveis cenários.
Infraestrutura cibernética
No dia das eleições, a página oficial do Tribunal foi bombardeada por 486 mil ataques informáticos por segundo, que tentaram derrubar o funcionamento e impactar as eleições. Porém, essas tentativas não tiveram êxito nem afetaram os resultados das eleições.
“O TSE mostrou capacidade de resposta com o uso de instrumentos tecnológicos para enfrentar esses ataques, evitando perda da confiabilidade e da integridade do sistema de votação”. Nesse aspecto, o grupo recomendou continuar o desenvolvimento de mecanismos de blindagem digital das plataformas e buscar métodos de recuperação imediata em caso de ataques ou saturação do sistema; e fomentar medidas de proteção para minimizar vulnerabilidades.
AL/CM, DM
Leia mais:
03.02.2022 – Resolução regulamenta Missões de Observação Eleitoral no Brasil
02.02.2022 – Relatório da OEA exalta trabalho do TSE contra a desinformação e elogia organização das eleições durante a pandemia
É Direito
Gilmar Mendes nega recurso e mantém pena de 22 anos a PM por assassinato a tiros em bar

O ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal, manteve a condenação do policial militar Ítalo José de Souza Santos a 22 anos de prisão por homicídio qualificado em Mato Grosso. A decisão, assinada no último dia 8 de abril, encerra a tentativa da defesa de reverter o resultado do julgamento.
O crime ocorreu em 2012, em um bar localizado na Rua Primeiro de Março, em Cuiabá. Na ocasião, Ítalo, acompanhado de outro homem, chegou ao local em uma motocicleta, desceu, retirou o capacete e efetuou disparos contra a vítima, Rodrigo Gonçalves da Silva, que morreu no local.
A condenação foi definida pelo Tribunal do Júri e posteriormente mantida pelo Tribunal de Justiça de Mato Grosso, que rejeitou os argumentos da defesa. Entre as teses apresentadas estavam supostas falhas processuais e a alegação de que a decisão dos jurados seria contrária às provas.
Ao analisar o recurso no STF, Gilmar Mendes destacou que não é possível reexaminar fatos e provas em instância superior, conforme estabelece a Súmula 279 da Corte. Segundo o ministro, acolher os pedidos da defesa exigiria justamente esse tipo de reavaliação, o que é vedado.
Ele também apontou que não houve violação direta à Constituição, classificando as alegações como questões “reflexas”, ou seja, ligadas à interpretação de leis infraconstitucionais — o que impede a análise pelo Supremo.
A decisão reforça o entendimento de que o veredito do Tribunal do Júri deve ser preservado quando sustentado por provas, mesmo diante de versões divergentes apresentadas ao longo do processo. No caso, o crime foi considerado qualificado por motivo torpe e pelo recurso que dificultou a defesa da vítima.
Além da pena de prisão em regime fechado, a sentença também determinou a perda do cargo de policial militar. Com a negativa de seguimento no STF, a condenação se mantém integralmente válida.
Fonte Olhar Juridico
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