Animais
Após mais de 1,6 mil quilômetros, elefante Sandro chega a santuário em Mato Grosso
Animal de 54 anos deixou o Zoológico de Sorocaba após longa disputa judicial, protestos e forte comoção popular; agora inicia período de adaptação na Chapada dos Guimarães
Depois de mais de dois dias de viagem e cerca de 1,6 mil quilômetros percorridos entre São Paulo e Mato Grosso, o elefante asiático Sandro, de 54 anos, chegou ao Santuário de Elefantes Brasil, localizado na região da Chapada dos Guimarães.
A transferência encerra uma das fases mais marcantes da história recente do Zoológico Municipal Quinzinho de Barros, em Sorocaba, onde Sandro viveu por 44 anos. O animal deixou o local na tarde de quarta-feira (16) e chegou ao santuário na sexta-feira (18).
A chegada foi acompanhada com expectativa pelas equipes responsáveis pelo transporte e pelo manejo do elefante. Segundo informações divulgadas pelo santuário, o comboio chegou à propriedade por volta das 13h, no horário local.
Pouco depois, Sandro foi posicionado diante da área preparada para sua adaptação. Assim que a caixa de transporte foi aberta, o elefante saiu em poucos segundos e começou a explorar o novo ambiente.
A rapidez com que deixou a estrutura chamou a atenção da equipe do santuário, que considerou o comportamento positivo neste primeiro momento de adaptação.
Transferência foi cercada de protestos
A saída de Sandro de Sorocaba foi marcada por manifestações de moradores e frequentadores do zoológico contrários à transferência.
No dia da viagem, manifestantes se reuniram nas proximidades do recinto do animal e houve intervenção policial durante os protestos. O caso gerou forte comoção na cidade, onde Sandro era um dos animais mais conhecidos do zoológico.
A Prefeitura de Sorocaba também havia manifestado posição contrária à transferência e apresentou medidas judiciais na tentativa de manter o elefante no município. Apesar dos recursos, a determinação para transferência acabou sendo cumprida.
A preparação para a viagem começou dias antes. A caixa de transporte foi posicionada no recinto e Sandro passou por um período de adaptação.
No momento da transferência, ele entrou voluntariamente na estrutura antes que as portas fossem fechadas.
O transporte foi realizado em um caminhão-prancha, utilizando uma caixa especialmente preparada para suportar o peso e garantir maior segurança durante o trajeto.
Sandro viveu mais de quatro décadas em Sorocaba
Antes de chegar ao zoológico, Sandro havia sido utilizado em circo.
Ele passou a viver no Zoológico de Sorocaba em 1982 e permaneceu no local durante mais de quatro décadas.
Nos últimos anos, a permanência do elefante no zoológico passou a ser discutida judicialmente.
O debate ganhou força depois da morte da elefanta Haisa, em 2020. Desde então, Sandro permaneceu sem a companhia de outro elefante no recinto.
O Ministério Público de São Paulo ingressou com ação defendendo a transferência para o santuário, sob o argumento de que o novo espaço poderia proporcionar melhores condições para expressão de comportamentos naturais e maior área disponível para o animal.
A discussão judicial se prolongou por vários anos.
A Prefeitura de Sorocaba, por outro lado, sustentava que Sandro recebia acompanhamento adequado de veterinários e biólogos e que, por se tratar de um animal idoso, uma viagem de longa distância também representava riscos.
Santuário possui mais de mil hectares
O Santuário de Elefantes Brasil está localizado em Mato Grosso e possui uma área superior a mil hectares destinada a elefantes resgatados de situações de cativeiro.
O espaço busca oferecer ambientes mais amplos e naturais, com vegetação, áreas abertas e condições para maior liberdade de movimentação.
Sandro é o primeiro elefante macho recebido pelo santuário.
Inicialmente, ele permanecerá em uma área de adaptação e não será colocado imediatamente em contato direto com os outros animais.
A possibilidade de socialização dependerá da evolução de seu comportamento e das avaliações realizadas pela equipe técnica.
O local não funciona como zoológico e não possui visitação pública regular. A proposta é manter os animais em grandes áreas e com menor interferência humana possível.
Nova fase será acompanhada de perto
A chegada a Mato Grosso não encerra os cuidados relacionados à transferência.
A partir de agora, Sandro deverá passar por um período de adaptação ao clima, à vegetação, aos sons e à rotina do novo espaço.
Por causa da idade, a saúde do elefante continuará sendo acompanhada de perto pela equipe técnica.
Os responsáveis pelo santuário deverão observar alimentação, movimentação, comportamento e interação com o ambiente antes de ampliar gradualmente a área disponível ao animal.
A transferência de Sandro mobilizou moradores, ativistas, autoridades, veterinários e entidades de proteção animal e colocou novamente em debate o papel dos zoológicos e dos santuários no cuidado de animais que passaram décadas em cativeiro.
Para quem acompanhou Sandro durante os 44 anos em Sorocaba, a despedida foi marcada por emoção e resistência. Em Mato Grosso, começa agora uma nova etapa da vida do elefante, em um ambiente muito diferente daquele em que viveu durante grande parte de sua história.
Animais
Família dorme dentro de carro após ser impedida de entrar em casa por pit bull

Uma família precisou dormir dentro do carro após ser impedida de entrar em casa por um pit bull, em Mineiros, na região sudoeste de Goiás. O caso aconteceu na noite de sexta-feira (4), quando Marcus José Silva Figueiredo, a esposa e os filhos chegavam à residência.
Segundo Marcus, a esposa abriu o portão para entrar em casa quando foi atacada pelo próprio cachorro. Um vídeo registrado no local mostra o animal no quintal, iluminado pelos faróis do veículo.
“Quando ela abriu o portão, o nosso próprio pit bull veio em cima dela, avançando. Grudou no braço dela, arrastou ela para cima e começou a morder”, relatou.
Marcus saiu do carro para tentar ajudar a mulher e precisou dar chutes no animal até que ele a soltasse.
“A gente pedia ajuda para os vizinhos, mas ninguém conseguia ajudar”, contou.
Após conseguir retirar a esposa do alcance do cachorro, a família foi até a Unidade de Pronto Atendimento (UPA) Dr. Francisco Filgueiras Júnior, onde a mulher recebeu atendimento para tratar os cortes provocados pelas mordidas no braço.
De acordo com Marcus, a família tentou acionar o Corpo de Bombeiros e a Polícia Militar, mas não conseguiu atendimento para retirar o animal do local.
Sem conseguir entrar na residência, a família permaneceu dentro do veículo durante toda a noite. Somente no dia seguinte, com a ajuda de vizinhos, foi possível entrar na casa.
Ainda segundo Marcus, os vizinhos conseguiram acionar uma Organização Não Governamental (ONG), que fez o resgate do cachorro.
O que dizem as autoridades
A Polícia Militar de Mineiros informou que vai verificar o que aconteceu.
O Corpo de Bombeiros informou que não realizou o resgate do cachorro porque não havia local adequado para deixar o animal. Segundo a corporação, a família foi orientada a procurar um veterinário para fazer a contenção do pit bull.
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