Agro Notícias
Pesquisador apresenta resultados sobre o manejo do solo em Mato Grosso
A assertividade no manejo dos solos arenosos é altamente dependente do conhecimento da interação Solo-Planta-Clima. Sem isso, produtor e equipe não conseguirão definir com efetividade o manejo e ações da semeadura da colheita, consequentemente não poderão ter garantia de boas produtividades. Para Táimon Semler, pesquisador da Fundação de Apoio à Pesquisa Agropecuária de Mato Grosso, Fundação MT, são muitos os fatores limitantes da produtividade da soja, já que a atividade agrícola é cíclica, é feita a céu aberto, depende diretamente do clima portanto fatores que não são controlados.
Mato Grosso é muito grande, o clima varia muito de região para região e Taímon afirmou que essa oscilação do clima no Estado foi percebida na safra 2018/19 e que interferiu no desenvolvimento das plantas de soja. “O mês de novembro em muitas localidades se mostrou atípico, com excesso de chuva e nebulosidade, seguido em alguns casos por um dezembro e até mesmo início de janeiro mais seco, com períodos de temperatura alta. Isso afetou alguns processos fisiológicos da planta em fases de desenvolvimento de grande importância para a definição da produtividade, e consequentemente houveram impactos negativos sobre a média final da colheita”, explicou o pesquisador na palestra no Encontro Técnico Soja Fundação MT, em Cuiabá.
Na apresentação dos resultados sobre o manejo do solo e do sistema de produção em áreas arenosas, com embasamento em dados de pesquisa aplicada, ou seja, alinhados com a realidade do campo, Táimon mostrou informações consistentes que visam direcionar ou dar maior segurança na tomada de decisão técnica e econômica dos produtores de soja que cultivam sobre essas condições de solo. “Mostramos os resultados dos experimentos que fizemos com 26 protocolos e 262 tratamentos no Centro de Aprendizagem e Difusão (CAD) localizado na região do Parecis em Mato Grosso e é realizado em parceria com a Associação dos Produtores de Soja (Aprosoja)”.
Segundo o pesquisador, os participantes puderam a partir dos resultados apresentados refletir sobre as seguintes perguntas: Todos os solos arenosos são iguais? Quais as interferências do clima nesses solos? Quais os comportamentos das plantas? É possível discutir doses e época de maneira isolada?
O encontro técnico soja termina nesta sexta-feira, em Cuiabá. A informação é da assessoria da Fundação MT.
Só Notícias/Agronotícias (foto: arquivo/assessoria)
Agro Notícias
Safra de soja em MT chega a 51,56 milhões tonelada

O Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea) divulgou os resultados da etapa soja do projeto Imea em Campo, que revisou para cima as estimativas da safra 2025/26 em Mato Grosso e passou a projetar produção recorde de 51,56 milhões de toneladas.
A nova projeção também elevou a produtividade média estadual para 66,03 sacas por hectare, patamar muito próximo do recorde da temporada anterior.
O levantamento foi realizado ao longo de 71 dias, com 34.880 quilômetros percorridos, 998 avaliações de campo e passagem por 103 municípios, cobrindo 97,92% da área total cultivada com soja no estado. O objetivo do projeto, realizado em parceria com a Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja MT) e o Instituto Mato-grossense do Agronegócio (Iagro MT), é ampliar a precisão das informações geradas a partir de observações in loco, reforçando a representatividade dos dados e a leitura regional das lavouras.
Com base nos resultados obtidos em campo, o Imea revisou a produtividade da soja em 9,23% ante a estimativa anterior, que era de 60,45 sacas por hectare. A área plantada também foi ajustada para 13,013 milhões de hectares, alta de 1,71% sobre a safra passada. Com isso, a produção estadual ficou estimada em 51,56 milhões de toneladas, volume 1,31% superior ao registrado no ciclo 2024/25.
Durante a apresentação, a equipe técnica destacou que a safra 2025/26 foi marcada por um cenário climático desafiador, com irregularidade das chuvas no início do plantio e, posteriormente, excesso de precipitações em algumas regiões durante a colheita. Ainda assim, as lavouras mantiveram desempenho satisfatório, apesar das incertezas observadas ao longo da temporada.
Entre os fatores de atenção levantados pelo projeto, os grãos avariados tiveram peso relevante. Na comparação com a safra passada, houve aumento de 3,40% nas avaliações com esse tipo de ocorrência, o que, segundo a análise apresentada, limitou um avanço ainda maior da produtividade estadual.
No recorte regional, a região Norte apresentou o maior percentual de lavouras classificadas como excelentes, enquanto o Sudeste concentrou a maior parcela de áreas avaliadas como ruins. Já a região Oeste foi a principal responsável pelo incremento na produção, enquanto a Centro-Sul registrou a maior variação positiva de produtividade em relação à estimativa anterior.
O superintendente do Imea, Cleiton Gauer, ressaltou que o objetivo do projeto é consolidar um levantamento técnico, completo e representativo das condições das lavouras, oferecendo mais segurança para o mercado e para os agentes do setor.
“O diferencial do projeto está na apuração presencial, sem intermediários, diretamente no campo. É ir a campo e medir essas informações sem intermédio, sem interferência de ninguém. Isso dá mais garantia e maior acurácia a essas informações para que realmente a gente consiga quantificar e medir o tamanho da nossa produção mato-grossense”, afirmou o superintendente.
Já o presidente da Aprosoja Mato Grosso, Lucas Costa Beber, destacou que informações mais próximas da realidade ajudam a balizar negociações, reduzem espaço para especulações e valorizam o trabalho do produtor rural.
“Essa apresentação mostra o trabalho dessa parceria. O Imea tem sido muito assertivo nos últimos anos nos números que tem trazido a nós, produtores, e ao mercado, trazendo mais seriedade e coerência nesse fornecimento de dados, que também interfere diretamente no dia a dia do produtor, principalmente na projeção de preços e no planejamento para as próximas safras”, explicou o presidente da Aprosoja MT.
Segunda safra de milho segue dependente do comportamento do clima
Além dos números da soja, o evento também apresentou um panorama inicial da segunda safra de milho. O Imea informou que 1,17 milhão de hectares foram semeados fora da janela ideal de plantio no estado. Apesar disso, a estimativa atual do cereal segue em 51,72 milhões de toneladas, com área de 7,39 milhões de hectares e produtividade projetada em 116,61 sacas por hectare. Segundo o instituto, o comportamento das chuvas nas próximas semanas será decisivo para a consolidação desse potencial.
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