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Saúde

“Temos que aproveitar a mão de obra mais velha para financiar a seguridade social”

A economista Ana Amélia Camarano, que é pesquisadora do Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada), está num período sabático de três meses. Durante esse tempo, vai se dedicar a um projeto da FGV-Rio (Fundação Getúlio Vargas), que participa de uma rede de universidades cujos pesquisadores estão trabalhando sobre envelhecimento, saúde e economia – e como os temas se relacionam. O assunto tem sido objeto de inúmeros artigos de sua autoria. O último deles, em parceria com Solange Kanso, foi divulgado abril e chama-se “Saída precoce do mercado de trabalho: aposentadoria ou discriminação?”.

Ano passado, Ana Amélia já havia tratado da questão dos homens maduros que não trabalham, nem são aposentados, os “nem-nem”, mostrando que sua inatividade não se dava por causa da aposentadoria, e sim porque o grupo era empurrado para fora do mercado. O novo estudo é um desdobramento do anterior e também foi realizado a partir de dados da PNAD (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios). Agora ela amplia a discussão sobre o preconceito por parte dos empregadores em relação à mão de obra mais velha: “esses indivíduos entre 50 e 64 anos serão imediatamente afetados pela reforma da Previdência e estarão numa situação de risco social muito grande”.

No artigo, Ana Amélia lembra que o aumento da idade mínima para a aposentadoria leva à necessidade de se debater a capacidade e a disponibilidade do mercado de trabalho de absorver essa mão de obra, bem como as condições para que as pessoas permaneçam ativas por mais tempo. Será preciso criar formas de mudar a percepção negativa de que esses trabalhadores têm dificuldade em se adaptar às mudanças tecnológicas e organizacionais.

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“Pela primeira vez na História, grande parte do mundo vive dois fenômenos simultâneos: a redução da população e o seu envelhecimento”, diz a pesquisadora. “Não dá para mexer na Previdência sem mexer no mercado de trabalho. Estão todos olhando para um só aspecto, que é o peso das aposentadorias para as finanças do país; no entanto, se houver uma forte tendência de diminuição do volume de contribuições, o desequilíbrio será muito negativo”, complementa.

Ana Amélia chama a atenção para a necessidade de implantação de ações que garantam a saúde da seguridade social, que é o conjunto de políticas sociais com o objetivo de amparar o cidadão em situações como a velhice, a doença e o desemprego: “a seguridade depende da renda do trabalho, da parcela da população economicamente ativa. Teremos que requalificar os trabalhadores e absorver a mão de obra mais velha, ou esse contingente será deixado para trás. Também temos que levar em conta que a chamada gig economy é caracterizada pelas relações precárias do trabalho. Os jovens se dedicam a atividades nas quais o patrão é uma plataforma. Some-se a isso a substituição de mão de obra por inteligência artificial e teremos que buscar novas formas de financiar a seguridade social”.

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Ela cita outra variável dessa equação: a força de trabalho feminina. “Em relação às mulheres, o que me preocupa não é o novo patamar de idade para a aposentadoria, e sim o tempo de contribuição. Uma vez que a inserção da mulher no mercado ocorre de forma mais precária, e com interrupções por causa da maternidade, a aposentadoria já se dá acima dos 60 anos. No entanto, quando o tempo de contribuição sobe de 15 para 20 anos, elas, que são responsáveis pela reprodução da sociedade, estão sendo penalizadas. Se deixarem de lado a maternidade, poderemos ter um problema, como aconteceu no Japão”, analisa. Na sua opinião, os governos ainda se baseiam em premissas vigentes após a 2ª. Guerra Mundial, “onde havia pleno emprego, economia em crescimento e baixa expectativa de vida depois da aposentadoria. Temos que repensar tudo”, resume.

Bem Estar

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Saúde

MT deve registrar 520 novos casos de câncer colorretal por ano até 2028

O mês de março é tomado pela cor azul-marinho com o objetivo de alertar toda a sociedade para o câncer colorretal (intestino e reto), um dos tumores mais incidentes e uma das maiores taxas de mortalidade do país, que deve registrar 26.270 novos casos da doença por ano no triênio de 2026-2028.

Só em Mato Grosso, são estimados 520 novos casos anuais deste tipo de neoplasia no mesmo período, conforme estimativa do Instituto Nacional de Câncer (Inca). Diante desse cenário, durante o mutirão do “Dia E – Ebserh em Ação”, vinculado ao programa “Agora Tem Especialistas”, do Ministério da Saúde (MS), o Hospital Universitário Júlio Müller, da Universidade Federal de Mato Grosso (HUJM-UFMT), administrado pela Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (Ebserh), alerta para importância de exames de colonoscopia.

A iniciativa também faz parte do “Março Azul-Marinho”, uma campanha de conscientização sobre a prevenção e o combate ao câncer colorretal. Durante o mutirão, realizado neste dia 21, caso seja identificada alguma doença durante os exames, os pacientes passam a ser acompanhados pelo serviço de coloproctologia.

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“Realizamos uma consulta de triagem no dia do mutirão e depois realizaremos consulta dando o feedback sobre o resultado do exame e seguimento”, disse a residente R5 de Coloproctologia, Maristella Nery.

O QUE É – O câncer colorretal é um tumor maligno que se desenvolve no intestino grosso (cólon) e no reto. Atualmente, já figura como o segundo tipo de tumor mais frequente entre homens e mulheres no Brasil, quando excluídos os casos de câncer de pele não melanoma.

Coloproctologista Mardem Machado de Souza, do HUJM-UFMT, alerta que a associação de sangramento nas fezes e alterações no hábito intestinal é o alerta mais comum. No entanto, dores abdominais, perda de peso, anemia e sensação de evacuação incompleta também devem ser investigadas. “Quanto mais cedo se diagnostica, menor o risco de disseminação do tumor e maiores as chances de oferecer um tratamento efetivo e definitivo, com elevadas taxas de cura”, frisou.

O especialista informa ainda que, embora existam métodos como a pesquisa de sangue oculto nas fezes e exames parciais do intestino, a colonoscopia é considerada o exame mais completo para detecção do câncer colorretal. O procedimento permite avaliar todo o intestino grosso, retirar lesões precursoras, biopsiar tumores e até retirar lesões malignas iniciais.

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Também a maioria dos cânceres do intestino grosso e reto surge a partir de pólipos adenomatosos, que se assemelham a pequenas verrugas e podem evoluir para câncer após sete a dez anos, caso ocorram alterações genéticas.

As diretrizes internacionais recomendam o início do rastreamento a partir dos 45 anos para pessoas sem fatores de risco. Para quem possui histórico familiar, o exame é indicado a partir dos 40 anos ou dez anos antes da idade em que o familiar de primeiro grau recebeu o diagnóstico.

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