Saúde
Obesidade ultrapassa fumo como principal causa de quatro tipos de câncer no Reino Unido, indica estudo
A entidade afirma ser hoje mais provável que câncer de intestino, rins, ovários e fígado tenham sido causados por excesso de peso do que pelo tabagismo.
Hoje, no Reino Unido, o número de pessoas obesas superam o de fumantes em dois para um.
Não é a primeira vez que a CRUK é acusada de promover esse tipo de preconceito. Em fevereiro do ano passado, a comediante e ativista Sofie Hagen criticou outra ação desta organização que conscientizava para esse risco.
“O que sua campanha faz é muito prejudicial. A sociedade ver pessoas gordas como algo negativo mata mais do que câncer”, escreveu ela no Twitter à época.
A CRUK diz que não se trata de culpar as pessoas por seu excesso de peso e também não está sugerindo que o tabagismo e a obesidade sejam equiparáveis em termos de risco de câncer.
Ambos aumentam o risco de uma pessoa de ter a doença, mas fumar continua a ser a principal causa evitável de câncer no Reino Unido. Obesidade vem em segundo lugar, diz CRUK.
Excesso de peso x tabagismo
O sobrepeso ou obesidade causa cerca de 22,8 mil novos casos de câncer por ano, enquanto o tabagismo está por trás de 54,3 mil. No entanto, nos quatro tipos de câncer destacados, o excesso de peso é uma razão mais frequente.
Dos cerca de 42 mil novos casos de câncer de intestino, a obesidade e o sobrepeso são a causa de 4.800, enquanto o tabagismo responde por 2.900. Nos rins, de um total de 12,9 mil, o excesso de peso causa 2.900, enquanto o fumo, 1.600.
No fígado, a obesidade ou excesso de peso são a causa de 1.300 dos 5.900 novos casos, enquanto o tabagismo estava por trás de 1.200. E, nos ovários, entre os 7.500 casos, o excesso de peso causa 490 casos por ano, enquanto fumar, 25.
No Brasil, estima-se que pelo menos 15 mil casos de câncer por ano no Brasil – ou 3,8% do total – poderiam ser evitados com a redução do excesso de peso e da obesidade.
De acordo com um estudo epidemiológico feito pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo, em colaboração com a Universidade Harvard, nos Estados Unidos, esse número deve crescer até 2025 para 29 mil, ou 4,6% dos novos casos da doença no país.
Mas, enquanto as taxas de tabagismo estão diminuindo, as de obesidade estão aumentando, o que especialistas em saúde dizem ser preocupante.
Hoje, cerca de um terço dos adultos do Reino Unido são obesos, enquanto 15% são fumantes. Entre os brasileiros, 9,3% fumam, de acordo com a Pesquisa de Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico (Vigitel), enquanto 18,9% estão obesos.
Como o excesso de peso aumenta o risco de câncer
Embora a ligação entre obesidade e câncer esteja bem estabelecida, os mecanismos biológicos por trás dela ainda não são totalmente compreendidos.
Células de gordura produzem hormônios extras e substâncias químicas conhecidas como fatores de crescimento que levam as células do corpo a se dividirem com mais frequência. Isso aumenta a chance de células cancerígenas serem produzidas.
Estar acima do peso ou obeso não significa que uma pessoa desenvolverá câncer, mas aumenta o risco.
De acordo com a CRUK, 13 diferentes tipos de câncer estão ligados à obesidade: mama (em mulheres após a menopausa), intestino, pâncreas, esôfago, fígado, rins, parte superior do estômago, vesícula biliar, útero, ovário, tireoide, mieloma múltiplo (sangue) e meningioma (cérebro).
A ligação entre obesidade e câncer foi constatada apenas em adultos, embora um peso saudável também seja importante para a saúde de crianças.
Linda Bauld, especialista em prevenção da CRUK, diz que o governo deve fazer mais para combater o problema da obesidade no Reino Unido. O governo demorou a restringir os anúncios de comida e bebida considerada não saudável, disse a Associação Médica Britânica (AMB).
“Embora estejamos muito conscientes dos riscos para a saúde associados ao tabagismo, menos esforços foram feitos para combater a obesidade, que é agora uma das principais causas de câncer”, disse a AMB.
O diretor-executivo do sistema de saúde pública, o NHS, na Inglaterra, Simon Stevens, disse: “O NHS não pode vencer a batalha contra a obesidade por conta própria. Famílias, empresas de alimentos e governo precisam desempenhar seu papel se quisermos evitar copiar o exemplo prejudicial e caro da América”.
Ideal MT
Saúde
MT deve registrar 520 novos casos de câncer colorretal por ano até 2028

O mês de março é tomado pela cor azul-marinho com o objetivo de alertar toda a sociedade para o câncer colorretal (intestino e reto), um dos tumores mais incidentes e uma das maiores taxas de mortalidade do país, que deve registrar 26.270 novos casos da doença por ano no triênio de 2026-2028.
Só em Mato Grosso, são estimados 520 novos casos anuais deste tipo de neoplasia no mesmo período, conforme estimativa do Instituto Nacional de Câncer (Inca). Diante desse cenário, durante o mutirão do “Dia E – Ebserh em Ação”, vinculado ao programa “Agora Tem Especialistas”, do Ministério da Saúde (MS), o Hospital Universitário Júlio Müller, da Universidade Federal de Mato Grosso (HUJM-UFMT), administrado pela Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (Ebserh), alerta para importância de exames de colonoscopia.
A iniciativa também faz parte do “Março Azul-Marinho”, uma campanha de conscientização sobre a prevenção e o combate ao câncer colorretal. Durante o mutirão, realizado neste dia 21, caso seja identificada alguma doença durante os exames, os pacientes passam a ser acompanhados pelo serviço de coloproctologia.
“Realizamos uma consulta de triagem no dia do mutirão e depois realizaremos consulta dando o feedback sobre o resultado do exame e seguimento”, disse a residente R5 de Coloproctologia, Maristella Nery.
O QUE É – O câncer colorretal é um tumor maligno que se desenvolve no intestino grosso (cólon) e no reto. Atualmente, já figura como o segundo tipo de tumor mais frequente entre homens e mulheres no Brasil, quando excluídos os casos de câncer de pele não melanoma.
Coloproctologista Mardem Machado de Souza, do HUJM-UFMT, alerta que a associação de sangramento nas fezes e alterações no hábito intestinal é o alerta mais comum. No entanto, dores abdominais, perda de peso, anemia e sensação de evacuação incompleta também devem ser investigadas. “Quanto mais cedo se diagnostica, menor o risco de disseminação do tumor e maiores as chances de oferecer um tratamento efetivo e definitivo, com elevadas taxas de cura”, frisou.
O especialista informa ainda que, embora existam métodos como a pesquisa de sangue oculto nas fezes e exames parciais do intestino, a colonoscopia é considerada o exame mais completo para detecção do câncer colorretal. O procedimento permite avaliar todo o intestino grosso, retirar lesões precursoras, biopsiar tumores e até retirar lesões malignas iniciais.
Também a maioria dos cânceres do intestino grosso e reto surge a partir de pólipos adenomatosos, que se assemelham a pequenas verrugas e podem evoluir para câncer após sete a dez anos, caso ocorram alterações genéticas.
As diretrizes internacionais recomendam o início do rastreamento a partir dos 45 anos para pessoas sem fatores de risco. Para quem possui histórico familiar, o exame é indicado a partir dos 40 anos ou dez anos antes da idade em que o familiar de primeiro grau recebeu o diagnóstico.
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