Política
Zé Domingos elogia Maninho, mas acusa ex-presidente da AMM de usar entidade para projeto político

Prefeito de Nobres afirma que atual presidente da AMM é “amigo”, pede adiamento da eleição e diz que Leonardo Bortolin teria usado a projeção da entidade para pavimentar candidatura à Assembleia Legislativa
A disputa pelo comando da Associação Mato-grossense dos Municípios (AMM) ganhou novos contornos nesta quarta-feira (26). O prefeito de Nobres, **José Domingos Fraga Filho**, confirmou que articulações estão avançando para a formação de uma chapa de oposição, admitiu que poderá assumir a cabeça da composição e fez uma clara diferenciação entre o atual presidente da entidade, **Hemerson Máximo, o Maninho**, e o ex-presidente **Leonardo Bortolin, o Léo**.
Embora faça críticas à antecipação da eleição e às recentes mudanças no estatuto da AMM, José Domingos adotou um tom respeitoso em relação a Maninho, a quem chamou de **“amigo”**, e pediu que o atual dirigente tenha “bom senso” para rever a data do pleito.
Já em relação a Leonardo Bortolin, o prefeito de Nobres foi mais duro. José Domingos afirmou que, na sua avaliação e na de outros prefeitos com quem mantém contato, o ex-presidente teria utilizado a visibilidade e a estrutura política proporcionadas pelo comando da AMM para fortalecer um projeto eleitoral próprio e preparar sua candidatura à Assembleia Legislativa de Mato Grosso.
As declarações foram dadas durante entrevista a jornalistas na Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT).
## Articulação por uma chapa de oposição
José Domingos afirmou que sua candidatura ainda não está oficialmente definida, mas confirmou que vem conversando com prefeitos de diferentes regiões e que poderá aceitar o desafio caso haja respaldo suficiente entre os gestores municipais.
> “Ainda não, até porque estou conversando com alguns prefeitos para que a gente possa devolver a AMM para os verdadeiros prefeitos, ou seja, prefeitos que têm mandato”, afirmou.
Segundo ele, as articulações ganharam força após a antecipação da eleição da AMM e as mudanças promovidas no estatuto da entidade.
Para José Domingos, a associação deve ser comandada por prefeitos que estejam efetivamente exercendo mandato.
> “Cabe a nós, nesse momento, discutir com os prefeitos que têm mandato para que a gente possa, quem sabe, montar uma chapa e aí, sim, ir para a disputa para devolver, literalmente, a AMM para os prefeitos com mandato”, declarou.
O prefeito também questionou a assembleia que aprovou as alterações estatutárias, alegando que houve baixa participação dos chefes dos Executivos municipais.
> “É sabido por todos que foi feita uma assembleia geral com a participação muito pequena de prefeitos, onde anteciparam as eleições e alongaram também o período para o presidente dos próximos mandatos. Isso, para mim, é uma afronta ao estatuto da Associação dos Prefeitos Mato-grossenses”, criticou.
José Domingos acrescentou que as conversas para construção de uma chapa alternativa estão avançando.
“Eu acho que as conversações estão andando, estão indo muito bem, estão fluindo e, se for a vontade de uma maioria dos prefeitos que nós estamos conversando para que nós possamos devolver a AMM para prefeitos com mandato, com certeza nós encaramos esse desafio.”
Mesmo criticando eleição, Zé Domingos chama Maninho de “amigo”
Apesar das divergências sobre a condução do processo eleitoral, José Domingos fez questão de separar a crítica institucional de sua relação com o atual presidente da AMM.
Ao falar sobre Hemerson Máximo, o Maninho, o prefeito de Nobres adotou um tom conciliador e o chamou publicamente de **“nosso amigo”**.
José Domingos pediu que Maninho reavalie a decisão de realizar a eleição no próximo dia 16 de setembro, argumentando que o calendário coincide com um período de intensa mobilização dos prefeitos nas eleições gerais.
“Espero que tenha bom senso o atual gestor, Maninho, que é nosso amigo, no sentido de postergar as eleições para que a gente possa conversar, dialogar não só com o atual gestor, dialogar também com os prefeitos do Estado de Mato Grosso”, declarou.
A manifestação evidencia que, pelo menos no discurso público de José Domingos, a construção de uma candidatura de oposição não é apresentada como um enfrentamento pessoal a Maninho.
O prefeito critica o calendário eleitoral e as mudanças estatutárias, mas preserva a relação com o atual presidente e sinaliza disposição para o diálogo.
Eleição em setembro é questionada
José Domingos também considera inadequada a realização da eleição da AMM em 16 de setembro, justamente durante o período mais intenso das eleições gerais de 2026.
Segundo ele, prefeitos de todo o Estado estão mobilizados nas campanhas para governador, Senado, Câmara dos Deputados e Assembleia Legislativa, o que reduziria o espaço para uma discussão aprofundada sobre o futuro da associação.
> “Pena que está muito próximo. Quem sabe, através da manifestação que está havendo de prefeitos, a gente possa postergar essa data das eleições, até porque marcaram justamente num momento em que se estão discutindo eleições gerais, onde os prefeitos estão todos focados nas eleições gerais”, argumentou.
Na visão do prefeito, um eventual adiamento permitiria maior participação dos gestores e daria condições para que diferentes grupos apresentassem propostas para a AMM.
Críticas pesadas a Leonardo Bortolin
Se com Maninho José Domingos adotou um discurso conciliador, em relação ao ex-presidente da AMM **Leonardo Bortolin** o tom mudou completamente.
José Domingos acusou politicamente Bortolin de ter utilizado a projeção conquistada à frente da entidade para preparar sua candidatura a deputado estadual.
A afirmação representa a avaliação política do prefeito de Nobres e não a constatação de eventual irregularidade administrativa.
> “O Léo, é o que eu falo, mas a maioria dos prefeitos fala, praticamente usou a AMM para se promover e poder preparar, pavimentar um caminho para poder chegar à Assembleia Legislativa do Estado de Mato Grosso”, afirmou.
José Domingos também disse que acreditou inicialmente no projeto defendido por Bortolin para a associação, mas que, em sua avaliação, a expectativa não se concretizou.
> “Infelizmente muitos, como eu também, acreditamos na proposta do Léo, proposta essa que infelizmente naufragou e a única coisa que andou foi o projeto dele para deputado estadual”, disparou.
A crítica coloca no centro do debate uma preocupação que começa a aparecer na disputa pela AMM: a utilização da visibilidade proporcionada pela presidência da associação como plataforma para projetos eleitorais futuros.
“O único projeto que andou foi o de deputado”
A fala de José Domingos representa uma das críticas públicas mais contundentes à gestão anterior da AMM.
Ao afirmar que “a única coisa que andou foi o projeto dele para deputado estadual”, o prefeito de Nobres sugere que parte das promessas apresentadas por Bortolin aos prefeitos teria ficado em segundo plano enquanto avançava sua construção eleitoral.
Apesar disso, José Domingos fez questão de dizer que não deseja o insucesso político do ex-presidente.
Ao contrário, afirmou que torce pela eleição de Bortolin e reconheceu sua experiência como prefeito e dirigente municipalista.
> “Está em plena campanha. Espero que ele se eleja, até porque foi prefeito, foi presidente da AMM e é municipalista, que possa aqui na Casa defender o interesse municipalista”, ponderou.
Zé Domingos diz que apoio de prefeitos não é automático
O prefeito de Nobres também contestou a possibilidade de que a passagem pela presidência da AMM resulte automaticamente em apoio eleitoral dos prefeitos.
Segundo José Domingos, a maioria dos gestores municipais já possui compromissos políticos consolidados com deputados estaduais, federais e senadores.
“Você sabe que prefeito é prefeito. Na maioria, já tem compromisso com seus parlamentares, deputado estadual, deputado federal, senador. Então eu tenho certeza que aquele apoio que ele imaginava que teria quando ostentava o cargo de presidente não vai acontecer”, afirmou.
Mesmo depois das críticas, voltou a desejar sucesso eleitoral ao ex-presidente.
> “Torço para que ele possa somar os votos angariados por prefeito ou também pela população em geral, para que ele possa representar o municipalismo aqui nesta Casa”, concluiu.
Disputa passa a envolver o futuro político da AMM
As declarações de José Domingos ampliam o debate em torno da sucessão da AMM.
A discussão deixa de envolver apenas nomes e passa a incluir questões como **quem pode comandar a entidade, por quanto tempo, em que momento deve ocorrer a eleição e até que ponto a presidência da associação pode se transformar em instrumento de projeção política pessoal**.
José Domingos procura, ao mesmo tempo, estabelecer uma diferença entre a atual e a antiga gestão.
Enquanto chama **Maninho de amigo**, reconhece a possibilidade de diálogo e pede que o atual presidente reconsidere a antecipação da eleição, o prefeito de Nobres direciona sua crítica mais severa a **Leonardo Bortolin**, a quem acusa politicamente de ter transformado sua passagem pela AMM em uma plataforma para chegar à Assembleia Legislativa.
Nos bastidores, as articulações continuam.
José Domingos ainda não anunciou formalmente sua candidatura, mas deixou claro que poderá assumir a missão caso haja apoio suficiente.
“Se for a vontade de uma maioria dos prefeitos […] com certeza nós encaramos esse desafio.”
Eleições
Em disputa acirrada, PL briga por terceira vaga na AL; veja nomes

O Partido Liberal (PL) chega à disputa pelas vagas na Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT) com chapa completa e a expectativa de ampliar sua representação no Parlamento estadual. A projeção interna é de conquistar até três cadeiras, superando a atual bancada da sigla, formada pelos deputados Gilberto Cattani e Faissal Calil, ambos candidatos à reeleição.
O próprio Tribunal Regional Eleitoral de Mato Grosso (TRE-MT) informa que as atas das convenções e as escolhas realizadas pelos partidos são encaminhadas ao sistema CANDex e disponibilizadas publicamente no DivulgaCandContas do TSE, base oficial para consulta das candidaturas das eleições de 2026.
Entre os nomes registrados pelo partido está o advogado Otávio Xerife e Gilberto Cattani, ambos de Nova Mutum, Faissal Calil, Samantha Íris e Alcino Barcelos. A convenção estadual do PL inicialmente homologou 17 candidaturas a deputado estadual, entre elas a de Xerife, e a composição sofreu alterações e acréscimos até o período de registro das candidaturas.
Nos bastidores, Cattani aparece como um dos nomes com potencial para liderar a votação dentro da legenda. A disputa pelas demais posições competitivas tende a envolver principalmente Faissal Calil e a vereadora e primeira-dama de Cuiabá, Samantha Íris, que possuem forte inserção eleitoral na Baixada Cuiabana.
O ex-prefeito Alcino Barcelos também é apontado entre os candidatos capazes de disputar uma das vagas da sigla. Nesse grupo, Otávio Xerife surge como um dos nomes que buscam ampliar a força eleitoral do PL fora da Capital, especialmente no interior de Mato Grosso, tornando-se mais uma variável dentro da disputa interna pela votação da legenda.
As projeções políticas trabalham com um quociente eleitoral próximo de 75 mil a 76 mil votos por cadeira, embora o número definitivo somente seja conhecido após a apuração dos votos válidos para deputado estadual. Pelas regras do sistema proporcional, não basta analisar isoladamente a votação de cada candidato: o desempenho total do partido também é decisivo para estabelecer quantas cadeiras a legenda poderá ocupar.
O TRE-MT explica que a eleição de deputados ocorre pelo sistema proporcional, no qual a distribuição das vagas considera os votos obtidos pelos partidos e pelos candidatos, com aplicação do quociente eleitoral e partidário. Portanto, os 75 mil votos são uma estimativa política, e não uma quantidade oficial previamente fixada pela Justiça Eleitoral.
A montagem da chapa também passou por alterações importantes. Uma delas foi a saída do ex-deputado Xuxu Dal Molin da disputa pela Assembleia. Ele deixou a candidatura proporcional para integrar, como segundo suplente, a chapa de José Medeiros (PL) ao Senado. A mudança foi registrada pela direção partidária, e os dados eleitorais confirmam Xuxu na segunda suplência de Medeiros.
A movimentação abriu espaço para novos ajustes na nominata estadual e evidenciou as dificuldades enfrentadas pelo partido para fechar uma chapa competitiva até o prazo final dos registros.
O cenário coloca pressão especialmente sobre os candidatos considerados favoritos. Caso o PL alcance a projeção de três deputados estaduais, a legenda poderá ampliar significativamente sua presença na Assembleia. Entretanto, se conseguir apenas duas cadeiras, a disputa interna ficará ainda mais apertada e poderá deixar fora da próxima legislatura um nome eleitoralmente expressivo.
Nesse contexto, Cattani, Faissal, Samantha, Alcino Barcelos e Otávio Xerife estão entre os nomes que ajudam a tornar a chapa do PL uma das disputas internas que devem ser acompanhadas durante a campanha.
A eleição, contudo, é quem definirá a verdadeira força de cada candidatura. Até lá, qualquer indicação sobre quem estaria em primeiro, segundo ou terceiro lugar dentro da chapa deve ser tratada como projeção política, já que a Justiça Eleitoral não realiza ranking, pesquisa ou previsão oficial de votação dos candidatos.
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