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Mulher

Lucas Badan e Câmara de Nova Mutum recebe reconhecimento nacional por projeto de apoio às mulheres em Brasília

Presidente Lucas Badan representa o Legislativo mutuense em evento da União dos Vereadores do Brasil; iniciativa da Sala da Mulher em parceria com a FAMUTUM amplia orientação jurídica e acolhimento a mulheres em situação de vulnerabilidade

O presidente da Câmara de Vereadores de Nova Mutum, Lucas Badan (União Brasil), cumpre agenda institucional em Brasília (DF) nesta semana, onde representa o Legislativo mutuense no Encontro Nacional de Gestores e Legislativos Municipais, promovido pela União dos Vereadores do Brasil (UVB). A programação acontece entre os dias 25 e 28 de agosto e reúne vereadores, presidentes de Câmaras, servidores, gestores e especialistas de diferentes regiões do país.

Nova Mutum ganha destaque nacional por uma iniciativa voltada à proteção, orientação e garantia de direitos das mulheres, desenvolvida pela Câmara Municipal por meio da Sala da Mulher, em parceria com a Faculdade FAMUTUM.

O reconhecimento integra a programação da 10ª edição da Medalha Top Legislativo, iniciativa da UVB destinada a valorizar projetos, ações e boas práticas desenvolvidas no âmbito dos Legislativos municipais. A solenidade de premiação está prevista para esta quinta-feira, 27 de agosto, em Brasília.

Parceria amplia acesso das mulheres à orientação jurídica

A iniciativa desenvolvida em Nova Mutum aproxima a Sala da Mulher da Câmara Municipal do Núcleo de Prática Jurídica (NPJ) da FAMUTUM, criando condições para ampliar o atendimento especializado principalmente às mulheres vítimas de violência doméstica ou que estejam enfrentando situações de vulnerabilidade social.

A parceria começou a ser articulada a partir da aproximação entre a instituição de ensino e o Legislativo. Na ocasião, representantes da FAMUTUM apresentaram à presidência da Câmara uma proposta de cooperação envolvendo o NPJ e a Sala da Mulher, justamente para ampliar a capacidade de atendimento jurídico e social oferecido às mulheres do município.

Na prática, a iniciativa possibilita orientação relacionada a diferentes situações que afetam diretamente a vida das mulheres e de suas famílias, entre elas medidas protetivas, divórcio, pensão alimentícia, guarda, questões familiares e outros direitos, além do encaminhamento aos órgãos competentes quando necessário.

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O trabalho também contribui para que mulheres que muitas vezes não sabem onde procurar ajuda encontrem no Legislativo um ponto inicial de acolhimento, orientação e encaminhamento.

Sala da Mulher atua desde 2022

A atuação da Câmara nessa área não começou agora. A Sala da Mulher existe no Legislativo de Nova Mutum desde 2022, funcionando como espaço de acolhimento e orientação, além de participar da articulação com diferentes instituições que compõem a rede municipal de enfrentamento à violência doméstica.

Em 2026, a vereadora Jaiane Santos (PP) assumiu a função de procuradora da Sala da Mulher, dando continuidade às ações destinadas à defesa dos direitos das mulheres e ao fortalecimento das políticas de proteção e acolhimento.

A Câmara também participa da Rede de Enfrentamento à Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher de Nova Mutum, que reúne instituições como Ministério Público, Poder Judiciário, forças de segurança, Conselho Tutelar, CREAS, secretarias municipais e instituições de ensino.

Em fevereiro deste ano, durante uma reunião da rede realizada no Ministério Público, a Sala da Mulher apresentou justamente as ações de acolhimento e orientação às vítimas e destacou a parceria com o Núcleo Jurídico da FAMUTUM como uma das estratégias para ampliar o suporte oferecido às mulheres.

Além do atendimento jurídico, o Legislativo vem buscando ampliar a rede de apoio. Em agosto, a Câmara também iniciou tratativas com a Unifama para viabilizar atendimento psicológico a mulheres vítimas de violência, complementando o suporte jurídico e social já desenvolvido.

Reconhecimento leva experiência de Nova Mutum ao cenário nacional

Para o presidente Lucas Badan, levar uma iniciativa desenvolvida em Nova Mutum para uma premiação nacional demonstra que ações construídas em parceria entre o Poder Legislativo, instituições de ensino e sociedade podem produzir resultados concretos para a população.

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“É uma alegria representar a Câmara de Vereadores de Nova Mutum em Brasília e ver um projeto voltado às nossas mulheres receber reconhecimento nacional. É resultado de um trabalho feito em parceria e, principalmente, pensando em quem precisa de apoio”, destacou Lucas Badan.

O reconhecimento também permite que uma experiência desenvolvida no município seja apresentada a representantes de Legislativos de diversas regiões do Brasil. O Encontro Nacional da UVB tem justamente entre seus objetivos promover a troca de experiências e discutir temas relacionados à gestão pública, inovação, transparência e fortalecimento dos Legislativos municipais.

Proteção às mulheres ganha espaço permanente no Legislativo

Nos últimos anos, as ações direcionadas às mulheres passaram a ocupar espaço permanente na atuação da Câmara de Nova Mutum.

Além do atendimento e encaminhamento realizados pela Sala da Mulher, o Legislativo promove iniciativas de valorização do protagonismo feminino. Em março deste ano, por exemplo, a Câmara realizou o evento “Mulheres que Inspiram — Edição 2026”, reunindo comunidade, autoridades e mulheres de diferentes segmentos.

A Casa também instituiu a Comenda Líria Lauxen Faccio, destinada a homenagear mulheres que se destacam em suas áreas de atuação e contribuem para o desenvolvimento e fortalecimento da comunidade de Nova Mutum.

Com a participação na programação da UVB em Brasília, a Câmara de Vereadores de Nova Mutum leva ao cenário nacional uma política construída localmente e baseada na integração entre instituições.

Mais do que a premiação, o reconhecimento evidencia uma proposta de atuação em que o Legislativo municipal ultrapassa sua função de elaboração e fiscalização das leis e também atua como porta de entrada para orientação, encaminhamento e construção de parcerias capazes de produzir benefícios diretos à comunidade, especialmente para mulheres que necessitam de proteção e apoio.

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Alerta

Morte de Mirella expõe cenário alarmante de violência contra a mulher em Mato Grosso

Jovem de 29 anos foi morta a facadas dentro de casa, em Feliz Natal; Estado registrou dezenas de feminicídios em 2026 e histórico mostra que grande parte dos crimes ocorre no ambiente doméstico

O assassinato de Mirella dos Santos Kaluzny, de 29 anos, ocorrido na madrugada de domingo (6), em Feliz Natal, no norte de Mato Grosso, volta a colocar em evidência uma realidade que continua desafiando autoridades e a sociedade: a violência contra a mulher e, especialmente, os feminicídios cometidos dentro de relações afetivas.

Mirella foi morta a golpes de faca dentro de uma residência. Conforme informações registradas no boletim de ocorrência, uma vizinha ouviu gritos e, ao se aproximar do imóvel, encontrou a jovem caída e ensanguentada, enquanto um homem deixava o local.

A Polícia Militar foi acionada e encontrou o suspeito escondido em um corredor externo da residência. Segundo o relato policial, ele estava embriagado e teria admitido aos militares que discutiu com Mirella e, após o desentendimento, desferiu golpes de faca contra ela.

Uma equipe de atendimento médico foi chamada, mas constatou a morte da vítima. A Perícia Oficial e Identificação Técnica (Politec) realizou os procedimentos no local.

O homem recebeu voz de prisão em flagrante e o caso passou a ser investigado pela Polícia Civil. Ele permanece à disposição da Justiça.

O velório de Mirella começou na madrugada desta segunda-feira (7), na capela municipal de Feliz Natal. O sepultamento ocorreu por volta das 8 horas, no cemitério municipal.

Um problema que se repete dentro de casa

O caso ocorrido em Feliz Natal apresenta características semelhantes às observadas em grande parte dos feminicídios registrados em Mato Grosso: crimes praticados dentro de relações afetivas e, muitas vezes, na própria residência da vítima.

Dados divulgados pelo Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT) mostram que, em 2025, 53 mulheres foram vítimas de feminicídio no Estado, crescimento de aproximadamente 13% em relação ao ano anterior. A maioria tinha entre 18 e 45 anos e, em quase 80% dos casos, o autor era parceiro íntimo da vítima. Grande parte dos assassinatos ocorreu dentro da residência.

Levantamento mais recente citado pelo Observatório Caliandra, do Ministério Público de Mato Grosso, contabilizou 338 feminicídios entre 2019 e 2025. A atualização apresentada em junho apontava ainda que 22 mulheres já haviam sido vítimas de feminicídio em Mato Grosso somente nos primeiros meses de 2026. Esses crimes haviam deixado pelo menos 23 crianças sem suas mães.

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Dados divulgados posteriormente, referentes ao avanço de 2026, apontaram 31 feminicídios no Estado até agosto. O número demonstra que, mesmo com o fortalecimento das políticas de proteção e aumento das campanhas de conscientização, mulheres continuam sendo assassinadas em razão da violência de gênero.

Mais de 17 mil pedidos de proteção em apenas um ano

Os assassinatos representam a consequência mais extrema de um problema muito maior.

Dados da Corregedoria-Geral da Justiça mostram que Mato Grosso recebeu 17.629 solicitações de medidas protetivas ao longo de 2025. Deste total, 13.944 foram concedidas integralmente e outras 2.233 parcialmente.

Somente entre janeiro e março de 2026, foram registrados outros 4.469 pedidos, com 3.538 medidas deferidas.

No início deste ano, o Judiciário estadual também contabilizava 112 processos relacionados a feminicídio em tramitação. Em 2025, foram realizadas 93 sessões do Tribunal do Júri envolvendo crimes dessa natureza.

Os números revelam que a violência contra a mulher não se limita aos casos que terminam em morte. Antes do feminicídio, muitas vítimas convivem com ameaças, agressões, controle excessivo, perseguição, humilhações e violência psicológica.

Violência nem sempre começa com agressão física

O Tribunal de Justiça alerta que sinais aparentemente menos graves podem fazer parte do início de um relacionamento abusivo.

Ciúme excessivo, controle sobre onde a mulher vai ou com quem conversa, tentativas de afastá-la de familiares e amigos, humilhações, manipulação psicológica, ameaças e constrangimentos estão entre comportamentos que podem anteceder episódios de violência física.

É exatamente por essa razão que autoridades defendem que a denúncia seja feita antes que o ciclo de violência alcance níveis extremos.

O problema é que muitas vítimas ainda não procuram a rede de proteção.

Dados apresentados pelo Observatório Caliandra apontaram que, entre centenas de mulheres assassinadas em casos classificados como feminicídio nos últimos anos, a ampla maioria não havia recorrido anteriormente a mecanismos formais de proteção.

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Medidas protetivas, afastamento do agressor, monitoramento eletrônico e botão do pânico estão entre os instrumentos utilizados para tentar interromper esse ciclo.

Mato Grosso reforça rede de enfrentamento

Diante da gravidade dos números, Mato Grosso vem ampliando estruturas específicas para enfrentar a violência de gênero.

Em 2026, foi estruturado o Gabinete de Enfrentamento à Violência de Gênero contra a Mulher, além da organização da Rede Estadual de Enfrentamento à Violência contra a Mulher, reunindo diferentes instituições e órgãos públicos.

O Estado mantém ainda painéis públicos com informações sobre ameaças, agressões, homicídios e feminicídios desde 2019, permitindo acompanhar a evolução dos casos em diferentes municípios.

Mas os sucessivos crimes mostram que a atuação do poder público precisa caminhar junto com uma mudança cultural e com a participação da sociedade.

Mirella passa a integrar uma estatística que representa vidas interrompidas

A morte de Mirella dos Santos Kaluzny não representa apenas mais um registro policial.

A jovem tinha 29 anos e teve sua vida interrompida violentamente dentro de um ambiente que deveria representar segurança.

Por trás dos números estaduais existem mulheres, filhos, pais, mães, irmãos e famílias inteiras que passam a carregar as consequências da violência.

O caso de Feliz Natal se soma a uma sequência de episódios que coloca o enfrentamento à violência doméstica entre os principais desafios sociais e de segurança pública de Mato Grosso.

A investigação deverá esclarecer todas as circunstâncias do crime e a responsabilidade do suspeito.

Enquanto isso, o assassinato de Mirella deixa novamente uma pergunta que se repete a cada novo caso: quantas mulheres ainda precisarão morrer para que os sinais da violência sejam identificados e interrompidos antes que seja tarde demais?

Denuncie

Mulheres que estejam sofrendo violência ou pessoas que tenham conhecimento de situações de agressão podem procurar ajuda.

190 — Polícia Militar, em situações de emergência

180 — Central de Atendimento à Mulher

A denúncia também pode ser feita às forças de segurança e nas Delegacias Especializadas de Defesa da Mulher.

A violência doméstica não é um problema particular do casal. É uma questão de segurança pública, direitos humanos e proteção à vida.

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