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Eleições

Presença pode pesar mais que redes sociais na hora de conquistar o eleitor

Campanha de Virginia Mendes em Mato Grosso reforça uma máxima antiga da política: alcance digital ajuda, mas contato direto ainda pode transformar simpatia em voto

Em uma eleição marcada por vídeos curtos, impulsionamentos, transmissões ao vivo e estratégias cada vez mais sofisticadas nas redes sociais, uma velha ferramenta da política mostrou que continua extremamente atual: estar presente onde o eleitor está.

O desempenho de Virginia Mendes nas eleições de 2026 em Mato Grosso ajuda a ilustrar essa realidade. Em sua primeira disputa eleitoral, ela recebeu 102.120 votos e registrou votação nos 142 municípios do Estado, resultado associado a uma campanha marcada não apenas pela comunicação digital, mas por agendas presenciais, reuniões, caminhadas e encontros com lideranças e comunidades.

O exemplo levanta uma discussão importante para candidatos, principalmente aqueles que disputam cargos proporcionais: ter muitos seguidores não significa necessariamente ter muitos votos.

As redes sociais são importantes para ampliar alcance, apresentar propostas e manter contato constante com o público. Mas a política ainda possui um componente essencialmente humano. O eleitor quer conhecer, conversar, apertar a mão e perceber que o candidato entende os problemas de sua cidade, bairro ou comunidade.

Rede social alcança; presença cria vínculo

Uma publicação pode chegar a milhares de pessoas em poucos minutos. Uma visita presencial, por outro lado, alcança um número menor de eleitores, mas pode produzir uma conexão muito mais forte.

É justamente nessa diferença que está um dos grandes desafios das campanhas modernas.

No caso de Virginia Mendes, a campanha combinou comunicação com atuação presencial. Ela percorreu municípios, participou de encontros com comunidades, dialogou com associações e manteve contato direto com diferentes segmentos da população. Segundo a publicação usada como base, essa estratégia ajudou a consolidar uma rede própria de apoiadores.

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A votação também teve força expressiva nos maiores colégios eleitorais. Em Cuiabá, foram 38.193 votos, enquanto Várzea Grande registrou 10.709 votos para a candidata.

Eleitor lembra de quem esteve perto

Em municípios menores, essa lógica pode ser ainda mais evidente.

Uma visita a uma comunidade, uma reunião com comerciantes, uma conversa com produtores rurais ou a participação em um evento local pode criar uma lembrança política que dificilmente é reproduzida apenas com publicidade digital.

O eleitor pode assistir a dezenas de vídeos durante uma campanha. Entretanto, dificilmente esquece quando encontrou pessoalmente um candidato e teve a oportunidade de apresentar uma demanda.

Por isso, muitas campanhas continuam apostando no chamado corpo a corpo, mesmo com todo o avanço da comunicação digital.

Curtida não é voto

Outro ponto importante é evitar confundir engajamento digital com intenção eleitoral.

Seguidores podem morar em outros municípios ou estados. Uma publicação pode viralizar entre pessoas que sequer votam naquela região. Comentários e visualizações também podem representar curiosidade ou debate, e não necessariamente apoio político.

No momento da eleição, principalmente para deputado estadual, federal e vereador, o que importa é transformar reconhecimento em voto.

Nesse aspecto, a presença territorial pode fazer diferença.

O próprio cenário eleitoral de Mato Grosso mostrou uma disputa pulverizada entre candidatos a deputado federal e um grande contingente de eleitores ainda indecisos durante a campanha, o que tornava especialmente importante conquistar o eleitor nas semanas finais.

Lideranças locais continuam fundamentais

Outro elemento que acompanha a presença física é a construção de relações com lideranças.

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Vereadores, ex-vereadores, empresários, produtores, representantes de bairros, dirigentes de associações, lideranças religiosas e comunitárias possuem capacidade de influência dentro de seus próprios círculos.

Quando um candidato visita uma cidade e estabelece relacionamento com essas pessoas, cria uma espécie de multiplicador político.

Uma reunião com 30 pessoas pode parecer pequena diante de uma postagem com 30 mil visualizações. Mas aqueles 30 participantes podem conversar diariamente com familiares, funcionários, clientes e amigos.

É a política funcionando através das relações pessoais.

O caminho provavelmente está no equilíbrio

Isso não significa que redes sociais perderam importância. Pelo contrário.

Uma campanha competitiva dificilmente pode ignorar Instagram, Facebook, TikTok, WhatsApp e outras plataformas.

O diferencial parece estar justamente na combinação das duas estratégias.

A internet apresenta o candidato.
A presença aproxima.

A internet amplia a mensagem.
A presença constrói confiança.

A internet pode gerar seguidores.
Mas o corpo a corpo pode ajudar a transformar seguidores e simpatizantes em eleitores.

O resultado alcançado por Virginia Mendes em Mato Grosso oferece um exemplo recente dessa combinação. Sua campanha teve exposição digital, mas também forte movimentação presencial pelo Estado, chegando politicamente aos 142 municípios.

Para quem pensa nas próximas eleições municipais de 2028, especialmente em cidades do interior, a mensagem deixada pelas urnas parece clara: quem deseja construir um projeto eleitoral não pode aparecer apenas durante a campanha nem viver somente dentro das redes sociais.

A tecnologia mudou a maneira de pedir votos, mas não eliminou uma das regras mais antigas da política: o eleitor costuma valorizar quem esteve presente.

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Eleições

Impulsionamento vira uma das grandes despesas das eleições e leva milhões das campanhas para plataformas digitais

Candidatos já destinaram mais de R$ 167 milhões à Meta em 2026; crescimento da publicidade nas redes aumenta os custos das campanhas e concentra recursos em grandes empresas de tecnologia

As eleições de 2026 consolidaram uma mudança definitiva na forma de fazer campanha política no Brasil. Se antes boa parte dos recursos era destinada à televisão, rádio, material gráfico, equipes de rua, eventos e produção de conteúdo, agora uma parcela cada vez maior do dinheiro eleitoral está sendo direcionada para o impulsionamento nas redes sociais.

Levantamentos realizados durante a campanha apontaram que candidatos de todo o país já haviam destinado mais de R$ 167 milhões à Meta, empresa responsável por Facebook e Instagram.

O valor chama atenção porque mostra que o impulsionamento deixou de ser uma despesa complementar e passou a ocupar posição central nos orçamentos eleitorais.

Milhões gastos apenas para ampliar alcance

Na disputa presidencial, essa transformação ficou ainda mais evidente.

A campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva havia desembolsado aproximadamente R$ 9,39 milhões em impulsionamento nas plataformas da Meta.

Já Flávio Bolsonaro havia destinado cerca de R$ 6,83 milhões para a mesma finalidade.

Somados, os dois candidatos chegaram a mais de R$ 16 milhões somente em publicidade digital no Facebook e Instagram.

Lula havia gasto cerca de 37% a mais que Flávio nesse tipo de estratégia.

Os números mostram o tamanho da nova realidade eleitoral: além de produzir conteúdos, manter equipes de comunicação e percorrer o país, os candidatos precisam reservar milhões de reais apenas para garantir que suas mensagens apareçam para um número maior de eleitores.

Redes sociais passaram a disputar o orçamento das campanhas

O crescimento do impulsionamento tem impacto direto sobre a divisão dos recursos eleitorais.

Dinheiro que antes poderia ser utilizado na contratação de profissionais de comunicação, produtoras, gráficas, rádios, jornais, portais, equipes de rua e empresas locais agora disputa espaço com grandes plataformas digitais.

Isso não significa que o marketing digital seja desnecessário. Pelo contrário.

A capacidade de segmentar anúncios por localização, idade, interesses e comportamento tornou as redes sociais ferramentas extremamente atraentes para as campanhas.

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O problema é que o uso cada vez mais intenso dessa estratégia aumenta os custos eleitorais.

Na prática, cria-se uma verdadeira corrida por visibilidade.

Se um candidato investe pesado no impulsionamento, seus adversários também passam a sentir a necessidade de ampliar seus gastos para não desaparecer do ambiente digital.

Alcance orgânico perdeu espaço

Outro fator que explica o crescimento dos investimentos é a redução do alcance orgânico das publicações.

Ter milhares ou até milhões de seguidores não significa necessariamente conseguir falar com todos eles.

As plataformas utilizam algoritmos para decidir quais conteúdos serão mostrados para cada usuário. Dessa forma, mesmo candidatos com grande número de seguidores podem precisar pagar para ampliar o alcance de suas publicações.

O resultado é uma dependência crescente do impulsionamento.

Campanhas que decidem não investir podem enfrentar dificuldades para disputar atenção com adversários que destinam milhões de reais para anúncios.

Recursos deixam de circular na economia local

O crescimento dos investimentos nas plataformas também gera um efeito econômico importante.

Uma parte significativa do dinheiro das campanhas deixa de circular entre empresas e profissionais locais e passa a ser concentrada em grandes grupos internacionais de tecnologia.

Em eleições anteriores, boa parte dos recursos destinados à comunicação era distribuída entre gráficas, emissoras de rádio, jornais, produtoras, agências de publicidade e outros prestadores de serviços.

Com o avanço das redes sociais, esse cenário mudou.

Agora, centenas de milhões de reais são destinados a plataformas controladas por grandes multinacionais.

Embora parte desses pagamentos seja processada por empresas que possuem operações no Brasil, os grupos econômicos responsáveis pelas plataformas são estrangeiros.

Na prática, isso significa que uma fatia cada vez maior dos recursos usados nas campanhas eleitorais brasileiras está ligada a empresas globais de tecnologia.

Impulsionamento não garante votos

Outro aspecto importante é que gastar mais em redes sociais não significa necessariamente receber mais votos.

O desempenho eleitoral depende de uma série de fatores, como presença territorial, força política, rejeição, alianças, estrutura partidária, tempo de campanha e capacidade de mobilização.

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A publicidade digital pode ampliar a exposição de um candidato, mas não consegue garantir automaticamente a conversão desse alcance em votos.

Há campanhas que investem valores elevados e não conseguem resultados eleitorais compatíveis com os gastos realizados.

Isso mostra que o impulsionamento precisa ser analisado como uma ferramenta de comunicação, e não como garantia de sucesso eleitoral.

Eleições cada vez mais caras

O avanço das redes também contribui para aumentar a pressão sobre os custos das campanhas.

Produção de vídeos, equipes digitais, monitoramento de redes, contratação de influenciadores, criação de conteúdo e impulsionamento passaram a integrar de forma permanente a estrutura eleitoral.

Com isso, campanhas precisam conciliar gastos tradicionais com uma nova camada de despesas digitais.

Quanto maior a disputa pela atenção do eleitor, maior tende a ser o investimento necessário para permanecer competitivo nas redes.

Esse modelo pode favorecer candidatos com maior capacidade financeira e estruturas partidárias mais robustas.

Big techs ganham espaço no processo eleitoral

Facebook, Instagram e outras plataformas deixaram de ser apenas ferramentas de comunicação.

Hoje, ocupam posição estratégica dentro das campanhas.

A publicidade eleitoral digital movimenta milhões de reais e transforma essas empresas em peças importantes na disputa política.

Esse cenário também amplia a responsabilidade sobre transparência, fiscalização, segmentação de anúncios e controle de conteúdos patrocinados.

À medida que mais dinheiro é investido, cresce também a necessidade de acompanhar como esses recursos são utilizados e quais públicos estão sendo alcançados.

Uma mudança estrutural nas campanhas

Mais de R$ 167 milhões direcionados à Meta em uma única eleição mostram que o fenômeno não é passageiro.

O impulsionamento se tornou parte estrutural das campanhas brasileiras.

A tendência é que candidatos continuem aumentando os investimentos digitais nos próximos pleitos, pressionando ainda mais os custos eleitorais.

O desafio será encontrar equilíbrio entre presença digital, comunicação tradicional e contato direto com o eleitor.

As eleições de 2026 deixam uma realidade cada vez mais evidente: para disputar espaço nas redes, os candidatos precisam pagar cada vez mais — e uma parcela crescente do dinheiro eleitoral termina concentrada nas grandes plataformas de tecnologia.

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