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Eleições

Impulsionamento vira uma das grandes despesas das eleições e leva milhões das campanhas para plataformas digitais

Candidatos já destinaram mais de R$ 167 milhões à Meta em 2026; crescimento da publicidade nas redes aumenta os custos das campanhas e concentra recursos em grandes empresas de tecnologia

As eleições de 2026 consolidaram uma mudança definitiva na forma de fazer campanha política no Brasil. Se antes boa parte dos recursos era destinada à televisão, rádio, material gráfico, equipes de rua, eventos e produção de conteúdo, agora uma parcela cada vez maior do dinheiro eleitoral está sendo direcionada para o impulsionamento nas redes sociais.

Levantamentos realizados durante a campanha apontaram que candidatos de todo o país já haviam destinado mais de R$ 167 milhões à Meta, empresa responsável por Facebook e Instagram.

O valor chama atenção porque mostra que o impulsionamento deixou de ser uma despesa complementar e passou a ocupar posição central nos orçamentos eleitorais.

Milhões gastos apenas para ampliar alcance

Na disputa presidencial, essa transformação ficou ainda mais evidente.

A campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva havia desembolsado aproximadamente R$ 9,39 milhões em impulsionamento nas plataformas da Meta.

Já Flávio Bolsonaro havia destinado cerca de R$ 6,83 milhões para a mesma finalidade.

Somados, os dois candidatos chegaram a mais de R$ 16 milhões somente em publicidade digital no Facebook e Instagram.

Lula havia gasto cerca de 37% a mais que Flávio nesse tipo de estratégia.

Os números mostram o tamanho da nova realidade eleitoral: além de produzir conteúdos, manter equipes de comunicação e percorrer o país, os candidatos precisam reservar milhões de reais apenas para garantir que suas mensagens apareçam para um número maior de eleitores.

Redes sociais passaram a disputar o orçamento das campanhas

O crescimento do impulsionamento tem impacto direto sobre a divisão dos recursos eleitorais.

Dinheiro que antes poderia ser utilizado na contratação de profissionais de comunicação, produtoras, gráficas, rádios, jornais, portais, equipes de rua e empresas locais agora disputa espaço com grandes plataformas digitais.

Isso não significa que o marketing digital seja desnecessário. Pelo contrário.

A capacidade de segmentar anúncios por localização, idade, interesses e comportamento tornou as redes sociais ferramentas extremamente atraentes para as campanhas.

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O problema é que o uso cada vez mais intenso dessa estratégia aumenta os custos eleitorais.

Na prática, cria-se uma verdadeira corrida por visibilidade.

Se um candidato investe pesado no impulsionamento, seus adversários também passam a sentir a necessidade de ampliar seus gastos para não desaparecer do ambiente digital.

Alcance orgânico perdeu espaço

Outro fator que explica o crescimento dos investimentos é a redução do alcance orgânico das publicações.

Ter milhares ou até milhões de seguidores não significa necessariamente conseguir falar com todos eles.

As plataformas utilizam algoritmos para decidir quais conteúdos serão mostrados para cada usuário. Dessa forma, mesmo candidatos com grande número de seguidores podem precisar pagar para ampliar o alcance de suas publicações.

O resultado é uma dependência crescente do impulsionamento.

Campanhas que decidem não investir podem enfrentar dificuldades para disputar atenção com adversários que destinam milhões de reais para anúncios.

Recursos deixam de circular na economia local

O crescimento dos investimentos nas plataformas também gera um efeito econômico importante.

Uma parte significativa do dinheiro das campanhas deixa de circular entre empresas e profissionais locais e passa a ser concentrada em grandes grupos internacionais de tecnologia.

Em eleições anteriores, boa parte dos recursos destinados à comunicação era distribuída entre gráficas, emissoras de rádio, jornais, produtoras, agências de publicidade e outros prestadores de serviços.

Com o avanço das redes sociais, esse cenário mudou.

Agora, centenas de milhões de reais são destinados a plataformas controladas por grandes multinacionais.

Embora parte desses pagamentos seja processada por empresas que possuem operações no Brasil, os grupos econômicos responsáveis pelas plataformas são estrangeiros.

Na prática, isso significa que uma fatia cada vez maior dos recursos usados nas campanhas eleitorais brasileiras está ligada a empresas globais de tecnologia.

Impulsionamento não garante votos

Outro aspecto importante é que gastar mais em redes sociais não significa necessariamente receber mais votos.

O desempenho eleitoral depende de uma série de fatores, como presença territorial, força política, rejeição, alianças, estrutura partidária, tempo de campanha e capacidade de mobilização.

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A publicidade digital pode ampliar a exposição de um candidato, mas não consegue garantir automaticamente a conversão desse alcance em votos.

Há campanhas que investem valores elevados e não conseguem resultados eleitorais compatíveis com os gastos realizados.

Isso mostra que o impulsionamento precisa ser analisado como uma ferramenta de comunicação, e não como garantia de sucesso eleitoral.

Eleições cada vez mais caras

O avanço das redes também contribui para aumentar a pressão sobre os custos das campanhas.

Produção de vídeos, equipes digitais, monitoramento de redes, contratação de influenciadores, criação de conteúdo e impulsionamento passaram a integrar de forma permanente a estrutura eleitoral.

Com isso, campanhas precisam conciliar gastos tradicionais com uma nova camada de despesas digitais.

Quanto maior a disputa pela atenção do eleitor, maior tende a ser o investimento necessário para permanecer competitivo nas redes.

Esse modelo pode favorecer candidatos com maior capacidade financeira e estruturas partidárias mais robustas.

Big techs ganham espaço no processo eleitoral

Facebook, Instagram e outras plataformas deixaram de ser apenas ferramentas de comunicação.

Hoje, ocupam posição estratégica dentro das campanhas.

A publicidade eleitoral digital movimenta milhões de reais e transforma essas empresas em peças importantes na disputa política.

Esse cenário também amplia a responsabilidade sobre transparência, fiscalização, segmentação de anúncios e controle de conteúdos patrocinados.

À medida que mais dinheiro é investido, cresce também a necessidade de acompanhar como esses recursos são utilizados e quais públicos estão sendo alcançados.

Uma mudança estrutural nas campanhas

Mais de R$ 167 milhões direcionados à Meta em uma única eleição mostram que o fenômeno não é passageiro.

O impulsionamento se tornou parte estrutural das campanhas brasileiras.

A tendência é que candidatos continuem aumentando os investimentos digitais nos próximos pleitos, pressionando ainda mais os custos eleitorais.

O desafio será encontrar equilíbrio entre presença digital, comunicação tradicional e contato direto com o eleitor.

As eleições de 2026 deixam uma realidade cada vez mais evidente: para disputar espaço nas redes, os candidatos precisam pagar cada vez mais — e uma parcela crescente do dinheiro eleitoral termina concentrada nas grandes plataformas de tecnologia.

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Eleições

Aliança entre MDB e PL decepciona após resultado abaixo das expectativas em Mato Grosso

Com derrota na disputa pelo Governo, Janaina Riva fora do Senado e desempenho menor que o projetado na Assembleia, união entre MDB e PL passa a ser questionada por lideranças dos próprios partidos

A aliança construída em Mato Grosso entre o MDB, liderado eleitoralmente pela deputada Janaina Riva, e o PL do senador Wellington Fagundes entrou em processo de avaliação após o resultado das eleições de 2026. A composição, formada com a expectativa de fortalecer as candidaturas majoritárias e ampliar a representação dos dois partidos, não alcançou todos os objetivos traçados durante a campanha.

Wellington Fagundes, candidato do PL ao Governo do Estado, terminou a disputa atrás de Otaviano Pivetta, que venceu a eleição. Já Janaina Riva, candidata ao Senado pelo MDB, não conseguiu conquistar uma das duas vagas disponíveis.

O resultado produziu um cenário politicamente delicado para a aliança. Embora o PL tenha conseguido eleger Zé Medeiros ao Senado, o partido não venceu a disputa pelo Palácio Paiaguás. Já o MDB ficou sem a cadeira no Senado pretendida por Janaina e também não alcançou a meta projetada para a Assembleia Legislativa.

MDB esperava eleger mais deputados

O deputado estadual Dr. João, reeleito pelo MDB, afirmou após a eleição que o partido trabalhava com a expectativa de conquistar quatro cadeiras na Assembleia Legislativa, mas terminou com três.

Segundo ele, a chapa foi montada com a projeção de contar com vários candidatos capazes de alcançar votações expressivas e contribuir para o desempenho coletivo da legenda. Na prática, parte desses nomes teve votação abaixo do esperado.

Dr. João apontou que candidatos considerados competitivos dentro da chapa não conseguiram atingir as projeções iniciais, o que reduziu a soma partidária e dificultou a conquista de uma cadeira adicional.

Dr. João criticou aliança com o PL

A união com o PL de Wellington Fagundes também passou a ser questionada internamente.

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Dr. João afirmou que a composição parecia politicamente possível no início, mas que o resultado das urnas mostrou dificuldades na estratégia adotada.

“Depois que aconteceu, a gente vê que não foi uma boa ideia”, declarou o parlamentar ao avaliar a parceria entre MDB e PL.

Segundo ele, também faltou maior unidade entre candidatos e partidos durante a campanha. A avaliação do deputado é que muitos integrantes da coligação acabaram priorizando projetos individuais, reduzindo a capacidade de atuação conjunta.

Dr. João também afirmou que já vinha demonstrando preocupação com o formato da aliança durante sua construção, especialmente em relação à falta de integração entre os grupos envolvidos.

Críticas também surgiram dentro do PL

As críticas à aproximação entre MDB e PL não ficaram restritas ao MDB.

Lideranças do PL também passaram a questionar a estratégia após o resultado das eleições. Entre elas, o prefeito de Cuiabá, Abilio Brunini, manifestou posição contrária à aproximação de Wellington Fagundes com o MDB e relacionou a escolha ao desempenho da candidatura ao Governo.

As declarações mostram que a composição passou a ser analisada de forma crítica por integrantes das duas legendas.

Resultado do PL foi misto

Apesar da derrota de Wellington Fagundes ao Governo e da não eleição de Janaina Riva ao Senado, o resultado do PL não foi totalmente negativo.

O partido conseguiu eleger Zé Medeiros ao Senado e também garantiu representação importante nas disputas proporcionais, mantendo nomes fortes na Assembleia Legislativa.

Por isso, o debate interno tende a se concentrar principalmente na estratégia utilizada para a eleição majoritária e na relação construída com o MDB.

Aliança não garantiu transferência automática de votos

O resultado das urnas também mostrou que uma aliança partidária não significa necessariamente transferência automática de votos entre os candidatos.

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Mesmo pertencendo ao mesmo grupo político, Wellington Fagundes, Janaina Riva e os candidatos proporcionais tiveram desempenhos bastante diferentes.

Parte significativa do eleitorado fez escolhas distintas para governador, senador, deputado federal e deputado estadual, sem necessariamente seguir integralmente uma mesma chapa.

Esse comportamento eleitoral também ajuda a explicar por que uma composição politicamente ampla nem sempre consegue produzir o resultado esperado.

MDB deve fazer avaliação interna

O MDB agora inicia um processo de avaliação sobre os erros e acertos da campanha.

Dr. João afirmou que o partido precisa reunir suas principais lideranças, ouvir Janaina Riva e analisar desde a montagem da chapa proporcional até a estratégia adotada na eleição majoritária.

A expectativa é que a legenda avalie também se a parceria com o PL trouxe os benefícios eleitorais esperados ou se acabou criando dificuldades dentro da própria campanha.

União que parecia estratégica termina sob questionamento

A aproximação entre MDB e PL nasceu com a perspectiva de reunir estruturas partidárias fortes, lideranças conhecidas e candidatos com experiência eleitoral.

As urnas, porém, produziram um resultado diferente do projetado por parte dessas lideranças: Wellington ficou fora do Governo, Janaina não chegou ao Senado e o MDB elegeu menos deputados estaduais do que esperava.

Agora, passado o processo eleitoral, a discussão deixa de ser apenas sobre quem venceu ou perdeu e passa também pela análise da estratégia utilizada.

A aliança entre MDB e PL, que antes da campanha era apresentada como instrumento de fortalecimento político, termina a eleição sob revisão e deve influenciar diretamente as discussões internas dos dois partidos nos próximos meses.

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