Política
Projeto prevê apoio para familiares de portadores de autismo
Foto: MAURICIO BARBANT / ALMT
A Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT) vai analisar o Projeto de Lei 255/22, que institui cursos gratuitos de capacitação para familiares de portadores de Transtorno do Espectro Autista (TEA). A proposta é do presidente da ALMT, deputado Eduardo Botelho (União Brasil), que chama a atenção sobre a importância de levar informações sobre o tema à população.
Dois de abril é o Dia Mundial da Conscientização do Autismo, na segunda-feira (04), a ALMT realizará o 2º simpósio com o tema: “Autismo na intersecção entre a saúde e educação no reconhecimento da neurodiversidade”, no Teatro Zulmira Canavarros, das 8 às 18 horas.
Se aprovada a nova lei de Botelho, Mato Grosso passará a ofertar cursos nos hospitais e postos de saúde da rede pública, periodicamente, por equipes interdisciplinares das áreas de Medicina, Fisioterapia, Terapia Ocupacional, Fonoaudiologia, Psicologia, Nutrição, Pedagogia e Serviço Social dos quadros da Secretária da Saúde do Estado de Mato Grosso.
Dessa forma, ajudará as famílias a lidar com a rotina dos autistas abordando sobre a importância do diagnóstico; terapias; manuseio; regularidade de estímulos; desenvolvimento do paciente e cuidados básicos para evitar acidentes. Além disso, prevê campanhas educativas sobre a importância dos cursos oferecidos.
No projeto, Botelho explica a necessidade da nova lei para capacitar a família sobre a melhor forma de cuidar do ente querido portador de autismo. Uma vez que, existem diversas intervenções recomendadas e muitos profissionais que podem compor a equipe multidisciplinar para contribuir à evolução do autista.
Descreve que a capacitação facilita, inclusive, na escolha do tipo de acompanhamento profissional mais conveniente ao tratamento.
Mãe do Mateus, de 6 anos, e da Mariana, de 5 anos, a servidora pública Rosivani Mônaco de Jesus está confiante de que o projeto será aprovado e sancionado. Ela conta que o filho foi diagnosticado com quase dois anos de idade, e que o apoio sobre os tipos de tratamentos existentes e equipe multidisciplinar tem sido fundamental ao desenvolvimento do Mateus.
“Espero mesmo que vire lei porque os benefícios serão enormes às crianças e às famílias. Pensamos primeiro no bem-estar das crianças, só que esse bem-estar vem através da família equilibrada, que tem apoio e pode dar o suporte para essas crianças autistas. As terapias, o diagnóstico e tratamento precisam ser repassados para que a família saiba lidar da melhor forma possível. Esse projeto vai ser fundamental para passar esse conhecimento sobre o que tem que ser feito para ajudar”, afirma Rosivani.
Ela conta que logo que obteve o diagnóstico do Mateus como autista deu início ao tratamento, começando com fonoaudiologia. “Dentro de seis meses ele já falava muito, embora não se comunicava. Mas, eu estava feliz da vida porque o meu sonho era ouvir a voz dele. Cada fase é uma demanda superada e o diagnóstico precoce ajuda muito. Tem que ter acompanhamento ao longo da vida, com os ajustes necessários para cada nova etapa. E a troca de ideias na terapia com as mães e profissionais ajudam muito”, explica a servidora.
Tratamento – De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), as terapias mais indicadas para TEA são baseadas nos princípios da Análise do Comportamento Aplicada (ABA). Isso porque, quando aplicada ao autismo, a ABA faz a avaliação individual para elaborar estratégias que possam ajudar no desenvolvimento de habilidades.
Eleições
Aliança entre MDB e PL decepciona após resultado abaixo das expectativas em Mato Grosso
Com derrota na disputa pelo Governo, Janaina Riva fora do Senado e desempenho menor que o projetado na Assembleia, união entre MDB e PL passa a ser questionada por lideranças dos próprios partidos
A aliança construída em Mato Grosso entre o MDB, liderado eleitoralmente pela deputada Janaina Riva, e o PL do senador Wellington Fagundes entrou em processo de avaliação após o resultado das eleições de 2026. A composição, formada com a expectativa de fortalecer as candidaturas majoritárias e ampliar a representação dos dois partidos, não alcançou todos os objetivos traçados durante a campanha.
Wellington Fagundes, candidato do PL ao Governo do Estado, terminou a disputa atrás de Otaviano Pivetta, que venceu a eleição. Já Janaina Riva, candidata ao Senado pelo MDB, não conseguiu conquistar uma das duas vagas disponíveis.
O resultado produziu um cenário politicamente delicado para a aliança. Embora o PL tenha conseguido eleger Zé Medeiros ao Senado, o partido não venceu a disputa pelo Palácio Paiaguás. Já o MDB ficou sem a cadeira no Senado pretendida por Janaina e também não alcançou a meta projetada para a Assembleia Legislativa.
MDB esperava eleger mais deputados
O deputado estadual Dr. João, reeleito pelo MDB, afirmou após a eleição que o partido trabalhava com a expectativa de conquistar quatro cadeiras na Assembleia Legislativa, mas terminou com três.
Segundo ele, a chapa foi montada com a projeção de contar com vários candidatos capazes de alcançar votações expressivas e contribuir para o desempenho coletivo da legenda. Na prática, parte desses nomes teve votação abaixo do esperado.
Dr. João apontou que candidatos considerados competitivos dentro da chapa não conseguiram atingir as projeções iniciais, o que reduziu a soma partidária e dificultou a conquista de uma cadeira adicional.
Dr. João criticou aliança com o PL
A união com o PL de Wellington Fagundes também passou a ser questionada internamente.
Dr. João afirmou que a composição parecia politicamente possível no início, mas que o resultado das urnas mostrou dificuldades na estratégia adotada.
“Depois que aconteceu, a gente vê que não foi uma boa ideia”, declarou o parlamentar ao avaliar a parceria entre MDB e PL.
Segundo ele, também faltou maior unidade entre candidatos e partidos durante a campanha. A avaliação do deputado é que muitos integrantes da coligação acabaram priorizando projetos individuais, reduzindo a capacidade de atuação conjunta.
Dr. João também afirmou que já vinha demonstrando preocupação com o formato da aliança durante sua construção, especialmente em relação à falta de integração entre os grupos envolvidos.
Críticas também surgiram dentro do PL
As críticas à aproximação entre MDB e PL não ficaram restritas ao MDB.
Lideranças do PL também passaram a questionar a estratégia após o resultado das eleições. Entre elas, o prefeito de Cuiabá, Abilio Brunini, manifestou posição contrária à aproximação de Wellington Fagundes com o MDB e relacionou a escolha ao desempenho da candidatura ao Governo.
As declarações mostram que a composição passou a ser analisada de forma crítica por integrantes das duas legendas.
Resultado do PL foi misto
Apesar da derrota de Wellington Fagundes ao Governo e da não eleição de Janaina Riva ao Senado, o resultado do PL não foi totalmente negativo.
O partido conseguiu eleger Zé Medeiros ao Senado e também garantiu representação importante nas disputas proporcionais, mantendo nomes fortes na Assembleia Legislativa.
Por isso, o debate interno tende a se concentrar principalmente na estratégia utilizada para a eleição majoritária e na relação construída com o MDB.
Aliança não garantiu transferência automática de votos
O resultado das urnas também mostrou que uma aliança partidária não significa necessariamente transferência automática de votos entre os candidatos.
Mesmo pertencendo ao mesmo grupo político, Wellington Fagundes, Janaina Riva e os candidatos proporcionais tiveram desempenhos bastante diferentes.
Parte significativa do eleitorado fez escolhas distintas para governador, senador, deputado federal e deputado estadual, sem necessariamente seguir integralmente uma mesma chapa.
Esse comportamento eleitoral também ajuda a explicar por que uma composição politicamente ampla nem sempre consegue produzir o resultado esperado.
MDB deve fazer avaliação interna
O MDB agora inicia um processo de avaliação sobre os erros e acertos da campanha.
Dr. João afirmou que o partido precisa reunir suas principais lideranças, ouvir Janaina Riva e analisar desde a montagem da chapa proporcional até a estratégia adotada na eleição majoritária.
A expectativa é que a legenda avalie também se a parceria com o PL trouxe os benefícios eleitorais esperados ou se acabou criando dificuldades dentro da própria campanha.
União que parecia estratégica termina sob questionamento
A aproximação entre MDB e PL nasceu com a perspectiva de reunir estruturas partidárias fortes, lideranças conhecidas e candidatos com experiência eleitoral.
As urnas, porém, produziram um resultado diferente do projetado por parte dessas lideranças: Wellington ficou fora do Governo, Janaina não chegou ao Senado e o MDB elegeu menos deputados estaduais do que esperava.
Agora, passado o processo eleitoral, a discussão deixa de ser apenas sobre quem venceu ou perdeu e passa também pela análise da estratégia utilizada.
A aliança entre MDB e PL, que antes da campanha era apresentada como instrumento de fortalecimento político, termina a eleição sob revisão e deve influenciar diretamente as discussões internas dos dois partidos nos próximos meses.
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