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Política

Veja repercussão política do pacote anticrime assinado por Bolsonaro

Nesta terça-feira (19), o presidente Jair Bolsonaro assinou o pacote de medidas anticrime, apresentado pelo ministro da Justiça, Sérgio Moro, no início do mês. A proposta será enviada ainda nesta terça para a Câmara dos Deputados.

Entre as medidas previstas no texto do governo estão a criminalização do caixa 2 e a determinação de prisões após condenação em segunda instância valerem como regra nos processos penais.

O governo disse que a versão final do texto vai ser apresentada depois que o pacote for entregue ao Congresso. Pelo que Moro já havia divulgado, as medidas devem modificar 14 leis atualmente em vigor, entre elas: Código Penal, o Código de Processo Penal, a Lei de Execução Penal, a Lei de Crimes Hediondos e o Código Eleitoral.

Inicialmente, as medidas estariam dentro de um texto só. Agora, o governo decidiu fatiar o pacote em três projetos. Um deles vai tratar da criminalização do caixa 2.

Veja a repercussão entre políticos:

  • Alessandro Molon (PSB-RJ), deputado federal: “Não era um único pacote anticrime? Por que o governo decidiu fracionar esse pacote? Quais são os verdadeiros interesses por trás disso? Parece que o governo quer salvar uma parte do pacote e deixar outra, que é fundamental para o combate à corrupção, afundar.”
  • Álvaro Dias (Pode-PR), senador: “Os que querem o aprimoramento da legislação, com rigor implacável, trabalharão para a aprovação do pacote integralmente, e eu considero também fundamental agilizar os procedimentos, dar celeridade a essa votação, não há porque alegar-se o pretexto de que primeiramente deve se cuidar da economia. Esse pacote anticrime também trabalha a favor do desenvolvimento econômico.”
  • Marcelo Freixo (PSOL-RJ): O projeto necessita de muito debate, porque ele tem pontos muito problemáticos, e a gente precisa fazer esse debate com o conjunto da sociedade.A ideia da legítima defesa mais ampliada pode gerar mais violência policial. A ideia do encarceramento em massa pode aumentar o poder das facções dentro das cadeias.
  • Rodrigo Maia (DEM-RJ), presidente da Câmara: “Eu acho que é o governo que decide como encaminha os seus projetos, não sou eu que vou ficar discutindo a forma de encaminhamento por parte do governo. Se o governo vai encaminhar fatiado, vai tramitar desta forma […] Caixa 2 a gente já votou em 2016. É um assunto que pode ser votado a qualquer momento. Esse assunto não é problema.”
  • Rubens Bueno (PPS-PR), deputado federal: “O Brasil sabe que o caixa 2 sempre foi o centro dos grandes escândalos nacionais. Aconteceu lá no mensalaão, chegou no petrpolão e agora estáa ái o pacote, Esse pacote precisa ser aprovado pelo Congresso Nacional, e não mais empurrar com a barriga. Caixa 2 é crime, e como tal, cabe a nós aprovar esse pacote do ministro da Justiça.”
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G1

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Eleições

PL chega à reta final da eleição dividido em Mato Grosso e lideranças da sigla aderem a Pivetta

Mesmo com Wellington Fagundes como candidato próprio ao Governo, prefeitos e importantes nomes do Partido Liberal passaram a apoiar publicamente Otaviano Pivetta; nesta quarta-feira, José Medeiros e Odílio Balbinotti participaram de ato ao lado do governador

A poucos dias das eleições, o Partido Liberal (PL) chega à reta final da disputa pelo Governo de Mato Grosso enfrentando uma divisão interna que se tornou cada vez mais explícita durante a campanha. Mesmo tendo o senador Wellington Fagundes como candidato oficial ao Palácio Paiaguás, importantes lideranças da própria legenda decidiram seguir outro caminho e declarar apoio à reeleição do governador Otaviano Pivetta, do Republicanos.

O episódio mais recente ocorreu nesta quarta-feira (30), em Rondonópolis. Durante uma caminhada de campanha de Pivetta, participaram do ato o prefeito Cláudio Ferreira, o deputado federal e candidato ao Senado José Medeiros e o empresário Odílio Balbinotti, suplente na chapa de Medeiros. Os três são ligados ao PL.

A presença de Medeiros ao lado de Pivetta chamou atenção porque Wellington Fagundes é justamente o candidato escolhido pelo PL para disputar o Governo do Estado. Segundo veículos que acompanharam o evento, Medeiros e Balbinotti manifestaram apoio político à candidatura do governador, aprofundando o distanciamento dentro da própria sigla.

Cláudio Ferreira já havia tornado público seu posicionamento. Durante o ato desta quarta-feira, o prefeito de Rondonópolis voltou a defender a continuidade da atual administração estadual e afirmou que trabalhará eleitoralmente por Pivetta.

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Divisão vem aumentando durante a campanha

O problema interno do PL, porém, não começou agora. Nas últimas semanas, diversos prefeitos filiados à legenda anunciaram apoio a Pivetta, contrariando a candidatura própria do partido.

Entre os nomes já mencionados publicamente estão os prefeitos Flávia Moretti, de Várzea Grande; Cláudio Ferreira, de Rondonópolis; Sérgio Machnic, de Primavera do Leste; Carlão Borchardt, de Tabaporã; e Edilson Piaia, de Campo Novo do Parecis. Reportagens publicadas durante a campanha chegaram a apontar o apoio de pelo menos 14 prefeitos ligados ao PL ao projeto de reeleição de Pivetta.

A situação chegou a provocar reação da direção estadual da legenda. No início de setembro, o presidente estadual do PL, Ananias Filho, informou que procedimentos relacionados à fidelidade partidária de prefeitos que apoiavam Pivetta seriam analisados internamente, inclusive com possibilidade de punições.

Ao mesmo tempo, Ananias procurou minimizar publicamente a dimensão da crise, afirmando que divisões também existem em outros partidos e coligações.

Wellington pediu fidelidade

Wellington Fagundes também já se pronunciou sobre o movimento. Em setembro, o candidato afirmou que os filiados deveriam respeitar a decisão tomada pela maioria do partido durante a convenção que confirmou sua candidatura ao Governo. Apesar da cobrança por fidelidade, declarou que não pretendia transformar as divergências em confronto aberto com os correligionários.

Posteriormente, ao comentar o apoio de prefeitos do próprio partido a Pivetta, Wellington afirmou que não guardava mágoa e que cada liderança teria o direito de agir conforme sua consciência.

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Racha fica ainda mais evidente

O cenário evidencia uma situação incomum dentro do PL mato-grossense: de um lado, a estrutura oficial do partido mantém Wellington Fagundes como candidato ao Governo; de outro, prefeitos, lideranças municipais e agora nomes diretamente envolvidos na chapa do Senado aparecem publicamente ao lado do principal adversário do próprio candidato da legenda.

No lançamento da candidatura de José Medeiros ao Senado, realizado no dia 17 de setembro, Wellington não participou do evento, enquanto prefeitos do PL que apoiam Pivetta estiveram presentes. Cláudio Ferreira chegou ao encontro usando adesivos de Pivetta e do então candidato ao Senado Mauro Mendes, segundo reportagens sobre o evento.

Agora, com Medeiros e Balbinotti aparecendo diretamente em uma caminhada eleitoral de Pivetta, a divisão deixou de ficar restrita aos prefeitos e passou a envolver alguns dos principais nomes da legenda na campanha estadual.

A quatro dias da votação de 4 de outubro, o PL enfrenta, portanto, o desafio de disputar o Governo de Mato Grosso enquanto parte expressiva de suas próprias lideranças trabalha politicamente pela candidatura adversária.

Mais do que divergências pontuais, os movimentos registrados durante a campanha mostram que o PL chega ao momento decisivo da eleição sem unidade em torno de sua própria candidatura ao Palácio Paiaguás.

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