Política
Programa Palavra Literária entrevista a escritora Neide Silva
Foto: Divulgação / Arquivo Pessoal
A escritora e artista plástica Neide Silva é a próxima entrevistada da segunda temporada do programa “Palavra Literária”, da TV Assembleia (TVAL). O episódio vai ao ar no próximo sábado (26), nos canais 30.1 e 30.2, às 12h30 e às 18h30, e as reprises serão transmitidas aos domingos (11h30 / 21h), terças (12h30 / 22h) e sextas-feiras (12h30 / 22h).
Descendente de indígenas, Neide cresceu na periferia de Cuiabá, no bairro Pedregal. O contato com a arte começou cedo, inspirada pelo irmão, o também artista plástico Sebastião Silva. No entanto, foi apenas aos 37 anos de idade, em 2011, durante a gravidez do seu filho mais novo, Norberto, que ela escreveu seu primeiro livro: “Cigamiguinho”, dedicado ao universo infantil.
Em 2013, produziu o seu segundo livro: “Iribi Sabiá”, inspirado nas brincadeiras que fazia com o filho. As obras, porém, ficaram engavetadas por aproximadamente cinco anos, até que a escritora decidiu apresentá-las a uma editora.
“Eu imprimi de forma artesanal e trabalhei com esses livros no estágio final do curso de psicologia. As obras foram muito bem recebidas lá. Foi um trabalho maravilhoso, aprendi muita coisa com as crianças daquele grupo. Depois disso, eu marquei uma reunião com a editora, que gostou muito do projeto e decidiu publicar em 2016”, conta Neide.
O insight para o terceiro livro, “Sabina – A Sapinha Bailarina”, veio enquanto escutava música clássica. A personagem, que saltita e rodopia, quebra o padrão estabelecido às bailarinas e carrega uma característica da sua criadora. “Eu sempre sofri com o meu pé chato e assim é o pé da Sabina. Não é aquele pé delicado de bailarina e mesmo assim ela dança”, relata.
Foto: Divulgação / Arquivo Pessoal
As ilustrações dos três primeiros livros foram feitas pelo seu irmão. Já as dos outros três (Kaike, Elvis e Lola, e O reino que Ruiu) foram produzidas por ela mesma. Publicado em 2020, “O reino que Ruiu” foi selecionado no edital Aldir Blanc da Prefeitura de Cuiabá-MT.
Escrever para crianças, na avaliação da autora, é um trabalho complexo e exige ainda mais responsabilidade. “São textos curtos, mas você tem que trazer tudo ali: conflito e desfecho. Tem todo um trabalho de pesquisa por trás e você precisa ter muito cuidado com o que você diz e a forma como diz, pois a criança ainda está em fase de formação da sua personalidade”, diz.
Mas não é apenas ao universo infantil que Neide Souza dedica a sua escrita. Ela também produz crônicas para a coluna “Pés Descalços”, para uma revista eletrônica.
Assim como os livros, as crônicas têm a sua vivência como matéria-prima. “São baseadas na minha infância, na minha trajetória, no lado socioeconômico vulnerável, na formação da minha personalidade”, salienta.
Neide Silva afirma ter se sentido honrada com o convite para participar da segunda temporada do programa “Palavra Literária” e agradece a oportunidade. “Eu assisti a primeira temporada e gostei muito do trabalho e das entrevistas. Foi uma grande satisfação participar dessa temporada. É um reconhecimento que fortalece e valoriza o nosso trabalho e nos dá confiança para continuar produzindo”, ressalta.
Política
TJMT condena Cattani a indenizar associação LGBTQIA+ e publicar retratação

A Quarta Câmara de Direito Privado do Tribunal de Justiça de Mato Grosso condenou o deputado estadual Gilberto Cattani (PL) ao pagamento de R$ 20 mil por danos morais, além da obrigação de publicar uma retratação em seu perfil no Instagram. A decisão foi tomada nesta quarta-feira (15), após análise de recurso movido pela associação MT Queer.
O colegiado seguiu, de forma unânime, o voto do desembargador Rubens de Oliveira Santos Filho, que divergiu inicialmente da relatora Serly Marcondes Alves. Em primeira instância, a entidade havia tido o pedido negado, cenário que se repetiu em decisão inicial no próprio tribunal. No entanto, após pedido de vista, Rubens apresentou voto favorável à associação, posteriormente acompanhado pela relatora, consolidando o entendimento unânime da Câmara.
No voto, o desembargador destacou que o parlamentar possui histórico de manifestações consideradas polêmicas e apontou que, neste caso, houve extrapolação dos limites da atuação política. Segundo ele, as declarações não configuram exercício legítimo da função parlamentar, mas sim conteúdo discriminatório. “É nítido que o tom adotado não se caracteriza como crítica administrativa ou política, mas revela conteúdo de segregação e preconceito”, afirmou.
A ação tem origem em um vídeo publicado por Cattani em novembro de 2023, no qual ele criticava um curta-metragem produzido pela MT Queer. O material retratava a relação afetiva entre dois jovens e, segundo o deputado, estaria “incentivando” comportamentos entre estudantes. A interpretação foi contestada pela entidade, que acionou a Justiça alegando discurso discriminatório.
Para o relator do voto vencedor, o caso não se enquadra na proteção da imunidade parlamentar. Ele classificou a conduta como manifestação de “intolerância odiosa”, ressaltando que não há nexo funcional que justifique o conteúdo das declarações no âmbito do exercício do mandato.
Além da indenização, que será acrescida de juros e correção monetária, o deputado deverá publicar uma retratação em sua conta no Instagram por, no mínimo, 15 dias. O descumprimento poderá gerar multa diária de R$ 1 mil.
A decisão, proferida em segunda instância, ainda pode ser alvo de recursos. Caso seja mantida até o trânsito em julgado, o caso poderá ter desdobramentos na esfera eleitoral, com eventual análise à luz da Lei da Ficha Limpa, dependendo do entendimento sobre eventual incitação ao ódio e suas implicações jurídicas.
Fonte Folhamax
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