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Pantanal: protagonista da preservação ambiental


Foto: Marcos Lopes

* Carlos Avallone

Trinta e dois anos depois, o Pantanal mato-grossense volta a inundar a telinha como protagonista de uma superprodução. A exemplo da produção de 1990, exibida pela antiga TV Manchete, o remake de “Pantanal” na TV Globo deve bater novos recordes de audiência e chamar a atenção dos telespectadores sobre a importância da preservação deste Patrimônio Natural da Humanidade e Reserva da Biosfera pela Unesco. 

Jogar luz sobre o Pantanal, falar sobre a realidade atual, sobre as belezas exuberantes e também sobre as ameaças que cercam o bioma, aumenta significativamente as chances de mais pessoas se engajarem em defesa dessa região. A nova exposição deste tema, que conta com recursos tecnológicos muitos mais avançados do que em 1990 e deve reverberar nas redes sociais, multiplica as vozes em defesa do bioma.

Um exemplo claro desta mobilização midiática ocorreu em 2020, quando o Pantanal enfrentou a maior onda de incêndios florestais de sua história, consequência da pior seca dos últimos anos. Imagens e relatos de animais queimados e grandes áreas consumidas pelas chamas correram rapidamente o mundo. A comoção foi tanta, que milhares de celebridades no Brasil e no mundo se posicionaram sobre a catástrofe, e o assunto foi um dos mais falados nas principais redes sociais.

Graças a essa exposição, milhões foram arrecadados em doações por diversas instituições que atuam em defesa do bioma, tornando possível a realização ou melhoria de projetos para o resgate e reabilitação de animais, restauração de áreas degradadas, apoio a comunidades atingidas e prevenção de futuros incêndios.

Muito além da trama amorosa que vai entreter os telespectadores, o Pantanal é o grande protagonista desta superprodução, que dirige todos os holofotes para este bioma que sofre consequências das mudanças climáticas. A novela confirma a beleza extraordinária deste paraíso entre Mato Grosso e Mato Grosso do Sul, e nos leva a pensar sobre como a sociedade organizada deve agir para preservar o bioma para as próximas gerações.

A novela nos instiga: o que mais podemos fazer para ajudar o Pantanal? Como pessoa que passou parte da infância morando no pantanal, em Poconé, que depois tratou o tema como gestor público no Executivo e hoje no Legislativo, acredito que uma das maneiras para começar a responder essa pergunta é: precisamos conhecer e divulgar o Pantanal. Precisamos aprender e apoiar o pantaneiro-raiz, que há séculos preserva o pantanal. E a novela deve ajudar a cumprir este objetivo com a força de sua presença junto ao telespectador.

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É uma região peculiar não só pelas belezas naturais, mas também pelo papel que desempenha na conservação da biodiversidade. Nosso “reino das águas”, esse imenso reservatório de água doce é muito importante para o suprimento de água, a estabilização do clima e a conservação do solo.

Na condição de presidente reeleito da Comissão de Meio Ambiente da Assembleia Legislativa, desde 2020 atuamos decisivamente para prevenir os incêndios e aperfeiçoar a estrutura de combate ao fogo. A união de esforços entre Executivo, Legislativo, os pantaneiros, entidades ambientalistas e a iniciativa privada, garantiu bons resultados. O índice de queimadas no Pantanal em 2021 foi reduzido em quase 90% em relação a 2020. Estamos analisando alterações na lei que trata da política estadual de gestão e proteção à bacia do Alto Paraguai, aumentando a proteção ao bioma. Também contratamos um estudo da Embrapa que vai aperfeiçoar a legislação estadual para assegurar o manejo adequado nas propriedades rurais, que também contribui para evitar os incêndios.

O autor de Pantanal, Benedito Ruy Barbosa, afirma que “a atitude mais imbecil que o homem pode ter é matar a água que ele consome, pois sem agua não há vida”, alerta ao constatar a redução do nível de água nos rios do pantanal, após 32 anos. Realmente, o principal atributo ecológico do Pantanal é a água e, portanto, é impossível preservá-lo sem preservar a água.

O neto de Benedito Ruy Barbosa, Bruno Luperi, ressalta a importância da discussão sobre a preservação do meio ambiente. “A natureza grita e poucas pessoas escutam. A novela propõe essa discussão de uma maneira muito forte, e hoje em dia ela é muito mais importante do que foi há 30 anos”, diz Luperi.

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O ator Marcos Palmeira, que viveu as duas edições da novela, afirma que o pantanal “está mostrando que tem potencial ainda para ser salvo, e espero que a novela traga esta visibilidade, para a gente enxergar que isso só faz sentido se for preservado”. A atriz Juliana Paes, a Maria Marruá na novela, diz que “é preciso pensar na importância de preservar e conviver de maneira mais harmônica com esse paraíso que é o pantanal”.

Por estes motivos que mostram a relevância da novela Pantanal como indutora de conscientização sobre a importância de preservar o pantanal, apresentei Moção de Aplausos aos dirigentes da emissora carioca, da Rede Mato-grossense de Comunicação e toda a equipe de 120 profissionais entre autores, diretores, elenco, produção e técnicos envolvidos na segunda edição da novela. Destaco também o ator cuiabano Romeu Benedicto, que representa ali o homem pantaneiro, ao dar vida ao chefe dos peões, Anacleto.

Merece elogios a preocupação da equipe em reduzir os impactos no bioma durante os meses das filmagens, com adequada destinação do lixo e uso dos recursos naturais. Reconheço através desta moção a importância da novela Pantanal pela divulgação das belezas naturais do Pantanal, que estimulam pessoas em todos os cantos do mundo a visitarem a região. Com maior visitação, ganha todo o trade turístico com a injeção de mais recursos na economia local, gerando empregos e renda e um ambiente favorável para o desenvolvimento sustentável do bioma.

A novela também inaugurou uma nova estética na dramaturgia televisiva, refletindo o verdadeiro ritmo do Pantanal. Agora temos uma vista mais longa, um tempo mais calmo, um tempo de observar mais, ouvir mais a voz da natureza e do pantaneiro, no eterno fluir da cheia e da seca. Quando você respeita o meio ambiente, ele te dá frutos. E o pantanal é de fato a maior riqueza de Mato Grosso, aumentando nossa responsabilidade com este patrimônio ambiental inigualável.

* Carlos Avallone é deputado pelo PSDB e presidente da Comissão de Meio Ambiente da ALMT.

Fonte: ALMT

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TJMT condena Cattani a indenizar associação LGBTQIA+ e publicar retratação

A Quarta Câmara de Direito Privado do Tribunal de Justiça de Mato Grosso condenou o deputado estadual Gilberto Cattani (PL) ao pagamento de R$ 20 mil por danos morais, além da obrigação de publicar uma retratação em seu perfil no Instagram. A decisão foi tomada nesta quarta-feira (15), após análise de recurso movido pela associação MT Queer.

O colegiado seguiu, de forma unânime, o voto do desembargador Rubens de Oliveira Santos Filho, que divergiu inicialmente da relatora Serly Marcondes Alves. Em primeira instância, a entidade havia tido o pedido negado, cenário que se repetiu em decisão inicial no próprio tribunal. No entanto, após pedido de vista, Rubens apresentou voto favorável à associação, posteriormente acompanhado pela relatora, consolidando o entendimento unânime da Câmara.

No voto, o desembargador destacou que o parlamentar possui histórico de manifestações consideradas polêmicas e apontou que, neste caso, houve extrapolação dos limites da atuação política. Segundo ele, as declarações não configuram exercício legítimo da função parlamentar, mas sim conteúdo discriminatório. “É nítido que o tom adotado não se caracteriza como crítica administrativa ou política, mas revela conteúdo de segregação e preconceito”, afirmou.

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A ação tem origem em um vídeo publicado por Cattani em novembro de 2023, no qual ele criticava um curta-metragem produzido pela MT Queer. O material retratava a relação afetiva entre dois jovens e, segundo o deputado, estaria “incentivando” comportamentos entre estudantes. A interpretação foi contestada pela entidade, que acionou a Justiça alegando discurso discriminatório.

Para o relator do voto vencedor, o caso não se enquadra na proteção da imunidade parlamentar. Ele classificou a conduta como manifestação de “intolerância odiosa”, ressaltando que não há nexo funcional que justifique o conteúdo das declarações no âmbito do exercício do mandato.

Além da indenização, que será acrescida de juros e correção monetária, o deputado deverá publicar uma retratação em sua conta no Instagram por, no mínimo, 15 dias. O descumprimento poderá gerar multa diária de R$ 1 mil.

A decisão, proferida em segunda instância, ainda pode ser alvo de recursos. Caso seja mantida até o trânsito em julgado, o caso poderá ter desdobramentos na esfera eleitoral, com eventual análise à luz da Lei da Ficha Limpa, dependendo do entendimento sobre eventual incitação ao ódio e suas implicações jurídicas.

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Fonte Folhamax

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