Política
Guedes ajusta pacote para tentar conter gastos públicos; armas registradas aumentam em 49%
O ministro da Economia, Paulo Guedes, entrega ao Congresso, nesta semana, um pacote de reformas para tentar frear os gastos das contas públicas. Dividida em cinco eixos, a iniciativa tem como prioridade a PEC emergencial, uma tentativa de conter o crescimento dos gastos obrigatórios do Orçamento.
Em sua reportagem principal, O Estado de S. Paulo explica quais são os cinco principais projetos de Guedes:
* Reforma administrativa, que mexe com a estabilidade dos novos servidores e reduz carreiras e salário inicial;
* PEC emergencial, que reduz despesas obrigatórias para criar espaço para investimentos;
* PEC “DDD” (desvincular, desindexar e desobrigar – tirar as “amarras” – do Orçamento), que torna as despesas mais flexíveis;
* Pacto federativo, que propõe uma nova divisão de recursos do pré-sal com Estados e municípios;
* Programa de ajuda a Estados, que pretende conceder empréstimos a estados em dificuldade em troca de ajustes.
De acordo com o Estadão, a PEC emergencial é considerada a etapa mais urgente para a equipe econômica, pois visa frear, principalmente, o crescimento dos gastos com pessoal. O objetivo de Guedes e sua equipe é conseguir economizar R$ 27 bilhões, mas o colunista do G1 Helio Gurovitz afirma que a aprovação no Congresso é difícil. Saiba mais ao final deste resumo.
O matutino paulista lembra que esse conjunto de medidas chega ao Congresso justamente num momento em que o presidente Jair Bolsonaro enfrenta dificuldades para conseguir apoio, inclusive dentro de seu partido, o PSL. “Guedes faz pacote em 5 eixos para conter gastos do governo”, sublinha o título principal do Estadão.
Na sua reportagem principal, O Globo informa que o número de armas de fogo com registro ativo na Polícia Federal ultrapassou, em setembro, o patamar de 1 milhão de unidades. O dado representa uma alta de 49% sobre as 678 mil cadastradas em dezembro de 2018.
Segundo o matutino carioca, esses números incluem registros que haviam expirado e foram renovados, assim como os 36 mil novos armamentos registrados entre janeiro e agosto deste ano. Fica excluída dessa conta a modalidade dos colecionadores, que é de responsabilidade do Exército.
Segundo o Instituto Igarapé, que atua na área de segurança pública, o maior salto ocorreu no mês de junho, época em que Bolsonaro editou decretos flexibilizando a posse de armamentos.
Analistas advertem para o risco de aumento da circulação de armas sem controle devido, como a marcação de munição. “País ultrapassa marca de 1 milhão de armas registradas na PF”, informa a manchete do Globo.
Enquanto a equipe econômica do governo prepara a entrega do pacote ao Legislativo, o presidente Bolsonaro publicou um vídeo, em sua conta no Twitter, em que se comparou a um leão que sofre ameaças de hienas, representadas pelo Supremo Tribunal Federal (STF), o PSL, partidos de esquerda, de centro e até de direita, além de veículos de imprensa.
O post teve repercussão negativa, mesmo que Bolsonaro tenha o apagado minutos depois. Na avaliação de congressistas, a mensagem pode atrapalhar o andamento de medidas de interesse do governo na Câmara e no Senado, incluindo o novo pacote de Guedes.
A Folha de S.Paulo lembra que o decano do STF, ministro Celso de Mello, afirmou que “o atrevimento presidencial parece não encontrar limites”. “É imperioso que o senhor presidente da República – que não é um ‘monarca presidencial’, como se o nosso país absurdamente fosse uma selva no qual o leão imperasse com poderes absolutos e ilimitados – saiba que, em uma sociedade civilizada e de perfil democrático, jamais haverá cidadãos livres sem um Poder Judiciário independente como é a magistratura do Brasil”, disse.
A divulgação vídeo aconteceu após a vitória da esquerda nas eleições argentinas e as manifestações de rua no Chile. No texto do post havia um trecho que dizia: “Chile, Argentina, Bolívia, Peru, Equador… Mais que a vida, a nossa liberdade. Brasil acima de tudo! Deus acima de todos!”.
Em sua manchete, a Folha afirma que o prefeito de São Paulo, Bruno Covas (PSDB), recebeu o diagnóstico de câncer no trato digestivo com metástase (quando a doença se espalha) no fígado. O prefeito, de 39 anos, terá que passar por sessões de quimioterapia.
Covas foi internado na última quarta-feira (23) com erisipela (infecção de pele). Após o registro de trombose venosa e tromboembolismo nos pulmões, uma investigação mais apurada da equipe médica detectou o tumor. Segundo o matutino paulista, o prefeito disse aos médicos que fica no comando da cidade enquanto for possível.
Caso ele seja obrigado a se afastar, quem assume o posto à frente da capital paulista é o presidente da Câmara de Vereadores, Eduardo Tuma (PSDB). Segundo a Folha, o cenário pode afetar a eleição de 2020 em SP. “Bruno Covas tem câncer, e Prefeitura de SP é dilema”, aponta a manchete da Folha.
G1
Política
TJMT condena Cattani a indenizar associação LGBTQIA+ e publicar retratação

A Quarta Câmara de Direito Privado do Tribunal de Justiça de Mato Grosso condenou o deputado estadual Gilberto Cattani (PL) ao pagamento de R$ 20 mil por danos morais, além da obrigação de publicar uma retratação em seu perfil no Instagram. A decisão foi tomada nesta quarta-feira (15), após análise de recurso movido pela associação MT Queer.
O colegiado seguiu, de forma unânime, o voto do desembargador Rubens de Oliveira Santos Filho, que divergiu inicialmente da relatora Serly Marcondes Alves. Em primeira instância, a entidade havia tido o pedido negado, cenário que se repetiu em decisão inicial no próprio tribunal. No entanto, após pedido de vista, Rubens apresentou voto favorável à associação, posteriormente acompanhado pela relatora, consolidando o entendimento unânime da Câmara.
No voto, o desembargador destacou que o parlamentar possui histórico de manifestações consideradas polêmicas e apontou que, neste caso, houve extrapolação dos limites da atuação política. Segundo ele, as declarações não configuram exercício legítimo da função parlamentar, mas sim conteúdo discriminatório. “É nítido que o tom adotado não se caracteriza como crítica administrativa ou política, mas revela conteúdo de segregação e preconceito”, afirmou.
A ação tem origem em um vídeo publicado por Cattani em novembro de 2023, no qual ele criticava um curta-metragem produzido pela MT Queer. O material retratava a relação afetiva entre dois jovens e, segundo o deputado, estaria “incentivando” comportamentos entre estudantes. A interpretação foi contestada pela entidade, que acionou a Justiça alegando discurso discriminatório.
Para o relator do voto vencedor, o caso não se enquadra na proteção da imunidade parlamentar. Ele classificou a conduta como manifestação de “intolerância odiosa”, ressaltando que não há nexo funcional que justifique o conteúdo das declarações no âmbito do exercício do mandato.
Além da indenização, que será acrescida de juros e correção monetária, o deputado deverá publicar uma retratação em sua conta no Instagram por, no mínimo, 15 dias. O descumprimento poderá gerar multa diária de R$ 1 mil.
A decisão, proferida em segunda instância, ainda pode ser alvo de recursos. Caso seja mantida até o trânsito em julgado, o caso poderá ter desdobramentos na esfera eleitoral, com eventual análise à luz da Lei da Ficha Limpa, dependendo do entendimento sobre eventual incitação ao ódio e suas implicações jurídicas.
Fonte Folhamax
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